A intolerância dos tolerantes

Um fenômeno inusitado tem aumentado o número de doutores e prêmios Nobel entre brasileiros: as “confiáveis” informações científicas de blogs socialistas e programas de televisão, unidas à “honestidade” de muitos professores, faz surgir pseudo-intelectuais aos borbotões. E eles são engraçados. Creem em aquecimento global, em cura de paralisia com células-tronco embrionária, creem até em ovnis. E ainda tem mais.

Uma das características mais curiosas dos recém-doutores do Facebook  é que eles  acreditam que possuem a exclusividade da justiça, da bondade e da sabedoria. Quando se conversa com essa gente iluminada, mesmo quando eles ainda estão no ensino médio, tem-se a nítida impressão de que se fala com o próximo Einstein. Outras, que se encontra na presença do próprio Sócrates.

Caso se discorde do discurso desses neo-doutores ou de qualquer assunto da pauta politicamente correta, a reação é diversa: 1) se há esperança na conversão do opositor para a causa “iluminada”, eles vão devagar e pegam mais leve. Acusam o opositor de ter lido pouco. Oferecem  livros (que confirmam suas teses, é claro), elogiam sua inteligência ao mesmo tempo que atribuem seu erro a um descuido involuntário. Mas se são os opositores a indicar-lhes livros e se a conversão parece duvidosa, a coisa muda. 2) se o interlocutor resiste e argumenta contra as ideias, inicia-se um ataque pessoal contra o interlocutor: conservador, retrógrado, antiquado são os adjetivos mais educados. Ignorante, vendido, hipócrita, fariseu são como tratam, em privado, os que não se dobram a seus discursos pseudo-científicos.

Quando o opositor não liga para essas críticas, e se tem argumentos fortes, começa o pior: inventam mentiras sobre o opositor em grupos fechados, atacam-lhe a honra, torna-se motivo de piadas, sempre em grupos fechados, pois para todos os efeitos, eles são tolerantes e abertos. Essa é a tolerância deles: “todos têm a liberdade de concordar com a nossa opinião”.

E a verdade? E a competência de quem escreve? Nada disso interessa. O que importa é que Dr. Wikipedia e Sr. Fantástico confirmam o que o professor de História e o vereador disseram. Afinal, todo mundo sabe, professores de história e políticos não mentem.

Política

 

1 comment for “A intolerância dos tolerantes

  1. Herbert Burns
    1 de outubro de 2015 at 19:53

    Pior que é! Numa “cartilha” universitária, foi dito que antes do iluminismo só existia o conhecimento medíocre e vulgar do senso comum, do conhecimento religioso, cheio de misticismo e o conhecimento filosófico. Perguntei então como explicar a origem do Teorema de Pitágoras, das Leis físicas de Arquimedes, do Retângulo Áureo, nas artes, da construção que grandes civilizações fizeram e que ultrapassaram o limite do seu tempo? Inclusive mesmo essas próprias civilizações? Solução encontrada: A pergunta foi para um forum e o fórum foi tirado do ar. Numa outra, foi afirmado que a vida vem de uma única célula, do mar e que necessitou de bilhões de anos para a evolução alcançar o ser humano. Pergunta: se a Terra tem 4,5 Bilhões de anos, se o seu primeiro bilhão foi inóspito à vida e a última pesquisa arqueológica conseguiu achar fósseis de seres humanos com quase 3 bilhões de anos conclui-se que a vida desta única célula teve que esperar fora da Terra até que está tornasse hospedável a vida? Agora se o conhecimento científico exige uma reprodução em laboratório, como reproduzir as coisas cujos acontecimentos duram milhões de anos? Como explicar a fé ateísta em coisas que não há prova?

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