Cidade Nova na terra é Babel

A verdadeira Cidade Nova é a Jerusalém Celeste, na qual brilham a Justiça e a Paz, que vem de Deus. Toda tentativa de construir aqui neste mundo o Paraíso de nossos primeiros pais sempre trará a marca do Encardido, de Satanás, que os seduziu justamente com essa promessa inalcançável e demoníaca, que é a de substituir a Justiça de Deus

Sou assinante da revista Cidade Nova, do movimento Focolares, e desde a morte de sua fundadora, Chiara Lubich, em 2008, percebe-se um viés cada vez mais “horizontalizante” (perdoem-me o neologismo) no editorial da revista. Fica cada vez mais evidente o esvaziamento espiritual no tratamento dos temas propostos pela revista. Por exemplo, na última edição há uma matéria sobre perdão  (pág. 7) em que não se fala uma só vez em Deus, em sacramento, em confissão ou, sei lá, em espiritualidade. É possível, aos olhos da nova editoria da revista, falar de dependência de drogas (pág. 12-14) sem fazer menção uma única vez ao conceito virtude e falando uma única vez que dependência é vício, horizontalizando novamente o assunto. Mais: essa reportagem deixa até um cheirinho pró-legalização no ar… O viés “libertário” vai assim em toda revista, excetuando a Palavra de Vida e mais uns 4 artigos (de 24!).

Mas o motivo dessa reflexão é o nota que elogia a movimento “estudantil” #YoSoy132 (pág. 10). Para essa nova editoria da revista Cidade Nova brasileira, o movimento “estudantil” mexicano #YoSoy132 é um exemplo de “democracia” e de luta por liberdade de expressão. A revista só não fala que o movimento tem orientação radical comunista, dando provas concretas do que pretende: atacar a Igreja Católica e todo conteúdo doutrinal que não coadunar com a agenda marxista.

Por exemplo, o tal movimento “democrático” hostilizou abertamente o cardeal Francisco Robles Ortega, arcebispo de Gualajara-México, que ousou criticar as táticas políticas utilizadas pelo movimento social. Para o movimento elogiado pela revista, o cardeal não pode divergir politicamente da opinião do movimento e merece tomar um pito se assim o fizer.

Aleph Jimenez, “estudante” porta-voz do movimento

Outro exemplo é a, como podemos dizer, “simpatia” do movimento com a causa de gênero. O movimento elogiado por Cidade Nova se une à causa gay no México, inclusive indo às ruas para defender a “tolerância” com o erro e a liberdade de opinião. Tolerância e liberdade negadas ao cardeal Francisco, entenderam? Há muitas fotos que demonstram a proximidade dos interesses do movimento “estudantil” e da causa heterofóbica.

Mas há outros temas na pauta do movimento do tal movimento estudantil, que a revista Cidade Nova brasileira fez questão de não citar, como a legalização das drogas, por exemplo. Para os membros do movimento, descriminalizar as drogas (todas!) é um ponto importante na política nacional, visto inquirir os candidatos à presidência sobre o assunto. Na mesma entrevista pode-se ver também a mesma cantilena contra as privatizações que estão em todo discurso comunista quando não estão no poder. Vimos o que aconteceu aqui no Brasil, como o governo está, como eles diriam, “vendendo” o país para as multinacionais.

A verdadeira Cidade Nova é a Jerusalém Celeste, na qual brilham a Justiça e a Paz, que vem de Deus. Toda tentativa de construir aqui neste mundo o Paraíso de nossos primeiros pais sempre trará a marca do Encardido, de Satanás, que os seduziu justamente com essa promessa narcótica e demoníaca, que é a de substituir a Justiça de Deus. E mais: a história – e não só a religião – já demonstrou que toda tentativa de construção de uma cidade perfeita na terra reduziu-se à falatório e a discussões. A imagem de Babel é inconfundível: a cidade nova fundada pelas mãos humanas só leva à mais confusão e mais guerras.

