Hermenêutica e ciência: Hans-Georg Gadamer e Thomas Kuhn

Comentário: artigo publicado na revista Conhecimento e Diversidade. Trata da relação entre a noção de tradição e o conceito de ciência.


 

Hermenêutica e ciência: Hans-Georg Gadamer e Thomas Kuhn

[…]

Embora Thomas Kuhn não aborde o tema nesses termos, a questão da valorização da Tradição e da Autoridade já está posta desde sempre na problemática do Paradigma. Sem embargo, a crise que se segue à ciência normal e antecede ao novo Paradigma é nada menos que isso: a tensão entre a Tradição e a descoberta. De fato, em Kuhn o conhecimento científico nunca é construído sobre uma “tabula rasa”, mas sempre em diálogo, sempre em discussão com um Paradigma vigente. Enfim, o conhecimento se move sempre em relação a um Paradigma, seja para contestá-lo, seja para ratificá-lo. É isso que sustenta Gadamer:

Toda experiência é confronto, já que ela opõe o novo ao antigo, e, em princípio, nunca se sabe se o novo prevalecerá, quer dizer, tornar-se-á verdadeiramente uma experiência, ou se o antigo, costumeiro e previsível reconquistará finalmente a sua consis-tência. Sabemos que, mesmo nas ciências empíricas, como Kuhn em particular o demonstrou, os conhecimentos novamente estabelecidos encontram resistências e na verdade permanecem por muito tempo ocultos pelo ‘paradigma’dominante. O mesmo ocorre fundamentalmente com toda experiência. Ela precisa triunfar sobre a tradição sob pena de fracassar por causa dela. O novo deixaria de sê-lo se não tivesse que se afirmar contra alguma coisa.

Não por acaso, Gadamer faz referência duas vezes a Thomas Kuhn em suas obras. A primeira delas foi em 1975, na introdução às conferências realizadas pelo nosso autor em 1958, em Louvain. Quando da edição inglesa destas conferências, Gadamer prepara uma introdução a esta obra, e nela cita Thomas Kuhn. A segunda referência é numa nota da 5ª edição alemã de Verdade e Método (1986 provavelmente). Lá, no capítulo que trata da reabilitação da autoridade e da Tradição, ele se limita a dizer que “esta questão parece ser bem mais complicada desde Thomas Kuhn”.

Na primeira referência, já citada nesta reflexão, Gadamer identifica-se com a reflexão de Kuhn. A percepção de certa semelhança entre os autores parece bastante clara. A valorização da Tradição e o papel do Paradigma no ato do conhecimento têm papéis muito assemelhados, pois em ambos aspectos o processo de aquisição de sabedoria nunca é dado imediatamente e a partir do limbo, mas sempre parte de um horizonte de conhecimento que é aquele do pesquisador ou do cientista.

De fato, Gadamer e Kuhn possuem muitas afinidades. Eles voltam às coisas mesmas, mas não como o movimento do Aufklärung imaginava. Nem um, nem outro tem a pretensão vã de ouvir o objeto ao modo do objeto, pois ambos sabem que, caso se possa ouvir qualquer coisa, só se poderá fazê-lo ao modo do ouvinte. As abordagens cientifi-cistas ou matematistas da realidade são insuficientes menos por seus métodos do que por suas premissas filosóficas exclusivistas.

Jennifer Lackey – Ciência e Testemunho

Ciência e Testemunho

Jennifer Lackey

“The upshot of my view is that, strictly speaking, we do not learn from one another’s states of believing on knowing – we learn from one another’s words”

“O resultado do meu ponto de vista é que, a rigor, nós não aprendemos as nossas crenças sobre o conhecimento uns com os outros – aprendemos com as palavras uns dos outros” (Tradução nossa).

Fonte: LACKEY, Jennifer. Learning from words: Testimony as Source of Knowledge. Oxford: Oxford University, 2008, p. 2.

Steve Fuller – Science Studies Unit

Science Studies Unit

Steve Fuller

“Shortly after becoming prime minister of Great Britain in 1964, Harold Wilson called for the integration of science and technology into the mainstream of British society. The result was a series of courses instituted in the late 1960s to teach science and engineering majors about the social dimensions of their research, into the hope of tracking them into more socially beneficial directions. Among these new service teaching programs was the Edinburgh SSUnit”

“Pouco depois de se tornar Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha em 1964, Harold Wilson pediu a integração da ciência e da tecnologia para o padrão da sociedade britânica. O resultado foi uma série de cursos instituída no final dos anos 1960 para ensinar ciências e engenharias sobre as dimensões sociais de suas pesquisas, na esperança de orientá-las em direções socialmente mais benéficas. Entre esses novos serviços de programas de ensino houve o Science Studies Unit de Edimburgo”

Fonte: FULLER, Steve. Thomas Kuhn: a philosophical history of our times. Chicago
and London: The University of Chicago Press, 2000, p. 318-319.

