Em que creem os ateus???

No meio acadêmico é proibido crer. Dizem que o espírito crítico e a produção científica não podem conviver com a imprecisão nem – alguns mal-educados afirmam – com a ingenuidade da fé. Eles costumam defender a preponderância do discurso científico sobre a crença e, quase sempre, afirmam estar além desta dicotomia “burra”.

Segundo o espírito positivista (de Augusto Comte), os acadêmicos até aceitam que a crença existe e tem seu papel. Mas para eles, a fé é um estágio da humanidade que, já evoluindo do mito para a religião, um dia abandonará a fé e render-se-á à ciência.

O que os acadêmicos (e seus alunos) esquecem é que a fé não é só uma ação própria dos que creem. Por definição, fé é a atitude de dar crédito à palavra de alguém, pela razão de esta pessoa merecer tal crédito. Ora, cremos em muitas coisas durante cada dia: cremos no padeiro, que não estava com raiva do mundo e não envenenou os pãezinhos; cremos no motorista, que não avançará o sinal vermelho enquanto atravessamos. Em outro nível, cremos também nos arquitetos e engenheiros que construíram nossas casas; nos médicos que nos atendem nos hospitais; nos professores que nos ensinam nas escolas e universidades, ou vocês já pediram para ver os diplomas desses profissionais?? A fé permeia toda a nossa vida, todos os momentos de todos os dias. Bater no peito e bradar: eu não creio é um ato de burrice, não de inteligência!

Além disso,  o ato de confiar será tanto mais forte quanto mais meditado e refletido for seu exercício, pois confiar exige reflexão. Contrário ao que pensam os acadêmicos, crer é próprio de quem medita e não do ingênuo. A fé é ato humano e, portanto, pleno de vontade e inteligência. Não se crê porque faltou informação, mas porque é conveniente crer, há razões para acreditar. Como quando o leigo pergunta para o médico sobre  a dor no braço e ele diz – sem examinar e meio correndo: “não é nada”. Ainda que nada seja, não inspira a confiança que um outro médico, após exames e com o cuidado determinado, pontifica: “não é nada”. Há razões para acreditar mais no segundo relato do que no primeiro, pois crer não é ato de obscurantismo, mas de esclarecimento.

Robson Oliveira

4 comments for “Em que creem os ateus???

  1. Zaíra Vargas
    17 de junho de 2011 at 14:29

    Numa música dos Paralamas do Sucesso eles dizem:
    ” A arte de viver da fé, só não se sabe fé em que…”

    Eu vivo próxima a um genro de 50 anos e um neto de 24 que se dizem ateus, e eu sei que muitas vezes é só para me atacar.

    • Robson Oliveira
      17 de junho de 2011 at 14:33

      Pena, Zaíra… Desculpe-me a franqueza, mas bem que poderiam ser mais bem educados. Não precisa magoar quem a gente ama, não é?

  2. André
    3 de Maio de 2011 at 05:15

    O Pe Demétrio nos falava sobre isso no último sábado, a fé não é um lançar-se no escuro.

  3. Roberta
    22 de julho de 2010 at 21:42

    Há uma frase de um sacerdote que diz: “Não é que os céticos não acreditem em nada; eles acreditam em qualquer coisa.” Abraços!

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