Joseph Ratzinger – Sobre a unidade entre fé e ciência

Sobre a unidade entre fé e ciência

Joseph Ratzinger

“Heisenberg interpretava ao seu modo essa nova abertura dos cientistas para a religião a partir das próprias vivências na casa paterna. Tinha por certo tratar-se de duas esferas totalmente diferentes que não estavam em competição uma com a outra. Nas ciências da natureza estava em causa o certo e o errado; na religião, o bem e o mal, o valor e o não-valor. Aos dois âmbitos correspondiam separadamente os lados objetivo e subjetivo do mundo. ‘As ciências naturais são, de certo modo, a maneira como defrontamos o lado objetivo o lado objetivo da realidade […] A fé religiosa, ao contrário, é a expressão de uma decisão subjetiva, com a qual fixamos os valores que hão de guiar a nossa vida.’ Essa decisão teria naturalmente diversos pressupostos na história, na cultura, na educação e no ambiente – Heisenberg descreve ainda a visão de mundo de seus pais e a de Max Planck -, mas, em última análise, seria subjetiva e, por isso, não estaria exposta ao critério ‘certo-errado’. Desse modo, Planck ter-se-ia decidido subjetivamente pelo mundo de valores cristãos, e os dois âmbitos do mundo – subjetivo e objetivo – permaneceriam saudavelmente separados. Nessa altura, acrescenta Heisenberg: ‘Devo confessar que não me sinto bem com essa separação. Duvido que as comunidades humanas possam conviver longamente com essa rigorosa separação entre crer e saber”

Fonte: RATZINGER, Joseph. Fé, Verdade e Tolerância. São Paulo: Inst. Bras. de Filosofia e Ciência Raimundo Lúlio, 2007, p. 129-130.

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