Carta à Sininho

Querida Sininho, 

Com alegria soubemos, pelos jornais, de sua intenção secreta de solicitar exílio em nosso país. Ficamos surpresos em receber esta notícia, visto ser de conhecimento público e notório o desprezo que a senhora tem por nosso modo de vida e por nossas leis. Ainda assim, satisfaz-nos saber que tem, mesmo de modo um tanto envergonhado e oculto, alguma admiração pela nossa terra.

Após meditar sobre seu pedido, entretanto, adiantamo-nos para informar que nosso país decidiu negar-lhe exílio no futuro. Pessoa com a dignidade da senhora entenderá nossas razões. Veja: para um indivíduo de tão nobre estirpe, nosso país não reúne as condições mínimas de recepção. De fato, não estamos preparados para receber uma personalidade como a sua em nossas paragens. Como a senhora deve saber, aqui na Inglaterra há o hábito – lastimável, na opinião da senhora – de se defender a propriedade privada. Como é notório, em 2011 mais de 1.000 pessoas foram levadas à tribunal por depredar patrimônio público. Sabemos que a senhora, em companhia de alguns rapazes, não têm respeitado esse direito em sua terra natal e que, portanto, terá a mesma atitude em nossos limites, o que é inadmissível.

Há um outro motivo para não recebê-la em nosso território. É por todos sabido que a senhora não tem muito talento – nem gosto – para o trabalho. A impressão que dá em nossas terras é que a senhora acredita que tudo se resolve por mágica: dinheiro, comida, educação, saúde, moradia, tudo isso exige muito trabalho. Pelo contrário, temos testemunhos diversos de que a senhora não possui currículo sequer mínimo nesses assuntos trabalhistas. Com efeito,  estamos saindo da recessão gerada pela crise de 2008 agora e, a última coisa de que precisamos, é aumentar o número de desocupados em nosso país. Entendo que a senhora entenderá que não é muito inteligente importar problemas que não são nossos.

Além disso, há a fama de que a senhora gosta de criar confusão por causa das tarifas dos transportes públicos, ainda que todos saibam que a senhora nunca os usa. É verdade que em nosso país não há esse problema, a Inglaterra possui um sistema de transporte público eficaz e barato. Contudo, é melhor evitar que a senhora resolva provocar seus meninos a produzirem confusão por aqui.

Alguns há que nos alertaram de uma ascendência britânica da senhora. De alguma forma atribuem sua existência a esse cineasta concidadão britânico. Contudo, nossas pesquisas garantem que sua fama recente decorre de um relacionamento não com o cinema inglês, mas com o norte-americano. Ora, uma nação que tem nomes como Alfred Hitchcock, Christopher Nolan, David Yates, Danny Boyle, Stephen Frears, Peter Greenaway, Mike Newell, David Lean, Ken Loach, John Madden, Jim Sheridan dentre outros não precisa de uma Sininho para criar história no cinema mundial.

Espero que essa carta a encontre bem e que entenda nossas razões. Lembranças ao Peter Pan.

PS. Procure ajuda do Capitão Gancho. Ele certamente conhece alguma ilha com características mais próximas à sua personalidade.

Sem mais,

Primeiro Ministro da Inglaterra

Sininho

Robson Oliveira

6 comments for “Carta à Sininho

  1. Gloria Maria Duarte (Maria)
    2 de agosto de 2014 at 14:32

    Ela, coitada, vive na terra do NUNCA!

  2. David Gravatá
    29 de julho de 2014 at 20:23

    Toda esta história nos parece confusa (ou para não dizer: perturbadora). Jovem patricinha bonita com mal comportamento levantando bandeiras confusas de ideologias confusas, apresentando atitudes um tanto parecidas com o terrorismo pela FIP (Frente Independente Popular), mas com a pretensão única de agitação. Autoridades competentes estão levando as atitudes de Sininho (fadinha dos Black blocs) e da FIP a sério, inclusive tem monitorado seus passos, pois não somente patrimônio público e privado foram destruídos, mas uma pessoa morreu em uma das manifestações organizada por eles (o cinegrafista Santiago Andrade, de 49 anos, teve morte cerebral após impacto de uma bomba mirada propositalmente em sua cabeça) . Nesta história, há espaço também para uma enorme agressividade juvenil, aonde um policial é chamado com toda o aspecto racista de “macaco”. Não nos enganemos, por detrás desta fachada que a imprensa afirma que a Sininho e sua companhia são “ativistas”, na verdade são talvez, um novo tipo de “neoterroristas”. Este tipo de pessoas que depredam, xingam e não toleram pessoas com pensamentos diferentes (pois são sectários), não tem medo de posarem de “coitadinhos”, de “perseguidos pelo sistema”, querem por diversas vezes holofotes. Cuidado, pois pedem asilo político hoje, para amanhã virem como candidatos a presidência da República. Ave Maria.

  3. 29 de julho de 2014 at 18:38

    Mas é necessário tratar dela, Raimundo. O grupo que ela comanda matou um trabalhar e deixou uma família órfã.

    Abraço!

  4. RAIMUNDO CESAR FARIAS ALELUIA
    29 de julho de 2014 at 18:08

    ROBSON GASTAR INTELIGÊNCIA COM ESTA FIGURA É UM DESPERDÍCIO!

  5. Tatiana
    29 de julho de 2014 at 11:41

    Lembranças ao Peter Pan é ótimo! Só assim para entender esse tipo de atitude.

  6. herbert burns
    28 de julho de 2014 at 23:50

    Nem os famosos charutos cubanos ou os “oliginais” produtos chineses ou a maconha liberada do Uruguai foi capaz de influenciar e seduzi-la. Ah! Acho que alguém tentou o Uruguai.

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