Estado Laico: Cumpra-se!

Sugiro aos magistrados do Rio Grande que apliquem a lei como está retirando todas as imagens religiosas

Pois é, pessoal! Voltei. Bem que o puxa-saco do Recruta Zero do Céu tentou pôr-me para fora deste site, mas os homenzinhos fedorentos aprontam tanto, facilitam tanto minha vida, que acabei voltando. E dessa vez, venho como amigo dos homenzinhos, e especialmente, dos homenzinhos que moram no Rio Grande do Sul. Quero, de todo meu coração negro, parabenizar os juristas deste estado pela coragem de viver como a razão exige:  sem deixar-se moldar pelas normas da Babilônia. É necessário seguir suas inclinações, mesmo que elas cheguem a pontos muito difíceis de sustentar. Quem volta atrás e retrocede sobre seus passos quando está num beco sem saída é um covarde. Diante de um beco sem saída, especialmente no campo religioso, espere lá, paradinho, que daqui a pouco a gente aparece para ajudar… rsrsrs…

Bem, mas como vocês já sabem, o judiciário do Rio Grande do Sul, por meio de seus geniais e isentos magistrados, provocado por um grupo de colegas, conseguiu que fossem retiradas todas as representações religiosas dos locais públicos da Justiça. O objetivo, está claro e eu tenho gozos de alegria ao lembrar, é atacar os seguidores do Emanuel, no que eu “gosto muitcho”. Contudo, para que este ataque fique disfarçado, para que não se desconfie de que ele tem um evidente viés Emanuelofóbico, sugiro aos magistrados do Rio Grande que apliquem a lei como está, isto é, retirando todas as imagens religiosas que estão nos locais públicos da Justiça e, por que não, em outros locais públicos do estado, ainda que não do judiciário. Para facilitar o trabalho, aí segue uma lista com três imagens que vocês eles podem queimar, leiloar, quebrar ou, quem sabe, doar para os estados que ainda não alcançaram o nível de educação do mui agradável e pacífico poder judiciário do Rio Grande do Sul:

Reprodução da representação de um deus pagão, que adorna o prédio da Justiça do Rio Grande do Sul

1. Esta imagem de uma deusa pagã, que ladeia o Palácio da Justiça de Porto Alegre, também deve ira para o lixo, caso se aplique a lei do judiciário gaúcho. Afinal, o estado laico não pode conviver com representações deste tipo, segundo o judiciário local, não é? Então, cuidem também disso, excelências, ou parecerá que as únicas imagens que não são permitidas são as do Emanuel e de seus Amigos. Caso necessitem de ajuda para saber o que fazer, liguem para os talibãs no Egito, eles vão orientá-los sobre o modo de acabar com a influência religiosa nesse estado, mui justo e honrado, sem corrupção ou ladroagem pública, que tem como maior preocupação as imagens religiosas no seu interior.

E se a ideia pegar no Rio Grande do Sul, pode-se também retirar dos prédios do Legislativo e do Executivo outras representações:

2. Dois deuses pagãos adornam o frontispício do Museu de Arte do Rio Grande do Sul e merecem ser execrados pela censura religiosa do Rio Grande do Sul. Afinal, ainda que não seja uma construção diretamente ligada ao judiciário, senhores mui dignos e ocupados vão até lá para ouvir ópera, concertos belíssimos de Wagner, além obviamente de peças espetaculares de Bertold Brecht. É óbvio que este tipo de religiosidade  pagã estampada na porta de entrada do museu ofende muitos dos senhores que lá frequentam, causando incômodos mil, cólicas sem par, calafrios horrendos.

Reprodução: As estátuas de Ceres e Hermes no frontispício, de Alfred Adloff.

Então, excelências, longe de mim ensinar o juiz a julgar. Mas se não aplicarem neste caso também a lei recém-aprovada e não retirarem as imagens citadas, vai parecer para o público indouto e ignorante, que apenas as imagens do Emanuel e de seus Amigos é que incomodam a até então desconhecida sensibilidade do povo gaúcho para assuntos religiosos. E, claro, nós não desejamos que isso aconteça, não é?

3. Mais um exemplo é a representação de Atena, que está no Monumento Expedicionário, em Porto Alegre. Ela está adornando um monumento do estado do Rio Grande do Sul, que é laico. Então, excelências, para que disfarcemos e não deixemos alguém suspeitar que essa ação é o que na verdade é, Emanuelofóbica,  é preciso que se retire também desse monumento a referência a deusa grega. Afinal, estado laico não é estado que se ressente de referências à religião do Emanuel, mas a todas as religiões, inclusive as pagãs.

