Dom Alano Maria Penna – Arcebispo de Niterói

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No início deste Novo Ano de 2011, sob a proteção da Santa Mãe de Deus, supliquemos, em adoração, que o Espírito Santo nos ensine a trilhar com firmeza os caminhos desta confiança total na ação do Senhor sobre nosso destino.

O começo de um ano deve sempre suscitar em nosso coração um sincero louvor de agradecimento por tudo o que vivemos no ano anterior e um louvor de súplica para que a divina graça nos leve a dizer bem lá no fundo do coração: Pai, que em todos os momentos deste ano que se inicia faça-se em mim, em minha vida, a vossa santa vontade!

Que o nosso destino siga, neste novo ano, o caminho traçado pelo Santo Padre Bento XVI na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz – 1º de janeiro: “A paz é um dom de Deus e, ao mesmo tempo, um projeto a realizar, nunca totalmente cumprido”… “Uma sociedade reconciliada com Deus está mais perto da Paz, que não é simples ausência de guerra, nem mero fruto de predomínio militar ou econômico, e menos ainda de astúcias enganadoras ou de hábeis manipulações. Pelo contrário, a paz é o resultado de um processo de purificação e elevação cultural, moral e espiritual de cada pessoa e povo, no qual a dignidade humana é plenamente respeitada.”

Neste itinerário de construção da Paz devemos nos congregar todos, especialmente nossos jovens para, segundo o Papa Bento XVI, ouvindo a própria voz interior, encontrarmos em Deus a luz e a força que nos permitam ajudar nossa sociedade a conquistar uma autêntica liberdade, superando com ânimo erros passados, e olhando o futuro com um espírito novo, repleto de fé, de esperança e de um profundo amor solidário.

Vale lembrar que as preciosas reflexões do Papa Bento XVI nesta mensagem para o Dia Mundial da Paz têm como tema central “Liberdade Religiosa, caminho para a Paz”. E o Papa parte dos sofridos e trágicos episódios de violência contra os cristãos no Iraque, especialmente o ataque à Catedral siro-católica de N. Sra. do Perpétuo Socorro, em Bagdá, onde dois sacerdotes e mais de 50 fiéis foram mortos quando se reuniam para a celebração da Santa Missa.

Unidos ao Romano Pontífice devemos erguer ardentes preces ao Senhor Jesus, o Príncipe da Paz, para que cessem estas agressões violentas e nossos irmãos do Oriente Médio possam viver e celebrar em paz a sua fé católica.

É preciso também buscarmos, sem cansaço, junto ao Coração Sacratíssimo d’Aquele que é apresentado ao mundo pelo profeta Isaías como o “Príncipe da Paz” (Is 9, 5), a graça de vencer em nossa vida cotidiana as tentações de dominação prepotente, de orgulho arrogante, sementes estas de discórdias, rupturas, violências e agressões à dignidade humana. Somente pelas vias da humildade, da serenidade, pode-se construir a Paz.

Temos que aprender com a Santa Mãe de Deus a criar no coração um “tempo de Deus”, digamos assim, que nos permita meditar sobre os fatos, os acontecimentos do nosso cotidiano, para percebermos, sob a luz do Espírito Santo, onde estão as luzes do Senhor a serem espalhadas ao nosso redor, e onde estão as trevas que precisam ser dissipadas!

Nossa cultura moderna é ruidosa, barulhenta, dispersiva, tudo relativizando, gerando enormes e trágicos vazios nos corações, predispondo-os a desvios de conduta, a confrontos que tanto ferem e fazem sofrer! Bento XVI, na já citada mensagem para o Dia Mundial da Paz, assim escreve: “A ilusão de encontrar no relativismo moral a chave para uma pacífica convivência é, na realidade, a origem da divisão e da negação da dignidade dos seres humanos. Por isso se compreende a necessidade de reconhecer uma dupla dimensão na unidade da pessoa humana: a religiosa e a social.”

Construir esta síntese, eis a meta para o nosso agir ao longo deste ano que se inicia, para que se ampliem, em cada um de nós e na sociedade em que vivemos, os espaços da verdadeira Paz!

Abracemos com ardor esta meta e para tanto nos ajude a intercessão da Santa Mãe de Deus, a Virgem Maria, que gerou em seu seio o Príncipe da Paz, o Senhor Jesus Cristo! Feliz Ano Novo a todos.

+ D. Fr. Alano Maria Pena OP
Arcebispo Metropolitano de Niter

Fonte: Arquidioce de Niterói

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