Cartas a Maria – jan/14 – Sobre as felicitações

Cartas-de-amor-para-mi-esposoDe um Pai
Av. Paternal, 33
201401-01

Ao seu(sua)
amado(a) filho(a),
Rua do Infante, 00

Cidadela da Família, 01 de janeiro de 2014.

Assunto: Sobre as felicitações

Meu(minha) e muito amado(a) filho(a):

Um dia verás a particularidade do mês de dezembro. Neste mês comemora-se uma das grandes festas anuais, as famílias se reúnem em torno da mesa, partilham a ceia preparada com carinho, grupos ou pessoas em particular se dedicam às ações de caridade. É o mês do Natal, mês da reflexão sobre o ano, novas esperanças surgem.

O Bem-Aventurado Cardeal Newman uma vez proclamou na homilia natalina:

“Hoje, humildade e alegria são as duas principais lições que nos são ensinadas na grande festa que celebramos. Entre todos os outros dias, hoje está mais claramente diante de nós uma excelência celestial. O olhar de Deus aceita a alegria pela qual a maioria dos homens aloca, ou poderia alocar, às suas humildes vidas privadas.”

Afirmo, e nunca se esqueça, que este foi teu primeiro Natal! E foi neste mês que se iniciaram as felicitações pela tua vinda. Celebramos e anunciamos tua vinda em uma reunião da novena de natal, na casa de teus avós maternos. As felicitações iniciaram juntamente com o advento de Jesus, teu advento tem um marco cristão, a humildade das nossas vidas privadas foram inebriadas pela alegria da festa natalina, e obviamente pela tua vinda, o olhar de Deus se voltou com maior complacência para conosco.

Lembramos de você na oração natalina. O ventre da tua mãe certamente foi abençoado pelo menino Jesus que, assim como fez na visitação à sua Tia Isabel, outra vez abençoou um nascituro. Naquela oportunidade João Batista foi tocado, e vibrou no ventre de sua mãe, Isabel. Não sentimos tua vibração, você está somente no primeiro mês gestacional, todavia aos olhos da razão, sabemos que teu coração já vibra, o vimos batendo no exame de ultrassonografia, e aos olhos da fé, sabemos que teu coração disparou ao receber Jesus neste teu primeiro Natal, a alegria natalina pôde inflamar tua alma.

Estávamos todos reunidos, teus pais, teus irmãos, teus avós, tios, e primos, até tua bisavó. Rezamos, e meditamos a palavra de Jesus. Unidos sabemos da beleza de se celebrar a encarnação divina, pois é na humanidade de Jesus que recebemos o dom precioso de sermos filhos adotivos de Deus, esta filiação divina nos torna portadores de uma herança especial, aquela que Jesus anunciou com grandiosa alegria, “na casa de meu Pai há diversas moradas”.

O Natal querido filho, é dia de olhar para o próximo com maior intensidade, e ver nele o próprio Cristo. Como disse Frei Tomás de Kempis em “A Imitação de Cristo”: “Não julgues ter feito progresso algum, enquanto te não reconheças inferior a todos”.

Humildade, este é o caminho revelado na Boa Nova natalina, a alegria é embalada neste manto belo, que não aprisiona o ser, mas o coloca no devido lugar. Este manto chamado humildade, nos conduz de volta ao “ethos” cristão, a sentir o cheiro da onde viemos, eis a “Democracia dos Mortos” conclamada por Chesterton em Ortodoxia.

Com a humildade (que é o antídoto do orgulho e da soberba, tão disseminadas na nossa era) voltamos os olhares para a tradição dos primeiros cristãos, rejeitamos toda espécie de ideologia, e voltamos a sentir o solo sob nossos pés, no “húmus” da práxis diária elevamos nosso olhar para Aquele que habita o coração dos mais necessitados, a quem devemos nos prostrar e elevar.

Aproveitando o período, e a imponente figura de São João Batista, trago-te o ensinamento do Beato Guerric d’Igny:

“O que dá grandeza a João Batista, aquilo que o fez grande entre os grandes, foi ter levado ao extremo as suas virtudes […], a estas acrescentando a maior de todas, a humildade. Enquanto todos o consideravam o mais importante de todos, ele, espontaneamente e com o desvelo do amor, colocou acima de si Aquele que é o mais humilde de todos, e de tal maneira O colocou acima de si que se declarou indigno de Lhe descalçar as sandálias”.

Começaram as felicitações, e junto a elas minha oração para que busque sempre a humildade, uma das chaves que abre a porta dos céus, com esta chave abrirás teu coração e reconhecerá que Cristo é o caminho, e o prêmio do Céu é o que mais desejo a ti e aos teus irmãos. Estenda sempre a tua mão, caleje-a para ser generosa, aberta a caridade, cubra-se com o manto natalino, tecido pela humildade, e alegria em servir.

Até a próxima…

Sancte Michael Archangele, defende nos in prælio. Amen.

Anterior: http://humanitatis.net/blogs/humanae-vitae/cartas-a-maria-dez13

Nota: Se quiser saber o porquê destas cartas, leia:  http://humanitatis.net/blogs/humanae-vitae/cartas-a-maria-jul14

Cláudio Santos

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