Coronel Vermelho

Houve um tempo em que se dizia que o norte e o nordeste do país eram comandados pelos coronéis: voto de cabresto, compra de votos, voto fraudado eram práticas repugnantes, que não passavam despercebidas e eram diariamente denunciadas pelos meios de comunicação, com grande apoio dos partidos políticos de oposição. Nesta época não muito distante, era ordinário que os partidos ditos de esquerda vencessem as eleições nas regiões mais bem educadas do país (sul, sudeste e centro-oeste) e perdessem ridiculamente no norte e nordeste. Diziam os políticos da época que o motivo de tão vergonhosa derrota era a prática dos políticos da região, que criavam uma relação de dependência entre o eleitor empobrecido e carente de tudo e o candidato, seu salvador e benfeitor. Esta prática foi ampla e justamente denunciada pelos professores de história, sociólogos e políticos do Brasil, pois corrompiam a essência da democracia: a expressão da vontade do cidadão na escolha de um candidato, sem coação ou esperança de benefício particular.

Reprodução

Ainda lembro-me dos partidos políticos apresentando-se como opção a essas práticas mesquinhas, cujo resultado era uma distorção fundamental: as eleições, que deviam ter como expressão final a vontade do povo, tornavam-se instrumento de perpetuação dos chamados coronéis no poder político, por meio de benefícios e favores. Os partidos políticos de oposição não perdiam a oportunidade de sublinhar que as políticas de estado, que são responsáveis por minorar as diferenças e distruibuir a renda pela população nacional, não podiam ser confundidas ou utilizadas como políticas de governo ou de partido. De outro modo: diziam os partidos de oposição que não era favor providenciar políticas públicas para diminuir a fome; antes, era dever do estado e não bondade do governante. No entanto, as eleições desse ano apontam para um dado curioso. Os antigos opositores tornaram-se situação e, ironicamente, a  situação transvestiu-se de coronel.

A análise da votação para Presidente da República no território nacional aponta para alguns dados interessantíssimos: no centro-oeste, tidos por muitos como a região mais politizada do país, a candidata Dilma perdeu em 3 dos 4 colégios eleitorais. E mesmo onde venceu, não teve diferença maior que 3 pontos percentuais. Outro dado importante: nas regiões mais bem-educadas do país, a candidata perdeu também. Ela perdeu em 2 dos 3 estados do sul do país. No sudeste, porém, há uma exceção: a candidata ganhou em 3 dos 4 estados da região, inclusive no Rio de Janeiro. No maior colégio eleitoral do país, porém, o PT perdeu novamente.

Mas o dado mais relevante trata das vitórias da Dilma. A candidata do governo ganhou em 9 dos 9 estados do nordeste. Em alguns estados com mais de 70% dos votos. E no norte ela venceu em 4 dos 7 estados da região, algumas vezes com 3 ou 4 vezes a votação do segundo colocado no estado. Alguns podem afirmar que a grande votação deve-se ao bom trabalho que o governo tem feito nestas áreas. Será? Alguém teria condições de sustentar que o norte e o nordeste são hoje um lugar menos penoso e com mais oportunidade de vida digna depois dos 8 anos de governo lulista?

No meu modo de ver, o povo do norte e nordeste ainda está sob o jugo de um coronel. Agora, porém, é um coronel vermelho.

8 comments for “Coronel Vermelho

  1. Leandro Lopes
    17 de janeiro de 2011 at 16:41

    Senhor Eleutério
    Se o Senhor tem a mesma opinião do presidente molusco que fez o tipo mesmo comentário que o senhor – se Jesus fosse presidente do país teria que fazer acordo com Judas para governar – então não sei o que senhor faz aqui.
    Na verdade Jesus não faria acordo nenhum. Se fizesse acordos contrários à ética e a verdade não teria morrido como morreu.
    Infelizmente hoje a visão que se tem da política é que se deve ser “flexível” o suficiente para costurar acordos. Pois posso dizer que se a flexibilidade coloca em cheque os valores morais da pessoa essa flexibilidade já dobrou a pessoa.
    É como a piadinha que gosto muito:
    Homem: Você transaria comigo por um milhão?
    Mulher: Claro, por um milhão eu transaria na hora.
    Homem: E por vinte reais?
    Mulher: Como ousa falar assim comigo? Tá pensando que eu sou p%$#%¨ta?
    Homem: O que você é eu já sei, agora é estou só discutindo o preço.

    O que o PT é a gente já sabe, só estão agora discutindo o preço.

  2. Eleutério Gasspodin
    17 de janeiro de 2011 at 13:04

    E onde estavam os Sarney, Collor et caterva etc… no tempo da santa ditadura dos militares, Color com Sarney e muitos outros eram então exemplos de ética? E hoje porque estão em outro lado são diferentes? Infelizmente na democracia governos precisam fazer alianças, muitas vezes até com o DEMO para poderem governar, Com FHC foi o mesmo, lá estavam muitos que hoje estão do lado de cá. Enquanto dentro da politica não se descubra um meio de isolar os coruptos e demagogos, criando mecanismos que impeçam sua influencia politica vamos ter de conviver com estes tipos!

    • Robson Oliveira
      17 de janeiro de 2011 at 15:57

      Mas o PT não era o partido da ética??? Agora vale o discurso do “faz o que se pode”??? Ah, fala sério!!!!

  3. Eleutério Gasspodin
    12 de janeiro de 2011 at 11:58

    Agora que a dilma ganhou nós os comunistas vamos nos preparar para pegar todas as grávidas e faze-las abortar na marra, são ordens da Dilma e também vamos começar a comer todas as crianças, não podemos deixar nem uma para os padres e bispos comerem, eles que vão para a Irlanda ou Alemanha onde eles estão acostumados a isto. Quanto as igrejas vamos transforma-las em boates, as sacristias em quartos para os encontros intimos, aliás, muitas ja devem ter sido usadas para este fim. É isto ai camaradas chegou nossa vez!

    • Robson Oliveira
      12 de janeiro de 2011 at 12:11

      Não é ridicularizando os argumentos contrários que melhora a sua situação. Há ou não há voto de cabresto no nordeste e norte, senhor? Como é que o senhor consegue, comendo criancinhas ou não, dormir com a consciência tranquila, quando o “partido da ética” faz o mesmo que a família Sarney, os Collor, os Gomes et caterva?

  4. bel
    4 de outubro de 2010 at 14:40

    Desabafo…

    Pois, é amigo. A realidade vem pintando um quadro não muito bonito de se observar.

    Infelizmente, a política virou palco para a promoção de celebridades falidas e filhos e parentes de políticos.

    Poucas são as pessoas de bem que se debruçam sobre a vida política em nosso país.

    O povo vem perdendo a esperança,e, pior fazendo do voto um meio anacrônico de protesto. O que me arrepia é pensar que o Tirica, deputado federal mais votado (com mais de 1 milhão de votos) ocupará as cadeiras da Câmara e votará projetos de lei importantíssimos para a vida do país, sem ao menos saber ler e escrever direito.

    Imaginem: Tirica e Romário votando o projeto do novo código de processo civil!!!!!

    Pensar no coronelismo, na barganha do bolsa família, no voto no Tiririca, me faz pensar que o mensalão é mera consequência da omissão e falta de maturidade política de todos nós cidadãos.

    Bem, agora,cabe a nós, controlar a atuação dos novos deputados, senadores, governadores e presidentes.

    O trabalho é árduo mas não podemos desanimar.

    Boa semana a todos!!

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