Diabinhos confusos em Cachoeira Paulista

Recebi um email importante, de Cachoeira Paulista, e tenho que indicar uma prática útil nesses tempos. Segue parte do texto:

(…) Todos estamos muito confusos aqui, seu Coisa Rúim. A gente não sabe o que fazer… Há aqueles diabinhos novatos que garantem que a Canção Nova está do nosso lado; há outros, mais antigos, que recordam a importância desta instituição nestes anos todos. Uns falam de um tal anãozinho da Branca de Neve, que trabalhou muito por aqui.. Seu nome era Zangado, Soneca, sei lá, que deu muito trabalho para nós. Todos os demônios antigos que trabalham neste regional estão estranhando o silêncio dele (…). Não sabemos mais, seu Coisa Rúim, se comemoramos o fim da Canção Nova (pois minha prática nestes anos como coordenador da seção “Seduções e Heresias” comprova que eles atrapalhavam, sim, nossos planos) ou se lamentamos a perda de um importante aliado.

Desgraçado coordenador do Regional Sul 2, eu também não suporto esse anãozinho da Branca de Neve! Fico feliz de ele ter se calado. Ele poderia ter feito um estrago e tanto em favor dEle, se houvesse tido a coragem daquele padreco e citado alguns documentos da Babilônia e, principalmente, se invocasse a fidelidade ao Pescador. Causa-me gozo incontido esse silêncio obsequioso. Mas vamos aos problemas.

Há uns demônios antigos e uns diabinhos novatos muito apressados em julgar. A maioria de vocês simplifica a realidade dizendo que ou tudo está certo, ou tudo está errado. Ou a Canção Nova era dEle, ou era minha. Ou ensinava o Evangelho, ou o negava. Esquecem-se que eu sou mestre em plantar meias-verdades. Lembram do meu diálogo com a Primeira?? Enganei-a facilmente, mas o trabalho só foi fácil porque parte do meu discurso era verdadeiro: “não é verdade que Ele proibiu que comessem da árvore…”. Se tudo o que disse fosse mentira, seria muito difícil convencê-la. Mas como parte do discurso era verdade, a Primeira aceitou dialogar. Tolinha… Há até alguns homenzinhos fedorentos (com exceção do Leandro, é claro, o qual ainda aguardo para uma visita pessoal), que são assim apressados, rápidos para julgar o trabalho dessa gente: gosto dessa pressa porque se, precipidamente, eles julgam a Canção Nova de modo otimista demais, esquecem dos errinhos que escondo atrás de cada palestra, por entre cada entrevista, no meio de cada acorde; se eles são demasiadamente pessimistas, porém, em relação ao trabalho da CN, igualmente não percebem uma oportunidade de conversão para Ele em cada palestra, uma doutrina certa que passa entre uns acordes ou em uma entrevista. Enfim, o julgamento apressado está sempre a nosso favor.

Minha dica a todos, não só para o Regional Sul 2 sediado em Cachoeira Paulista, é que promovam os excessos. Provoquem julgamentos apressados, conversas acaloradas, até emails irados nos servem. Se as coisas estão confusas coordenador, dê graças a mim! Esse é o objetivo. Quanto ao que fazer sobre a pastoral na Canção Nova e seus colaboradores, continue o trabalho. O bem vem dEle e a Ele não se dá trégua. Ah, e no que for possível, faça os homenzinhos fedorentos esquecerem o princípio de Gamaliel (cf. At 5, 34). Caso eles meditem sobre este princípio, talvez tenham uma postura, capaz de subverter todo o trabalho da seção diabólica do Regional Sul 2: a confiança. Se eles entenderem o sentido desse texto, entenderão que, se for dEle, a Canção Nova não acabará por intervenção humana ou angélica; se dEle não for, ela não ficará de pé, quando soprarem os ventos e a chuva, e ambos investirem sobre a fundação. Portanto, evitem esse texto o quanto puderem.

Despeço-me desejando tudo de muito péssimo para todos e que não descansemos, pois a nós não foi dado descansar.

Aviso importante: haverá um chat com os diabinhos recém-concursados nas próximas 6 sextas-feiras. Os que estão em estágio probatório não podem faltar por motivo algum. Reúnam-se com seus supervisores para organizarem a escala de presença. Provavelmente não vou mediar os debates. Alguns colaboradores mais próximos aparecerão e, quando puder, colocarei no blog um resumo destes encontros.

Coisa Rúim Chefe

4 comments for “Diabinhos confusos em Cachoeira Paulista

  1. Leandro Lopes
    1 de novembro de 2010 at 10:17

    Seu Coisa Ruim

    Estou realmente tentado a visitá-lo, mas meu diretor espiritual me mandou fugir das tentações.
    Se depender de minha vontade vamos nos encontrar em breve, no dia do Juízo Final, que pelo andar da carruagem está pertinho pertinho. Então, de longe, com um breve acenar de mãos e um olhar debochadamente triste pretendo te dar um “tchauzinho” enquanto eu subo (ou você desce… sei lá).

    Atenciosamente

    Leandro Lopes

  2. Ricardo dos Guimarães-Peixoto
    13 de outubro de 2010 at 17:32

    Penso que a condenação da Canção Nova nesses últimos dias, motivada por questões apaixonadas, é um duro baque na Obra que se opera através daquela gente que, não raro, repleta do Espírito de Deus, auxilia o pecador a voltar ao caminho estreito. É bom lembrar que Jesus foi radical ao expulsar os vendilhões do templo, mas foi absolutamente político ao mandar dar a Cesar o que era de Cesar.

    • Robson Oliveira
      13 de outubro de 2010 at 18:53

      Concordo com você, Ricardo. Não se deve esquecer o que esta obra já fez. Acho que é essa a dúvida de todos, inclusive destes anjos maus. Eles não sabem se comemoram ou se lamentam tudo o que está acontecendo.

      Quanto ao texto citado, não acho que foi “política” de Jesus, isto é, relativização da verdade para agradar interesses pessoais. Entendo, com a Tradição, que há um grupo de assuntos que não interessam ao religioso. Esta sempre foi a tradição interpretativa deste texto.

      • Ricardo dos Guimarães-Peixoto
        13 de outubro de 2010 at 22:32

        Robinho, eu não entendo assim. Entendo que não raro é preciso eleger prioridades e ir ao encalço de sua realização. Se eu concordasse com essa interpretação (com a tradição), infelizmente também teria que concordar que políticas públicas favoráveis ao abortamento não devem fazer parte do mundo religioso, pois qual seria a diferença em se matar quem ainda vai chegar ou matar quem já chegou?. Ora, se Jesus fosse alienado o suficiente para achar que a cobrança de impostos nada tem a ver com a opressão e as mortes financiados pelas autoridades civis, qual é então o motivo de tanta discussão hoje em dia? Jesus certamente não era alienado e bem sabia qual era o destino dado aos impostos naquela época. Dar a Cesar o que é de Cesar, pra mim, é eleger prioridade, não relativizar. Relativizar, isso sim, é dizer que Jesus excluía do religioso algo que não fosse do seu interesse.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *