A Mentalidade Contraceptiva, de onde vem?

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Faz um tempo, amigos do “Conversa em Família” postaram um ótimo texto sobre o método Billings (ver aqui).

Há muitas dúvidas e preconceitos relacionados não só a este método, mas como aos outros métodos naturais de regulação da natalidade. É importante dizer que são métodos científicos, naturais, não invasivos e que são eficazes.

Na apresentação do Blog HV chamamos atenção para um “cisma” entre o pensamento da Igreja e o da Sociedade em geral na temática ligada à moral sexual.

Sempre que este tema é tocado, seja refletindo sobre a castidade, virgindade, concepção, camisinha, homossexualismo, fidelidade etc, sentimos que o debate ferve o caldeirão dos argumentos, e como uma panela de pressão, os debatedores no clímax da discussão inclinam-se quase sempre às ofensas levianas e conclusões superficiais.

Para não nos perdemos na complexidade do tema, iniciaremos nossa reflexão pela sua historicidade.

Nesta postagem trataremos sobre a nova mentalidade contraceptiva. De onde ela vem?

Michel Séguim em seu livro “A Contracepção e a Igreja” inicia a reflexão do assunto fazendo um apanhado histórico sobre as principais invenções da humanidade, tais como: o domínio do fogo, a invenção da roda, da imprensa, da descoberta da penicilina, dos semicondutores etc.
É fato que estes momentos, revolucionaram não só a forma de vida e a organização da sociedade, assim como o psicológico e a maneira de se relacionar com o próximo.

Mas então surge a pergunta, e dos métodos contraceptíveis???

A intenção de separar a procriação da relação sexual permeou a história da humanidade. Segue como ilustração alguns marcos da contracepção:

– 1900 a 1100 a.C –Papiros egípcios com receitas anticoncepcionais;
– IV séc. a.C –A História dos Animais, de Aristóteles
– 1º Século d.C –A ginecologia de Soramosde Éfesos
– Séc. IX –O cânon da medicina, de Avicena
– Metade do séc. XVII –A invenção da camisa de vênus (em 1843 a descoberta da vulcanização do látex)
– 1880: Invenção do diafragma por WilhenlmMensiga
– 1928: Invenção do DIU por Ernest Grafenberg
– Década de 1920: Método “ogino-knaus”
– 1958: início da pílula por Gregory Picus

As mudanças sócio-culturais introduzidas ao longo da história ao invés de cooperarem, induziram os casais para um rumo de vida despersonalizante. É fato, o indivíduo se vê cada vez menos reconhecido, está cada vez mais perdido no anonimato do trabalho e das cidades.

Com efeito, dentro deste panorama o homem e a mulher buscam algo humanamente mais satisfatório, uma realidade que preencha as suas necessidades, um espaço onde se sintam verdadeiramente reconhecidos e valorizados por si mesmos.

A história moderna caracteriza-se por uma profunda sede de liberdade, no século das luzes através do Renascimento e da Revolução Francesa o apelo à liberdade começou a ecoar com toda a força. Uma simples equação matemática expressa exatamente este pensamento:

Liberdade interior
=
liberdade de pensamento + liberdade de ação + liberdade religiosa + liberdade moral

A partir deste momento a sede de liberdade atinge seu ápice. Alguns estudiosos afirmam que no Século XX foram consolidadas as maiores marcas na visão nova do mundo e da Sexualidade. Neste século o homem se torna cada vez mais consciente de sua grandeza, de sua força e de sua autonomia em face ao mundo que o cerca, não está longe o momento em que passará a considerar que a “lei natural” sobre a qual a Igreja Católica fundamenta grande parte da sua moral está marcada por um mofo de obscurantismo. A sexualidade podia oferecer mais facilmente a cada um o lugar deste encontro gratificante, desde que ela não provocasse demasiadas complicações!

No final do século IX e início do século XX aparecem os novos “Profetas” que influenciariam enormemente os pensamentos da nova sociedade, destaco aqui três que claramente marcaram território na humanidade neste período.

Sigmund Freud crê que a “civilização” e a “felicidade” são incompatíveis para uma boa razão, que a civilização e o progresso se baseiam no trabalho e na repressão dos instintos, na submissão do erotismo. WilhelmReich e Herbert Marcuse, na mesma linha, exaltam a necessidade de uma revolução sexual para devolver finalmente o homem a si mesmo, suprimindo aquilo que reprime os seus instintos.

Outro fato preponderante para o novo pensamento é a influência midiática. A mídia atravessa a barreira entre o privado e público, a televisão passa a oferecer na sala de estar aquilo que se faz no quarto de dormir. A sociedade deseja avidamente o desaparecimento dos “tabus” que cercavam a sexualidade, a contracepção começa a ser bem-vinda por muitos.

Diversos livros dizem que no Século XX chega-se ao auge da sede de liberdade e autonomia, porém o que vemos é que a industrialização e as novas tecnologias não trazem verdadeiramente a liberdade almejada, o indivíduo não tem real controle no plano social, político, ecônomico, cultural, intelectual etc.

O homem está perdido, e vê na intimidade sexual, único domínio do homem e da mulher , ali eles exercem plenamente sua autonomia.

A transgressão sexual da década de 60 expressa o primado da pessoa sobre a técnica, encontra-se liberdade sobre o controle social. O festival de Woodstock torna-se símbolo do movimento drogras, sexo e rock-and-roll; Mas ainda há algo preponderante, a revolução sexual não seria possível sem a “contracepção eficaz” que acabava de ser descoberta: A pílula!

Reflitam e comentem. Não terminamos por aqui, mais em breve.

A Paz!

Sancte Michael Archangele, defende nos in prælio. Amen.


[1] Baseado na Bibliografia:

A CONTRACEPÇÃO E A IGREJA: BALANÇO E PERPECTIVA. MICHEL SEGUIN. São Paulo: Paulinas, 1997.

Cláudio Santos

3 comments for “A Mentalidade Contraceptiva, de onde vem?

  1. Robson Oliveira
    20 de dezembro de 2010 at 20:49

    O homem está perdido, e vê na intimidade sexual, único domínio do homem e da mulher, ali eles exercem plenamente sua autonomia.

    A tentação original ainda permanece: a independência de Deus. E essa inclinação estende sua influência inclusive sobre a área da sexualidade. Antes, a autonomia na ação humana é sempre relativa, nunca absoluta. É relativa ao bem que se deve fazer e não ao mal que se pode realizar. O homem que quer viver sem Deus, porém, não quer saber de tais limitações.

  2. Leandro Lopes
    20 de dezembro de 2010 at 17:37

    Muita gente contesta o valor dessa revolução sexual.
    Acreditar que nos anos 60 saímos de um mundo injusto e reprimido para a liberdade total é ridículo. O que fizemos foi mudar o jogo, antes o ato sexual e a procriação andavam juntas, agora foram separadas para dar uma “liberdade de escolha” aos envolvidos.
    Mas que liberdade é essa? Satisfação das paixões, impermeabilidade moral, assunção de riscos quanto ao corpo, permissividade, transição entre gêneros,… Estamos vendo o preço que a humanidade paga por essas supostas liberdades.

    Solidão, vazio, perversão e devassidão. Quem conhece um pouco de história e sabe qual era o espírito de Roma bem próxima da queda reconhece os sintomas de degradação.
    A regressão moral por parte dos cidadãos, que antes era incentivado ou negligenciada pelos dirigentes, leva a vida pública à um tal estado que o governo passa a tentar regular a vida dos cidadãos até nos mais íntimos assuntos. Aí já era tarde, a lei não tinha eficácia e era ignorada (essa coisa de lei que não pega vem desde então).
    Corrupção, degradação, imoralidade, violência… o espírito do homem estava envenenado e não encontrava antídoto. Teve que morrer o mundo que era conhecido para nascer um novo.

    Será que deve acontecer de novo? Se sim preparemo-nos, pois a história ensina que o que fica é a Igreja, para salvar e direcionar a humanidade com o seu norte moral e o testemunho de muitos santos.

    • Luciana
      21 de dezembro de 2010 at 10:26

      Leandro,
      compartilho de suas idéias. O grande problema da humanidade é ter o conceito distorcido de liberdade. Entende-se erroneamente que liberdade é fazer tudo o que quer, a hora que quer, sem limites ou “repressões”. Não se percebe que assim, a humanidade se torna escrava de suas vontades, de seus instintos. Somos seres racionais, que pensamos! Ser livre é ser inteligente e pensar em todas as consequências de nossos atos, na nossa natureza, e escolher o que é melhor para nós, que não vai contra o que somos como seres humanos livres. Mas isso é muito difícil para as pessoas entenderem, aceitarem que, como homens e mulheres livres, podemos escolher não seguir a nossa vontade, mas a vontade de Deus.

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