A Voz e a Palavra

Neste fim de semana mais uma turma de leigos foi formada pelo Instituto de Formação Estrela da Evangelização. As palavras do sacerdote, Pe. Allan, acerca do papel do teólogo foram luz para todos. Ele recordava um sermão de Santo Agostinho, que vale a pena ler na íntegra. Segue parte do texto abaixo:

João era a voz, mas o Senhor, no princípio, era a Palavra (Jo 1,1). João era a voz passageira, Cristo, a Palavra eterna desde o princípio. Suprimi a palavra, o que se torna a voz? Esvaziada de sentido, é apenas um ruído. A voz sem palavras ressoa ao ouvido, mas não alimenta o coração.

[…]

A voz ressoou, cumprindo sua função, e desapareceu, como se dissesse: Esta é a minha alegria, e ela é completa (Jo 3,29). Guardemos a palavra; não percamos a palavra concebida em nosso íntimo.

[…]

Justamente porque é difícil não confundir a voz com a palavra, julgaram que João era o Cristo. Confundiram a voz com a palavra. Mas a voz reconheceu o que era para não prejudicar a palavra. Eu não sou o Cristo (Jo 1,20), disse João, nem Elias nem o Profeta. Perguntaram-lhe então: Quem és tu? Eu sou, respondeu ele, a voz que grita no deserto: “Aplainai o caminho do Senhor” (Jo 1,19.23). É a voz do que grita no deserto, do que rompe o silêncio. Aplainai o caminho do Senhor, como se dissesse: “Sou a voz que se faz ouvir apenas para levar o Senhor aos vossos corações. Mas ele não se dignará vir aonde o quero levar, se não preparardes o caminho”.

O teólogo católico precisa meditar sobre as palavras de Santo Agostinho, pois a tentação de tomar o lugar da Palavra é enorme. Aos meus amigos recém-formados, até breve!

A texto completo pode ser lido no Ignem in Terram.

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