Curtas sobre a Fé – 13

Comentário: Atualizamos as informações sobre os cristãos sequestrados na Síria. O número já ultrapassa 200 cidadãos! No Iraque, o extermínio dos cristãos está em andamento, segundo uma ex-ministra do governo. Em Ars, sacerdote retira o Santíssimo Sacramento de todas as igrejas por causa de violações aos sacrários. E mais notícias sobre a fé pelo mundo.


 

Martires_Coptas1. Chega a 220 o número de cristãos sequestrados na Síria: “O número de cristãos sírios sequestrados desde segunda, 23/02, pelo grupo extremista Daech na Síria foi elevado a 220 no total, segundo relatório do ‘Observatório sírio dos direitos do Homem’ (OSDH)”. Na região havia aproximadamente 30.000 anciãos cristãos convertidos, quando o conflito foi deflagrado, em 2011.

Lucano – Idealizações

Idealizações

Lucano 

“Pompeu sobrevive aos combates, mas sua fortuna morreu; o que tu choras, é aquilo que amavas”

Fonte: LUCANO, Marco. Farsaia, VIII. Madrid: Akal, 1989.

John Ziman – Ciência e Essência

Ciência e Essência

John Ziman

“The danger of this type of defence is that it accepts without question an analysis which may itself be deeply flawed. In many cases, the objectionable feature is incorrectly attributed to ‘science’, or is far from essential to it”

“O perigo deste tipo de defesa (de que, nas disputas científicas, o que está em jogo é a essência da ciência) é que ela aceita sem questionar uma análise que pode ser profundamente falha. Em muitos casos, a característica censurável está incorretamente atribuída à ‘ciência’, ou está longe de ser essencial” (Tradução nossa).

Fonte: ZIMAN, John. Real Science: what it is, and what it means. Cambridge: Cambridge University Press, 2000, p. 2.

Je suis Copte – Eu sou Copta

São esses os homens que morreram pelo crime de serem cristãos na Líbia, dia 15 de fevereiro. São 21 mártires, que já receberam a primeira homenagem: um jovem pintor, Tony Rezk, retratou o primeiro ícone onde os operários cristãos martirizados são retratados recebendo dos Céus a maior das recompensas e o único reconhecimento que vale a pena: a coroa imperecível.

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Lançamento do livro: Mitos sobre o matrimônio: o “Príncipe Encantado”

Nesse sábado, dia 28/02, no Seminário São José – Niterói, será o lançamento do livro sobre os mitos que cercam a preparação para o matrimônio. Não poucos relacionamentos conjugais fracassam por causa do descuido com as condições necessárias de convivência entre as pessoas. E o pior: a maioria desses relacionamentos é totalmente viável! E um dos problemas mais graves está na visão romântica acerca das virtudes e potências dos cônjuges. É o Mito do Príncipe Encantado.

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Comentários sobre o livro:

Pe. Demétrio Gomes: “Sim, é possível um final feliz, mas unicamente para aqueles que sabem que o caminho para este fim passa por uma estrada real, não imaginária, que supõe lutas, e até fracassos, e que, talvez justamente por isso, torne tão apaixonante a aventura de amar. Uma boa leitura!“.

Seminarista Matheus Pigozzo: “A obra do Professor Robson ‘Mitos Sobre o Matrimônio’ é um escrito de consciente reflexão para os que irão assumir a vida matrimonial. Muitos casamentos dão errado por os noivos não terem pensado em pontos muito bem abordados por Robson no livro”.

Duas solidões contemporâneas

Mais um artigo de um membro do apostolado do Site Humanitatis foi publicado pela Gazeta do Povo. Dessa vez, o assunto é o deserto que cerca os homens que procuram resistir ao fácil, ao desonesto, ao imoral. Há uma verdadeira caça às bruxas: os honestos são achincalhados, ridicularizados, menosprezados. Eis um extrato de Duas solidões contemporâneas:

O Brasil testemunha o surgimento de uma solidão específica: a solidão do homem honesto. Diferentemente da solidão do anacoreta cibernético, que escolhe alhear-se do mundo à sua volta, esse exílio é imposto aos homens por seus coetâneos. Trata-se do sentimento de que, diante das constantes notícias de roubalheiras e escândalos, os cidadãos não deveriam cumprir as normas éticas e morais. Pensa-se: se os líderes do povo não se ocupam do bem e da justiça, não será o homem comum a lutar para cumprir os princípios morais. E assim nasce o homem solitário, que se sente abandonado no cumprimento da lei e na busca do bem humano.

Luz

Para ler o texto completo, vejam aqui.

