Bonum Legere – J. R. R. Tolkien / Biografia – Valores Cristãos (1.3)

Comentário inicial: Amigos! Críticos desqualificam muitas vezes os católicos por tentarem cristianizar as obras de Tolkien. O próprio Tolkien não negou a influência religiosa nas suas obras. Fato é fato, Tolkien era assumidamente católico. A grandeza de sua obra e as reflexões em torno dos vícios e virtudes de seus personagens motivam-nos a refletir um pouco mais em como estamos nos comportando como seres humanos. As sete virtudes ensinadas pela doutrina católica são encontradas sem dificuldades em toda sua obra. Posso até me equivocar (se estiver me corrijam), mas as quatro cardeais, ou seja, as que orientam o relacionamento humano: Prudência, Justiça, Temperança e Fortaleza, permeiam todas as obras, todavia, nas viagens de Bilbo e Frodo em “O Hobbit” e “O Senhor dos Anéis”, percebemos claramente a importância também das teologais: Fé, Esperança e Caridade.

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J. R. R. Tolkien – Valores Cristãos

Como falado anteriormente, sua mãe Mabel antes anglicana converteu-se ao catolicismo. Católica ou anglicana, sua mãe sempre presente na infância de seus filhos, passou os ensinamentos e valores cristãos à sua família. Após a morte de sua mãe, John e Ronald foram abrigados num orfanato católico sob a guarda e tutoria do Pe. Morgan.

Ao ler os livros de Tolkien respiramos os valores cristãos, que não à toa impregnaram suas páginas, afinal as sementes plantadas na infância, adolescência e juventude certamente brotaram e os frutos são seus escritos, que aos olhos de muitos são preciosíssimos.

Mas será que Tolkien queria passar em seus livros a sua religiosidade?

Bem, para responder a essa pergunta transcrevo exatamente o que o próprio Tolkien escreveu quando questionado acerca da religiosidade dos livros de “O Senhor dos Anéis”:

O Senhor dos Anéis obviamente é uma obra fundamentalmente religiosa e católica; inconscientemente no início, mas conscientemente na revisão. E por isso que não introduzi, ou suprimi, praticamente todas as referências a qualquer coisa como “religião”, a cultos ou práticas, no mundo imaginário. Pois o elemento religioso é absorvido na história e no simbolismo. Contudo, está expresso de modo muito desajeitado e soa mais presunçoso do que percebo. Pois, na realidade, planejei muito pouco conscientemente; e devo mormente ser grato por ter sido criado (desde que eu tinha oito anos) em uma Fé que me nutriu e ensinou todo o pouco que sei; e isso devo à minha mãe, que se apegou à sua religião e morreu jovem, em grande parte devido às dificuldades da pobreza resultante de tal ato”.(Carta 142, 02 de dezembro de 1954, As Cartas de J.R.R.Tolkien, ed. arteeletra, curitiba, 2006).

Posteriormente, Tolkien confirma que não havia itenção da obra ser um tratado religioso, ou moral etc., mas também não nega as bases religiosas.

“De qualquer forma, para mim ele [O Senhor dos Anéis] é em grande parte um ensaio sobre ‘estética linquística’ […] Ela não é ‘sobre’ coisa alguma além de si mesma. Certamente ela não possui intenções alegóricas, gerais, particulares ou tópicas, morais, religiosas ou políticas. A única crítica que me aborreceu foi a de que ela ‘não contém religião’ (e ‘nem Mulheres’, mas isso não importa e não é verdade, de qualquer maneira). É um mundo monoteísta de ‘teologia natural’. (Carpenter, Tolkien, 2006, p.211)

Há ainda outras cartas e conversas onde Tolkien confirma a religiosidade de suas obras. Mas e a Igreja, o que ela diz?

Os livros “O Senhor dos Anéis” de Tolkien são retratados com sendo de inspiração Católica em um artigo do L’Osservatore Romano de 2003. O artigo cita inclusive que são como “ecos evangélicos” ou ainda “como uma projeção do mundo real, onde os homens são agitados por paixões, impulsionado por sentimentos, escravos do egoísmo, mas aberto aos valores de amizade, amor generosidade, lealdade – mais forte do que a vontade de poder que assola a humanidade”, e que a obra tolkieniana pode ser vista como “uma espécie de teologia”, pois “Quando a fé inspira um do pensamento e da vida, não há necessidade de chamar a atenção para ela, ela brilha através de tudo.”

O Papa Francisco, vejam só, em 2008 quando Cardeal na Argentina, citou a obra de Tolkien em uma homilia:

“Na literatura contemporanea Tolkien retrata em Bilbo e Frodo a imagem do homem que é chamado a caminhar e seus heróis conhecer e aplicar, apenas andando, o drama da escolha “entre o bem e o mal”. (…) “O homem no caminho tem dentro de si a dimensão da esperança: aprofunda-se na esperança. Em toda a mitologia e nessa história ressoa o eco do fato de que o homem é um ser ainda cansado, mas é chamado ao caminho, e se não entrar nesta dimensão desaparece como pessoa e se corrompe”.  Mensaje a las comunidades educativas –   Mensaje del cardenal Jorge Mario Bergoglio, arzobispo de Buenos Aires, a las Comunidades Educativas (23 de abril de 2008)

Alguns livros publicados no Brasil analisam a ligação religiosa dos livros de Tolkien, são eles: “Encontrando Deus em O senhor dos Anéis”, “Encontrando Deus em O Hobbit”, ambos de autoria de Jim Ware, e ainda, o livro “O Senhor dos Anéis e a Bíblia” de autoria de Mark Eddy Smith. Há ainda os livros do jurista Ives Gandra da Silva Martins Filho, “Ética e Ficção – De Aristóteles a Tolkien”, que inclusive analisa C.S.Lewis e G.K.Chesterton.

Mas para confirmar tudo que escrevi, compartilho vídeos do Padre Paulo Ricardo, que pode dar uma ajudinha, ou uma aula completa sobre Tolkien, aproveitem!

Continua(…) – Bonum Legere – J. R. R. Tolkien / A Folha de Niggle (Leaf by Niggle) (1.4)

Cláudio Santos

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