Desculpas públicas ao candidato Molon

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Alguns alunos e amigos têm advertido-me do que, eles dizem, terem sido palavras duras a respeito da pessoa do candidato Alessandro Molon, do PT. A maioria afirma que o chamei de mentiroso e que, alguns sustentam, não fazem jus ao que o Molon é.

Bem, como eu ensino aos meus alunos que ofensas públicas exigem desculpas públicas, estou aberta e publicamente desculpando-me por qualquer ofensa que tenha, sem querer, produzido ao candidato. De fato, confesso que não acho que me excedi, mas se paira dúvida, que não mais haja. No entanto, posso discordar da forma, não do conteúdo de minhas intervenções. Peço sinceras desculpas ao candidato, inclusive pela ilustração do site. Foi uma escolha infeliz que já foi modificada. Contudo, e apesar de confessar um erro que a mim não é evidente, não estou satisfeito com as respostas do senhor candidato às perguntas que fazemos a ele. Disso, meus alunos me perdoem, não há do que me desculpar. Só preciso de respostas, e respostas claras!

Em email a um aluno, o candidato dá a seguinte explicação para permanência dele no PT:

Sou filiado há mais de dez anos e deputado estadual pelo PT há oito. Nunca fui obrigado por ninguém a votar contra minha consciência cristã durante todo este tempo.  Ao longo destes anos, sempre defendi a vida e a continuarei defendendo, onde quer que esteja.  O Estatuto do partido, em seu artigo 13, inciso XV, prevê o direito à objeção de consciência, por razões éticas, morais ou religiosas – ou seja, qualquer filiado tem o direito de invocar esta objeção para não seguir determinada decisão do partido. Portanto, meu direito de defender meus princípios está garantido pelo próprio Estatuto do partido. Nem precisaria – nossa lei maior, a Constituição, já me garante isto.
Fonte: http://www.pt.org.br/portalpt/dados/bancoimg/c091003181315estatutopt.pdf

Gostaria de destacar alguns pontos deste email enviado a um aluno pelo candidato Molon:

1. De fato, eu não tenho nada, absolutamente nada contra o candidato Molon. Pelo contrário, como já disse em um post anterior, de bom grado votaria nele, pois nesses anos de trabalho não se vê envolvimento do candidato com corruptos, suspeita de desvios de verba, etc. Com certeza, ratifico o que disse, seria meu candidato favorito à prefeito, governador, quiçá deputado, não fosse sua submissão, ao meu ver inexplicável, com um partido com as metas do PT.

2. Que ele continuará defendendo a vida é o que se espera de um candidato que se elege com votos de cristãos em favor da bandeira da vida.

3.  Quanto à garantia de que o estatuto do partido, no seu artigo 13, inciso XV, resguarda o direito à objeção de consciência, isso é discutível. Vejamos o que diz o referido artigo, literalmente:

XV – excepcionalmente, ser dispensado do cumprimento de decisão coletiva, diante de graves objeções de natureza ética, filosófica ou religiosa, ou de foro íntimo, por decisão da Comissão Executiva do Diretório correspondente, ou, no caso de parlamentar, por decisão conjunta com a respectiva bancada, precedida de debate amplo e público.

Perceba que não há referência a objeções de consciência, mas a objeções filosóficas, éticas, religiosas ou de foro íntimo. Que o candidato sustente que uma delas seja a tal “objeção de consciência” deve ser provado. Além disso, todas elas, inclusive a que não está citada, mas é alegada pelo candidato, devem ser recebidas por instâncias administrativas superiores ao indivíduo. Causa estranheza que o Molon não tenha feito referência a esse ponto. Esmiuçando: a objeção de consciência, que o candidato diz ser garantia de fidelidade aos princípios éticos e ao cristianismo, está submetida a aceitação de uma comissão julgadora, que dirá se ele pode ou não pode mantê-la. E o estatuto é ainda mais instrutivo: só será dispensado de votar com o coletivo, por razões graves, e depois de avaliação das comitivas, excepcionalmente! Sim, se a negativa da votação for ordinária, os comitês companheiros já têm ferramentas para forçar o voto do candidato ou até expulsá-lo do partido.

Bem, não quero deixar nada para trás: desculpe-me, senhor Molon. Espero ainda conversar pessoalmente com o senhor, embora já nos conheçamos dos corredores da Rádio Catedral. A honra do senhor não pode ser manchada, justamente por alguém que o admira, como eu. Retiro a acusação de mentiroso, mas mantenho que o senhor não pode ser néscio quanto aos temas importantes que pretende defender.

Apesar disso, e peço já desculpas pela insistência, há perguntas sem resposta no email que o senhor enviou ao meu aluno: e o caso Bassuma? Por que ele não foi contemplado pela “objeção de consciência”? A candidata Dilma, como já adverti em post anterior, não respeita consciências. O que fazer?

1 comment for “Desculpas públicas ao candidato Molon

  1. Claudio
    20 de setembro de 2010 at 14:32

    Robson, legal isso. Se me permite aproveito para postar de novo um comentário feito em outro post:
    Pessoal, para ajudar a reflexão, como ilustração, cito três políticos do PT (católicos) que conhecemos:
    1) Marlos Costa (Vereador-SG):
    – Tem de início uma incoerência que não entendo: cria o Projeto de Lei n° /2009 que institui o dia do nascituro em SG (http://vereadormarlos.com.br/2010/02/pl-dia-do-nascituro), mas faz campanha aberta à Dilma (POR QUE VOTAR DILMA? http://vereadormarlos.com.br/).
    2) Rodrigo Neves (candidato):
    – tem no seu site 13 Propostas para um Rio mais justo , forte e cidadão (http://www.rodrigoneves.com.br/13_propostas.php), nenhuma menciona nem de perto aspectos diretamente ligados à vida e à família. No seu site não encontrei nada mencionando lutas em defesa do nascituro, da família, etc.
    – tem material de campanha (natural já que é do PT) vinculada à Dilma e Lindberg.
    3) Molon (candidato):
    – tem no seu site os 13 compromissos de campanha (http://www.molon1313.com.br/13-compromissos/) , nenhum deles atinge também diretamente os pontos polêmicos que ferem a moral católica.
    – Discute-se sobre sua coerência em não apoiar o Piciani (http://www.molon1313.com.br/wp-content/uploads/2010/09/pt-e-pmdb.jpg).
    – Pra mim são apenas brigas partidárias, o Piciani é PMDB, Molon PT, que apóia o Lindberg, que é favor do aborto, elevação à “casamento” as uniões homoafetivas, dentre outras.
    Vejam o que corre na rede em favor da Dilma e Lindberg: http://dilmanarede.com.br/lindberg-senador-131.
    Não contesto as raízes católicas dos candidatos, ou suas vidas dignas, o Rodrigo e o Molon têm até boas proposta, projetos que mereceriam atenção se não fosse o partido e coligação. Merece nossa atenção, que outros candidatos católicos mencionam claramente em sua campanha a defesa da família e do nascituro, que não são favoráveis ao aborto e ao “casamento homossexual”, por que os do PT não?

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