Platão – Morte

Morte

Platão

“Temer a morte não é outra coisa que se considerar sábio quando não se é, pois isso é crer saber o que não se sabe”

Fonte: PLATÃO. Apologia, 29 a.

 

Reflexões – Adoração pelas Famílias – Fevereiro/2015

Vale para as famílias o que é verdade também para os homens: uma noite ruim numa pousada ruim. Por isso, toda promessa de satisfação perfeita e acabada nesse mundo é puro engodo. 

Adoração ao Santíssimo - Fevereiro

Adoração das Famílias – Fev. 2015 – Paróquia São João Batista – Tenente Jardim – Niterói – RJ

Harry Collins & Robert Evans – Thomas Kuhn e Positivismo Científico

Thomas Kuhn e Positivismo Científico

Harry Collins & Robert Evans

“[…] the sciences were thought of as esoteric as well as authoritative, it was inconceivable that decision-making in matters that involved science and technology could travel in any other direction than from the top down. This wave of ‘positivism’ began to run into shallow academic waters in the late 1960s with Thomas Kuhn’s book and all that followed. By the end of the 1970s, as an academic movement, it had crashed on to the shore”.

“[…] As ciências foram pensadas como esotéricas, bem como autoritárias; era inconcebível que a tomada de decisões em questões que envolvesse ciência e tecnologia pudesse tomar qualquer outra direção senão de cima para baixo. Essa onda de ‘positivismo’ começou a correr em rasas águas acadêmicas na década de 1960, com o livro de Thomas Kuhn. Pelo fim dos anos de 1970, como uma movimento acadêmico, ela quebrou sobre a costa” (Tradução Particular).

Fonte: COLLINS, Harry; EVANS, Robert. The Third Wave of Science Studies: Studies of Expertise and Experience. Social Studies of Science, vol. 32, nº 2, 2002, p.239:

Thomas Nickles – Thomas Kuhn

Thomas Kuhn

Thomas Nickles 

“Thomas Kuhn (1922–1996), the author of The Structure of Scientific Revolutions, is the best-known and most influential historian and philosopher of science of the past 50 years and has become something of a cultural icon”

“Thomas Kuhn (1922-1996), o autor de A Estrutura das Revoluções Científicas, é o mais conhecido e mais influente historiador e filósofo da ciência dos últimos 50 anos e tornou-se algo como um ícone cultural”

Fonte: NICKLES, Thomas. Thomas Kuhn: Contemporary Philosophy in focus. Cambridge: Cambridge University Press, 2003, p. iii.

Convite – Adoração pelas famílias – Fevereiro/2015

A Adoração pelas Famílias está chegando.

Ajude a divulgar e venha rezar conosco!

Será dia 21/02, às 19h30, na Paróquia de São João Batista, em Tenente Jardim-Niterói.

Adoração_2015_Fevereiro

Müller: “Estas teorías son radicalmente erróneas”

Comentário: Estudo do Cardeal Gerhard Müller sobre a natureza do sacramento do matrimônio e do sacramento da eucaristia. Vale a pena ler com cuidado!


Müller: “Estas teorías son radicalmente erróneas”

El prefecto de la congregación para la doctrina de la fe confuta las tesis de quienes desearían permitir las segundas nupcias con el primer cónyuge aún vivo. Gran apoyo por parte del cardenal Sebastián, también él contra el cardenal Kasper. Pero el Papa Francisco, ¿con quién está?

de Sandro Magister

Joseph Ratzinger – Amor e Sofrimento

Amor e Sofrimento

Joseph Ratzinger

“Quem não aceita o sofrimento não pode amar, pois o amor implica sempre algum grau de morte para si mesmo, de entrega de si a outro, de libertação de si”

Fonte: RATZINGER, Joseph. Homilias sobre os santos. São Paulo: Quadrante, 2007, p.74.

Hans-Georg Gadamer – Razão e Tradição

Razão e Tradição

Hans-Georg Gadamer

“Parece-me, no entanto, que entre a tradição e a razão não existe nenhuma oposição que seja assim tão incondicional”

 

Fonte: GADAMER, Hans-Georg. Verdade e Método. Petrópolis: Vozes, 1999, p. 373.

Nasciturofobia

Nasciturofobia é o neologismo que expressa a ideologia que ataca o direito de cidadãos defenderem a vida do nascituro. Seja por causa psiquiátrica ou política, o nasciturofóbico teme que as grávidas deem um golpe político e cultural, dando uma guinada à direita na política nacional. Como os nasciturofóbicos são poderosos, pois estão em editoriais de jornais, revistas e televisões, ao restante do povo que não concorda com essa fobia resta o (ainda) campo livre da internet, onde defendem o direito de as grávidas e suas famílias se mobilizarem pela vida do nascituro.

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