Cupido e Neurotransmissores

Um dos mitos do nascimento de Cupido (ou Eros) conta que ele é filho de Penúria e Saciedade (Platão, o Banquete). Por causa dessa origem familiar, o que se apaixona é aquele com que nada se sacia (quando falta o objeto de amor) e de que nada sente falta (quando possui o objeto amado). Satisfação pelo bem amado e falta do bem amado, eis a tensão daquele que é tomado por Eros (ou flechado por Cupido). E não é que a ciência moderna dá uma explicação científica para esta sensação de incompletude ou saciedade que se abate aos apaixonados? Segundo o artigo publicado na Scientific American (veja o artigo aqui), a culpa é dos neurotransmissores. É como se Cupido não atirasse no coração dos apaixonados, mas no cérebro… Doze flechadas no cérebro…

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O estudo trata de analisar os fenômenos físicos no cérebro daqueles que estão amando. O resultado foi a ativação de uma dúzia de áreas cerebrais que promovem atividades nos momentos em que o amor se apresenta nos indivíduos.


Comentário: o estudo apenas descreve o que ocorre com o cérebro em uma situação amorosa. Não há a intenção de buscar relacionamentos causais entre as áreas do cérebro o surgimento do amor. No entanto, não demorará a aparecer reflexões sobre este artigo transformando a descrição em relação de causa e efeito: o amor é causado pela ação de certo grupo de neurotransmissores. Se isso acontecer, cabe perguntar: e as pessoas que perderam grande parte de massa encefálica em acidentes, cirurgias ou até naturalmente? Elas não experimentam o amor desinteressado? Ou o amor maternal? Parece claro que experimentam. O estudo pode ser verdadeiro, pode ser que o aparecimento do amor se relacione com eventos em certas áreas do cérebro. Mas afirmar que o primeiro deriva do segundo, é demais! Nem a poesia de Herbert Vianna afirmaria isso…

Robson Oliveira

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