Quantos “Eu te amo” poderiam ter sido ditos em um minuto?

Izabela Azevedo do Nascimento, advogada, mãe, membro da UJUCARJ – União de Juristas Católicos do Rio de Janeiro.

(É com muito pesar que escrevo este artigo e peço que o leiam com atenção, porque esta vida que se foi não passou por nós de forma aleatória, precisamos de um despertar antes que seja tarde demais.)

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Para os que não sabem, no último dia 13 de março de 2012 os desembargadores da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, por unanimidade, autorizaram o aborto de um bebê com seis meses de gestação portador de uma doença chamada anencefalia.[1]

O aborto sempre foi um divisor de opiniões, algumas pessoas, ou por falta de esclarecimento, ou pura crueldade ainda continuam a repetir que o ato de matar um ser humano indefeso no ventre de sua mãe deve ser reivindicado como um direito. Tremenda falácia, esta, que está a sonegar a um ser humano o primeiro e principal direito que é ínsito à sua condição de ser humano, O DIREITO DE VIVER.

O aborto, pode-se dizer é a maior e mais cruel violência pela qual um ser humano pode vir a sofrer. Os meios para a sua prática são ardilosos, horrentos, pois objetivam esfacelar, dilacerar, queimar, asfixiar, esquartejar um ser humano que no ventre materno de sua mãe espera apenas por carinho, afago, cumplicidade e amor.

Além disso deve-se ressaltar que extirpar o direito à vida do bebê, impede a mãe de viver com plenitude a sua maternidade, amando o seu bebê esteja ele em qualquer condição, sadio ou acometido por alguma doença.

A anencefalia[2] está longe de ser uma doença pouco grave, no entanto, é por mais este motivo que tanto a gestante quanto o bebê merecem maior amor, atenção com os devidos cuidados psicológicos, médicos e espirituais.

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Nós, seres humanos “sadios” não temos o direito de impedir que os doentes não tenham o direito de nascer e viver até quando seu organismo aguentar. Pensar assim é definitivamente se filiar à escola de Adolf Hitler, onde o eugenismo e o utilitarismo eram princípios levados à risca.

 Em nenhuma hipótese posso reivindicar a morte de alguém como direito, este é o pressuposto básico para a harmonia e a paz na sociedade, caso contrário viveríamos numa tremenda Babel, onde as pessoas se relacionariam como selvagens e não como seres humanos racionais.

Ao olhar a mulher gestante não se pode ignorar a presença real do bebê que está em formação no seu ventre, tanto a dignidade de sua mãe quanto a dignidade do bebê como pessoa devem ser preservadas de toda e qualquer violência.

Ser contrário ao aborto já é um começo para promover a vida, mas é preciso fazer algo, e neste campo aproveito para divulgar o maravilhoso trabalho das Ongs “Brasil pela Vida”[3], “ Brasil sem aborto”[4]e dos grupos próvida de todo o país[5]. Destaco, em particular o “Instituto Juventude pela Vida”[6] e a “Associação Nacional Mulheres pela vida”, esta,  capitaneada pela Doris Hipólito situa-se no Rio de Janeiro e tem como objetivo acolher mulheres grávidas que optaram por levar a sua  gravidez até o final.

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É isto, não basta dizer não ao aborto, somos chamados a acolher, incentivar e trabalhar para que a opção aborto não seja querida pela mãe, pela sociedade e nem pelo Estado . Acredito que a partir do momento em que a mãe perceber com clareza a grandeza do seu papel para com este ser que carrega em seu ventre ela não vai pensar em abrir mão disso.

Ademais, cumpre dizer que o aborto está longe de ser uma medida que pretende melhorar a saúde pública no país. Antes de tudo deve-se pensar que, por mais óbvio que possa parecer,  só tem saúde quem está vivo, e, além disso, a saúde da mãe que opta pelo aborto encontra-se terrivelmente comprometida, vide dados sobre a síndrome pós-aborto, como causas de suicídio, depressão e graves problemas emocionais relacionados.[7]

Mesmo em situação limítrofes, de dor e sofrimento, o ser humano é chamado a amar, amar muito, com todo o seu coração. E, neste caso, amar um bebê com anencefalia, é desafiador, mas, antes de tudo, está ínsito no papel desempenhado pela mãe, que se plenifica em amar o filho de forma  incondicional e gratuita. Nada se compara ao sentimento de papel cumprido, amei até o fim, até as últimas consequências, cumpri com a minha missão.

No mundo animal muito se fala dos instintos, mas, saibam vocês que nada é maior do que o amor que une o filhote à sua mãe. “Este laço é tão forte e abrangente que todos os outros sentimentos ficam em segundo plano, até o instinto de sobrevivência.”[8] É isso aí, na natureza, o instinto materno é superior ao tão falado instinto de sobrevivência.