Reprodução: Estátua de Atena, também de Caringi, na parte posterior do Monumento

E assim poder-se-ia ir, por exemplo exigindo que as alas das baianas também desaparecessem das Escolas de Samba do Rio Grande do Sul e etc. Afinal, elas e outros elementos da cultura local representam muito bem religiões africanas, religiões orientais, religiões científicas. Como o estado do Rio Grande do Sul, mui tolerante e ilustrado, entende que as representações das religiões não podem incomodar o bastante sensível sentido religioso do gaúcho, importa também aqui aniquilar este aspecto da cultura. E claro, excelências, tudo isso para não parecer que a decisão tomada é apenas Emanuelofóbica. Pois se apenas as imagens do Emanuel e de seus Amigos são proibidas, como não imaginar que o mui gentil e cortês estado do Rio Grande do Sul está cometendo uma injustiça irreparável e abominável contra os seguidores do Emanuel? Sinceramente, seria muito ruim para minha causa se isso acontece. De novo, parabéns excelências! Continuamos com nossos convênios e benefícios, como d’antes combinados.

Coisa Rúim Chefe

12 comments for “Estado Laico: Cumpra-se!

  1. Eduardo Araújo
    22 de outubro de 2012 at 01:16

    Robson, o anticatólico Eduardo está muito incomodado com nossa religião em todo o lugar. Acho que ele tá muito preocupado em criticar-nos para se prestar a entender uma refutação.

  2. Eduardo Rezende
    18 de outubro de 2012 at 19:11

    Ué, mas como assim Estado Laico. Onde você vai só tem coisa católica… O sujo falando do mal lavado?

    • 18 de outubro de 2012 at 23:41

      Não, embora o catolicismo esteja em todo lugar, ele não é religião oficial. Por isso o estado é laico. Entendeu, “católico” Eduardo?

  3. Natália Oliveira
    15 de março de 2012 at 01:21

    Agora todo mundo quer Estado Laico. Há meses atrás ninguém falava nisso.

    • 15 de março de 2012 at 01:29

      Continuemos querendo o Estado laico, Natália. O que não queremos, a não ser o Coisa Rúim, que invadiu nosso blog, é o estado ateu.

  4. Herbert Burns
    13 de março de 2012 at 20:36

    Gostaria de corrigir-me, pois disse que há coisas mais sérias e constrangedoras que retirar os objetos sacros das dependencias da justiça gaúcha, não foi essa minha intenção: no afã de mostrar a estratégia do judiciário gaúcho, cometi este erro, pois na verdade constrangedor é ver as coisas sacras serem tratadas com a vil mediocridade de um poder não representativo. Onde esta mediocridade é imperiosamente imposta, pois não leva sequer em consideração que foi a Igreja Católica que formou toda a nossa sociedade, foi com uma Missa que se deu a nossa descoberta. O próprio das universidades, do estudo e do Direito vem desta Religião. Se por um lado não há nenhuma incoerencia em manter simbolos religiosos nas dependencias do Judiciário, por outro lado é um ato de pura discriminação retirá-los. Só mesmo um poder não representativo, afastado de seu povo e de sua história é capaz desse juízo, um poder fechado em si mesmo onde até Narciso acha bonito e se Mussolini estivesse vivo morreria de inveja. Talvez ele coloque no vazio que restou uma imagem sua, de sua mãe ou das lésbicas, se bem que lesbianismo tomou o lugar da religião de muitas.

  5. David Gravatá (estudante)
    13 de março de 2012 at 01:10

    É fantástico a maestria como este demônio (Coisa Ruim) escreve teu texto, que de forma tão debochada, transcreve com clareza, os verdadeiros objetivos do Mal. Essa idéia de criar leis de Estado Laico para dar um falso ar de liberdade, na verdade é uma oposição aos objetos sagrados. Ora, um ateu por mais que não creia na Bíblia, o que garante que a Bíblia deixe de ser sagrada? Por que na fé cristã, é Deus quem autentica a Bíblia, e para o ateu (ou de outra fé) quem desqualifica é o próprio homem.
    Ao Coisa Ruim, espero em sinceridade, ver novos artigos teus aqui. Já lia antes de teu banimento. Ardil demônio, deixa Mefisto (Marvel) no chinelo, rsrsrs.

