Padre Pro – Um Mártir de nossos tempos

Dos mártires daqueles dias, nenhum chamou tanto a atenção do público no México e no resto do mundo como o Jesuíta Miguel Agustín Pro. Pro foi morto por um pelotão de fuzilamento em frente das câmeras dos jornais que o governo trouxera para gravar o que esperava ser o constrangedor espetáculo de um padre implorando por misericórdia. Foi uma das primeiras tentativas modernas de usar a mídia para a manipulação da opinião pública com propósitos anti-religiosos. Mas, ao invés de vacilar, Pro demonstrou grande dignidade, pedindo apenas a permissão de rezar antes de morrer. Após alguns minutos de prece, levantou-se, ergueu seus braços em forma de cruz – uma tradicional posição de oração mexicana – e, com voz firme, nem desafiante, nem desesperada, entoou de forma comovente palavras que desde então se tornaram famosas: ‘Viva Cristo Rey‘.” (permanencia.org.br)

Não poderíamos encerrar o mês de setembro sem falar de um católico exemplar, bom filho, bom pastor, fiel ao evangelho, mártir e beato da Igreja há exatos 25 anos atrás (Miguel Agustín Pro foi beatificado pelo Papa João Paulo II na manhã do dia 25 de Setembro de 1988).

Infelizmente poucos o conhecem, e pior, poucos conhecem a história dos cristeros mexicanos (ver aqui).

De personalidade cativante, dono de si, e piedoso, Padre Pro destacou-se entre os personagens do movimento dos Cristeros, de resistência ao regime socialista que se instaurava no México em 1926.

Abaixo um dado biográfico retirado do site: catholicism.org

Padre Pro se encontra com os socialistas – Década de 20 do século XX

Um incidente divertido, muito descritivo do caráter de Padre Pro, foi o relato de seu encontro com um grupo de socialistas, enquanto viaja de trem pela Bélgica. O grupo radical ocupava um vagão especial no trem, mas isso não impediu o jovem sacerdote de entrar no vagão deles – para surpresa geral! Completamente desinibido, Pe. Miguel sentou-se e começou a fazer perguntas inócuas ao companheiro sentado ao seu lado.

Estes inquéritos foram interpelados de forma fria e bastante ríspida: “Mas, Monsieur l’ Abbe, somos todos socialistas”.

“Mas eu vou com prazer viajar com você”, respondeu Padre Pro, “pois eu também sou um socialista”. Os trabalhadores foram surpreendidos.

“Sim, senhores “, continuou o padre mexicano no melhor francês que conseguiu reunir: “Eu sou um socialista, mas não como vocês, que não sabem o que a palavra significa. Qual de vocês pode me dizer o que exatamente é um socialista?”

Deram-lhe várias respostas. Um deles corajosamente afirmou que um socialista foi um dos que quiseram tirar dinheiro dos ricos.

“Então você são ladrões?”, perguntou o padre , sorrindo. “Se assim for, diga-me, para que eu possa sair do trem.”

Eles riram. Um deles perguntou se o visitante não tinham medo deles.

“Medo de você?”, exclamou o convidado incomum. “Você não sabe que eu carrego uma arma melhor do que um revólver?”

“Mostre-nos, você, padre-socialista”, disseram eles.

Tirando um crucifixo, o bom padre mostrou a seus companheiros e explicou: “Sabe, meus amigos, que vocês todos juntos não podem fazer nada a mim, a não ser que este Senhor queira ou permita. Com Ele a meu lado tenho medo de nada, e eu tenho certeza que eu lhes causo mais medo do que vocês a mim”.

Os operários ficaram sérios. Um deles descobriu sua cabeça. Então, alguém perguntou : “E o que você acha dos comunistas?”

“Eu acho que eles, como os socialistas, estão iludidos.”

“Mas nós também somos comunistas!”

“Tanto melhor para mim, pois agora é uma hora, e eu não tenho nada para comer. Ou seja, eu também sou comunista, e eu posso ter um banquete com a refeição que vocês estão carregando.”

Os comunistas gargalharam. A essa altura, eles haviam chegado ao seu destino, e deram ao jovem padre estrangeiro um caloroso adeus, mas antes que o trem começasse a andar de novo, um deles voltou com um saco de chocolates para o visitante que tão deliciosamente os comeu. Embora não saibamos o quão profundamente suas palavras penetraram nos corações daqueles radicais, fato foi que vários deles tiraram o chapéu diante daquele apóstolo despretensioso que continuou a segurar o crucifixo diante de seus olhos.

