Alfabeto do Amor – Bondade

Há dois anos atrás tentamos empreender um projeto de fazer reflexões sobre a família e o matrimonio cristão inspiradas nas ideias do livreto: “L´Alfabeto del Amore”, conforme expliquei aqui (http://humanitatis.net/blogs/conversa-em-familia/alfabeto-do-amor-inicio).

Por diversos motivos acabei não dando continuidade às reflexões, porém já faz algum tempo que venho desejando retomar de onde parei com intuito de fortalecer não apenas a minha família, mas poder ajudar outras a resgatar valores que podem ter se perdido por conta da rotina, da mesmice, do esfriamento ou ainda por falta de uma formação adequada.

Eis que recomeço hoje e espero que você me acompanhe nesta jornada com uma vontade sincera de ser melhor por Deus e para os seus!

Hoje falaremos sobre a Bondade. E o que é ser bom no âmbito familiar? É apenas se esquivar de não fazer nenhum mal ao nosso cônjuge e filhos ou passa também pelo esforço de não se omitir quando pode sair de si e fazer um pouco mais pelo outro?

São Paulo nos alerta sobre a luta do homem para fazer o bem: “Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero.” (Rm, 7, 19)

No ambiente familiar, a luta não é diferente. Muitas vezes deixamos de fazer o bem que sabemos ser o melhor em virtude das nossas fraquezas, pois com frequência esquecemos de nos empenhar verdadeiramente para sermos bons com aqueles a quem devemos o nosso cuidado.

No dia a dia, a bondade passa pela a atenção delicada que o marido dá a esposa quando ela começa a lhe contar sobre problemas em seu ambiente de trabalho ou no cuidado diário com os filhos enquanto ele esteve fora; passa pela esposa que se preocupa em agradar o marido, surpreendendo-o com carinho e um tempo exclusivamente dedicado a ele, após um dia esgotante de afazeres domésticos e profissionais; e ainda pelo bem que podemos fazer aos nossos filhos quando gastamos um tempo brincando ou lendo para eles como forma de estarmos mais próximos, já que com a rotina estabelecida nos grandes centros, o tempo em família é cada vez mais escasso.

Poderíamos dizer que ser bom é um dever do cristão e o primeiro lugar em que a bondade deve ser exercitada é no lar. Porém prefiro ver além das prescrições e, sob a ótica da liberdade, acreditar que viver a bondade é acima de tudo uma escolha que torna melhor a vida de quem a pratica.

Num lar em que todos buscam ser bons uns com os outros, a conquista do domínio próprio se torna mais acessível e, consequentemente, enfraquece as raízes do egoísmo em nossas atitudes.

Quer ver? No momento em que me venço para ser boa com o meu marido, tendo um olhar mais misericordioso diante de suas faltas e tentando compreender suas dificuldades, consigo quebrar as correntes do meu egoísmo, que insiste em ver apenas uma face das coisas como, por exemplo, a ideia de que “ele precisa mudar em determinado comportamento”, sem perceber que mudança dele pode começar a aparecer quando ele notar o meu empenho em ajudá-lo ao invés de simplesmente cobrá-lo.

Sim, é um ato de bondade nos esforçarmos para ajudar o nosso cônjuge a vencer os seus vícios! Infelizmente, o instinto maternal e paternal muitas vezes só consegue enxergar a necessidade de ajudar aos filhos, já que é nosso o compromisso de formá-los e educá-los, porém, na verdade, o primeiro ser que deveríamos nos empenhar para ajudar é aquele que escolhemos para estar ao nosso lado todos os dias de nossas vidas! E essa é uma verdade que se esquece facilmente.

Por outro lado, não há nenhum ser essencialmente mal, já que fomos criados por Deus e tudo o que Ele faz é bom (Gn 1,31). Assim, todo mundo pode ser bom desde que tenha vontade de assumir essa virtude como um objetivo a ser perseguido para além de simplesmente dar uma esmola aqui ou pagar corretamente um imposto acolá. Essas são atitudes boas que não deveriam ser exaltadas, já que constituem obrigações de qualquer pessoa para o bom convívio social.

Ser bom de verdade passa por começar a viver essa bondade dentro da nossa casa, cuidando melhor das relações entre marido e mulher, com os filhos, parentes e amigos.

E no que podemos exercitar a bondade hoje?! O que ainda é uma fraqueza minha e percebo que não é uma atitude boa perante meu cônjuge, filhos, pais, etc?

Vejamos sinceramente uma atitude concreta para mudar HOJE e façamos um propósito de ser fiel a nossa própria palavra.

Já pensou na sua? Então vamos à ação!

Até a próxima!

ps: Segue para inspirar na reflexão sobre a bondade, a canção Todo homem é bom – Pe. Fabio de Melo.

 

 

 

 

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