  6. Herbert Burns
    12 de março de 2012 at 22:26

    Acredito que tudo isso não passa de uma cortina de Fumaça do Judiciário para desviar a atenção da mídia e da população para não perceber outras coisas mais sérias e constrangedoras! O judiciário nacional, passa como uma ilha num mar de corrupção que é o nosso Estado. Ao se falar em corrupção vem logo a nossa mente Policia, vereadores, deputados, senadores, governadores, ministros, por tudo passa a corrupção, menos no judiciário?! E quando se fala em cadeia tem-se se idéia de que é o local correto e justo para se colocar nossos bandidos, como se os filmes retratassem com fidelidade as cadeias nacionais (mas que não passam de locais de barganha e corrupção! Os tribunais lavam dinheiro quando seus clientes criminosos pagam suas custas e seus advogados, com dinheiro sujo! ). Ora vem aí a mudança no código Penal e a presença marcante do CNJ que deveria se estender também sobre os desembargadores e promotoria pública. Mas fica difícil a discursão ao ver pessoas que entendem que uma imagem num tribunal é para adoração! (essa foi de doer!!!) Agora será que eles continuarão a usar expressões em latim que são oriundas do catolicismo? Afinal Dura Lex semper Lex!

  7. Marleixo
    12 de março de 2012 at 20:50

    Não estou aqui para incitar a raiva de ninguém e nem oara defender… Somente gostaria de argumentar.
    Sou carioca e não conheço os monumentos citados, mas as obras pagâs mencionadas me oarecem obras de arte… O que manteria elas de fora do se refere a remoção das imagens de adoração que normalmente são encontradas em repartições públicas de modo geral no Brasil. Ter um santinho em um tribunal por exemplo pode ser tão religioso e possivelmente ofensivo para alguns quanto fazer o cara jurar com a mão direita sobre a Bíblia…. (e tão útil quanto…)
    Acredito que se houvesse uma madonna de Michelangelo em qualquer lugar da cidade ninguém iria reclamar, independente de ser uma obra religiosa…
    Acredito que o maior problrma aqui é que muito provavelmente a ideia da remoção tenha sido também religiosa, possivelmente evangélica (me perdoe se não for… mas normalmente é… é uma questão de estatistica…) e por isso esteja causando mais revolta…
    De qualquer forma concordo com a remoção, remoção das imagens com intuito de adoração, não das obras de arte…

    • David Gravatá (estudante)
      13 de março de 2012 at 00:47

      Opa! Opa! No entendi a argumentaçao. Caro Marleixo, vc afirma que crutcifixos em tribunais, repartiçoes públicas, escolas e etc. são objeto de adoração? Ou objetos que remetem ao Sagrado? Exemplo, sendo nossa nação de maioria de confissão católica, um objeto do crucificado não lembraria a estes no tribunal, o verdadeiro Justo Juiz, nas escolas, o mestre dos mestres, nos hospitais, o médico dos médicos, no gabinete da presidência da república, que é o Rei dos reis???? Na sagacidade demoníaca do Coisa Ruim, de forma debochada e extremamente inteligente, cobra que seja cumprida a lei como foi aprovada. Ora, quem é vc para afirmar que alguém não se ajoelharia e adorasse uma estátua de Ceres? Por um acaso vc vai viver aqui para sempre? Outra coisa, na cidade do Rio de Janeiro, o ponto de turismo e cartão postal Cristo Redentor também é Santuário, mas vai que… esta lei do estado laico se estenda para os outros estados, e ao pé da letra, se queiram derrubar um patrimônio da humanidade, porque é a aparência do Emanuel? Ainda bem que eu não sou juiz…

    • 13 de março de 2012 at 10:46

      Alguns, pontos…

      As imagens, seja num tribunal ou em uma igreja não são para adoração.

      As imagens, seja de Cristo, de um Santo, de deres ou hermes, a madona ou outra qualquer são sim obras de arte.

      Obras de arte religiosa ainda por cima, pois retratam os deuses de uma cultura antiga, Jesus Cristo e seus discipulos, etc…

      Se não se pode uma obra de arte religiosa Cristã, não deveria poder uma obra de arte budista, xintoista, islâmica, judaica, grega, indigena, etc.

      Acontece que nos ultimos tempos, creio eu que por inercia de nós Católicos em defender a nossa fé, e por um relativismo, o Cristianismo passou a ser perseguido, e tudo é motivo para atacarem a nossa fé (um martírio pisicológico). Ou nos portamos como verdadeiros Cristãos, como os primeiros Cristãos fizeram, e defendemos a nossa fé – até o martírio físico se preciso – ou não seremos dignos de entrar na casa do Pai.

  8. Natália Oliveira
    12 de março de 2012 at 00:29

    Muito bom texto!

    Adorei o “Emanuel e seus amigos”. Hahahahahaha.

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