Joseph Ratzinger – Inculturação

Inculturação

Joseph Ratzinger

“Esse processo só pode ser realizado com sentido quando a fé cristã e a outra religião, com a cultura que dela vive, não se achem em uma relação de absoluta alteridade, mas que nelas exista uma abertura interna mútua. Dito com outras palavras, quando a tendência para encontrar-se mutuamente e para unir-se se ache fundamentada na sua essência. A inculturação pressupõe, então, a universalidade potencial de cada cultura. Pressupõe que em todas atue a mesma essência humana, e que nelas viva uma verdade comum do ser humano, uma verdade que tende à união. Dito ainda de outra maneira: o propósito da inculturação só tem sentido quando a uma cultura não seja feita nenhuma injustiça pelo fato de que, partindo da orientação comum para a verdade do homem, seja aberta por uma nova força cultural e seja ulteriormente desenvolvida por ela. Pois o que em uma cultura exclui tal abertura e tal intercâmbio é, ao mesmo tempo, sua própria insuficiência, uma vez que a exclusão do outro é contrária à essência do homem. A elevação de uma cultura se mostra na sua abertura, na sua capacidade de dar e de receber, na força para desenvolver-se, de deixar-se purificar e, desta maneira, tornar-se mais conforme à verdade e mais conforme ao ser do homem”

Fonte: RATZINGER, Joseph. Fé, Verdade e Tolerância. São Paulo: Inst. Bras. de Filosofia e Ciência Raimundo Lúlio, 2007, p. 58-59.

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