No entanto, não se trata de uma situação na qual a mãe tenha que abdicar de sua vida em prol de seu filho, mas, sim de fazê-la descobrir a plenitude da sua missão como mãe, ser aquela que primeiro ama, nutre, protege e acolhe.

Não é preciso ser mãe para perceber o quão precioso é o laço que une a mãe ao seu filho, por mais breve que seja a vida ela merece ser vivida, quantos abraços, afagos, carinhos, quantos EU TE AMO poderiam ser ditos em apenas um minuto?

Amemos, acima de tudo, amemos.

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[1] Conferir no site: <http://portaltj.tjrj.jus.br/web/guest/home/-/noticias/visualizar/63501> Acesso em 14 de março de 2012.

[2] Para melhores esclarecimentos sobre a anencefalia acessar:<<http://www.anencefalos.com.br/anencefalia.html>>

[7] Para melhores esclarecimentos sobre a síndrome pós-aborto leia: << http://www.providafamilia.org.br/doc.php?doc=doc69327>>

[8] Ildos, Angela S. Filhotes/ textos de Angela Serena Ildos [tradução de Fabiano Moraes]. – Rio de Janeiro: Sextante, 2008. p.20.

8 comments for “Quantos “Eu te amo” poderiam ter sido ditos em um minuto?

  1. juliadiets.com
    14 de Abril de 2016 at 13:47

    Mesmo fora de si, eu te amo pela tua essencia. Ate pelo que voce poderia ter sido, se a mare das circunstancias nao tivesse te banhado nas aguas do equivoco.

  2. 25 de Abril de 2012 at 09:02

    Santa Gianna Bereta Molla, rogai por nós!! Ajudai-nos a viver esse amor de mãe, que dá a vida por seu filho!

  3. Karina
    17 de Março de 2012 at 23:28

    O site da Dona Joana e sua pequena grande Vitória que, a propósito, está com 26 meses: http://amadavitoriadecristo.blogspot.com.br/

  4. Karina
    17 de Março de 2012 at 23:27

    Professor Robson, permita-me apenas uma sugestão: existem tantas e tantas famílias que optaram por deixar seus filhos viverem o tempo que Deus quisesse, e existem registros tão bonitos desses momentos…

    Em posts sobre anencefalia vemos fotos de… crianças não anencéfalas.

    Tenho certeza que Dona Cacilda, Dona Joana, Dona Mônica Torres e tantas outras não se negariam a compartilhar fotos de seus pequenos anjos para a defesa da vida.

    • 18 de Março de 2012 at 00:08

      Excelente ideia, Karina. Vou procurar mais informações.

      Abração!

  5. David Gravatá (estudante)
    17 de Março de 2012 at 00:11

    Aborto, uma questão de vida ou morte.
    É tamanha a crueldade a de matar um ser humano tão indefeso.

  6. 16 de Março de 2012 at 14:54

    Atenção! Informação importante:

    Estão em andamento os trabalhos para elaboração de propostas de reforma do Código Penal brasileiro. No último dia 09 de março, a equipe de juristas responsável por este trabalho apresentou sua proposta definitiva quanto à mudança na lei, no que concerne o crime de aborto e a eutanásia. Tudo deverá ainda passar pelo Senado, que votará a favor ou não dessas propostas. A reforma do código é necessária, mas não só a Igreja, como também vários parlamentares, entende que tais temas não devem aí ser tratados, pois esbarram na opinião da sociedade brasileira, majoritariamente contrária ao aborto. Por isso, a opinião das pastorais, das associações de família, dos grupos em defesa da vida, dos grupos de juristas e de profissionais da saúde católicos pode ser manifestada no site do Senado (http://www.senado.gov.br/senado/alosenado/codigo_penal.asp), bem como diretamente aos deputados e senadores.

  7. Karina
    16 de Março de 2012 at 14:35

    Oremos pela alma dessa criança (seis meses, meu Deus, seis meses!!!), pela família que foi ludibriada acreditando ser o assassinato melhor que a morte natural, pelos médicos e pelos juristas que contribuiram para a morte de uma criança inocente.

    Enquanto isso, a Alemanha chora a morte de um coelho sem orelha (muito fofo, por sinal): http://f5.folha.uol.com.br/bichos/1062823-morte-de-coelho-sem-orelhas-causa-comocao-na-alemanha.shtml

    “No alto desse desse texto, o F5 deixa uma velinha virtual acesa para sempre, em memória de Til”… sem comentários…

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