Este foi um dentre vários acontecimentos marcantes na vida, ainda que curta, deste grande e jovem padre. Sua história se tornou filme (aqui), seu personagem foi um dentre os vários que compuseram a narrativa de outro filme (aqui). E por que estas histórias não se difundem? Todos sabemos, ou não?

Padre Pro retornou ao México justamente no período do governo do presidente Plutarco Elias Calles, o “Nero do México” em meados de 1926. Antes de sua chegada cerca de 160 padres já haviam sido fuzilados e outros vários presos. Como relatado por um biógrafo jesuíta:

“… toda ordem religiosa foi dissolvida. Todas as escolas católicas, secularizadas, o que significa que, na realidade, tornaram-se ateístas; nelas, nenhuma menção a Deus era tolerada. Crucifixos foram arrancados das paredes e as estátuas, destruídas. Em seguida, para eliminar toda “propaganda Católica” (…)

Para que entendam a importância deste homem, beato, tomo emprestado a ótima sequência de fotos organizada pelo site permanencia.org.br. Cabe lembrar, como dito acima, que as fotos só existem porque o governo mexicano chamou a imprensa, acreditando que Padre Pro negaria a Cristo e pediria misericórdia aos comunistas. Ao contrário como podem ver abaixo, Padre Pro foi fiel até o fim, causando desespero aos políticos da época a ponto de confiscarem todas as fotos tiradas (algumas das que restaram retratam bem o ocorrido).

FOTOS DE UM MÁRTIR

Figura 1: Foto do Pe. Pro tirada pouco antes de sua morte.
“Esta foto, tirada já no cárcere em novembro de 1927, às vésperas de seu fuzilamento, mostra Pro em trajes civis. Conforme a ultrajante legislação da época, não era lícito a um padre o uso da batina em público”.
Figura 2: Pro caminha para o fuzilamento.
“Condenado ao fuzilamento sem nem sequer se ter beneficiado de um julgamento, Pro caminha para a morte certa portando apenas um crucifixo e um rosário”.
Figura 3: Pro faz um último pedido.
“Pro pede para rezar. Enquanto o esquadrão de fuzilamento aguarda, Pro ajoelha-se, beija um crucifixo e reza”.
Figura 4: “Tende misericórdia deles!”.
“Estendendo os braços em cruz, reza por seus algozes: ”Dios mío, ten misericordia de ellos. Dios mío, bendícelos. Señor, tu sabes que soy inocente. Con todo mi corazón perdono a mis enemigos” [Deus meu, tende misericórdia deles. Deus meu, abençoai-lhes. Senhor, tu sabes que sou inocente. Com todo meu coração perdôo a meus inimigos].
Figura 5: “Viva Cristo Rey!”.
“O pelotão dispara. Ouve-se ainda as últimas palavras de Pro, firmes, devotas, “Viva Cristo Rei!”. Eis o brado dos cristeros. Futuramente, o exército callista cortaria a língua dos mártires para que, ao morrer, não confessassem Cristo”.
Figura 6: O tiro de misericórdia.
“Pro cai, mas não morre. Um soldado aproxima-se e dá o último tiro”. Podemos dizer por Padre Pro: “Muero, pero Dios no muere!” [Morro, mas Deus não morre!]
Figura 7: Pro Mártir.
“Não muito antes, um amigo, o engenheiro Jorge Núñez Prida, havia-lhe perguntado o que faria se fosse sentenciado à morte. Respondeu-lhe o bravo padre que três coisas haveria de fazer. Em primeiro lugar, ajoelhar-se-ia fazendo um ato de contrição; em segundo, ergueria os braços em cruz para receber os tiros; em terceiro gritaria “Viva Cristo Rei!”. Com a graça de Deus, cumpriu tudo quanto dissera”.
Figura 8: O Funeral.
“Apesar do risco que corriam, muitos afluíram a ver o funeral aos gritos de “Viva Cristo Rei”. Eis toda a coragem e piedade dos católicos mexicanos”.
Sancte Michael Archangele, defende nos in prælio. Amen.
Cláudio Santos

1 comment for “Padre Pro – Um Mártir de nossos tempos

  1. leandro
    29 de julho de 2017 at 10:24

    Disse Jesus: aquele que crer em mim ainda que esteja morto viverá e todo aquele que vive e crer em mim não morrerá para sempre. portanto padre Miguel Pro está vivo!!! Viva Cristo Rei!!!!!!

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