Ah, os que puderem e quiserem podem mandar um email para  a Cidade Nova brasileira (a qual já comuniquei do meu descontentamento), mas também a sua matriz italiana: os emails e contatos no facebook são:

1. Revista Cidade Nova brasileira – Atendimento – http://cidadenova.org.br/Atendimento

2. Revista Cidade Nova brasileira – Facebook – http://www.facebook.com/revista.cidade.nova

3. Revista Cidade Nova italiana – Facebook – http://www.facebook.com/cittanuova.it

4. Revista Cidade Nova italiana – Direção – redweb@cittanuova.it

5. Movimento Focolari italiano – http://www.focolare.org/it/scrivici/

 

Robson Oliveira

7 comments for “Cidade Nova na terra é Babel

  1. AMARO HELIO
    1 de dezembro de 2012 at 16:05

    Professor Robson com muita propriedade, jé disse tudo. Abraços que Deus sempre te ilumine.

  2. David Gravatá (estudante)
    25 de novembro de 2012 at 22:55

    Creio na Cruz, e continuo seguindo o site.
    O que eu não entendo perfeitamente, é essa insistência por parte daqueles simpáticos a T.L. de querer super valorizar a política de classes mais do que a salvação da alma. “Pintar” um Jesus mais revolucionário do que líder religioso só por que assim querem, para justificar seus atos de rebeldia, como se a terra no mundo fosse mais importante que o céu.
    Esse discurso “Terra, comunidades eclesiais de base” já foi tão discutido na década de 80 do século passado. Já estamos na terceira gestão de um partido favorável a classe trabalhadora aqui no Brasil, mas ainda há tantos discursos inflamados, como para se dizer: “- A luta continua companheiro!” (perdendo ou ganhando).
    Agora vemos uma revista católica, de assinatura de um dos grandes movimentos dentro da Igreja dando esta guinada para o materialismo e se afastando da espiritualidade.
    Sou a favor da justiça social, mas a minha fé é mais importante para alcançar o céu na eternidade, aí de mim se eu “vender” minha fé para políticos mensaleiros de cuecas cheias…
    Creio na cruz ( em latim: Cruz Credo)!!!

  3. 23 de novembro de 2012 at 21:57

    Ah, e só mais uma coisa: “Cruz credo nesta gente reacionária medieval”. As coisas estão boas, para o povo progressista moderno? Da janela de minha casa não vejo nada do paraíso prometido.

  4. Jose Geraldo da silva
    23 de novembro de 2012 at 20:43

    Cruz credo nesta gente reacionária medieval. A igreja estará perdida se continuar dominada por esta mentalidade diabólica de sociedade perfeita … Jesus era leigo, avesso a legalismo, descomplicado, livre para dar vida aos marginalizados e a toda sorte de desamparados pela religião de seu tempo. Este site e toda gente que o segue presta um desserviço a unidade e as causas que Jesus estaria defendendo.

    • 23 de novembro de 2012 at 21:43

      Hmmm… Jesus era leigo? Não sei não… Diz que ele era um respeitado rabi judaico. Não era um leigo judeu, portanto.

      Hmmm… Jesus era “avesso a legalismo”? Sim, mas não era avesso à Lei. Aliás, diz a Palavra de Deus: “Pois em verdade vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da lei“. Um jota é menos que uma letra na mentalidade judaica. Jesus era contra legalismos vazios, mas defendia a Lei.

      Hmmm… “Causas que Jesus estaria defendendo”… Sei não. Acho que Ele diria assim: “Dê à causa o que é da causa; e a Deus o que é de Deus”. rsrsrs…

      E viva toda gente que segue este site!!!

  5. David Gravatá
    21 de novembro de 2012 at 23:05

    Professor,em pleno século XXI o fantasma da Teologia da Libertação está ganhando outra força na América Latina? E sobretudo influenciando novos na fé apesar de tanto avanço na tecnologia dos meios de comunicação, por que essa ânsia de muitos para agir contra a Igreja e sua doutrina?

    • 23 de novembro de 2012 at 10:34

      Não tão “novos na fé”, David. Lembre o que dizia o saudoso D. Carlos Alberto: por detrás de cada crítica e ataque à Igreja Católica está ou um sacerdote ou uma irmã. No fundo, há um religioso fortalecendo toda crítica ao Magistério e à doutrina eclesial. Acredito, sem medo de errar, que nesse caso particular ocorre a mesma coisa. Lamentavelmente…

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