Encontro de Jornalismo na Canção Nova

Nos próximos dias 26 e 27 de novembro, a Canção Nova realizará um Encontro de Jornalismo em Cachoeira Paulista, cujo lema será “Jornalismo Canção Nova: a serviço da vida e da esperança“. Diante do ocorrido nestas eleições, se ouvirá mais discursos sobre a esperança do que sobre a vida nas colinas de Cachoeira Paulista.

Por este motivo, eis uma excelente oportunidade do movimento de cristãos leigos da Igreja Católica acertar seu próprio rumo. É preciso expor claramente, para os que acompanham e acreditam no poder do Evangelho e financiam o movimento há anos, que os equívocos cometidos na última eleição não vão se repetir. Antes de escravizarem-se pelo uso da tecnologia ou vincularem a pregação do Evangelho a esse ou aquele meio específico, os cristãos estão vinculados à Boa Nova do Evangelho e ao Magistério da Igreja, que foi ignorado (ou pelo menos desprezado até o limite do tempo) no segundo turno das eleições (link). Importa lembrar alguns pontos do Magistério Ordinário sobre as comunicações sociais e os valores cristãos.

Na Carta Encíclica Miranda Prorsus (1957), que trata da maravilha do progresso – de modo específico do progresso do cinema, do rádio e da televisão – reflete-se sobre os valores humanos e espirituais no uso da tecnologia, valores sem os quais esses instrumentos não servirão, mas afastarão os homens do Evangelho e de si mesmos. Tratando disso, o Papa Pio XII alerta:

[N]ão poucos dirigentes da vida pública, representantes do mundo industrial e artístico, e vastos círculos de espectadores católicos, ou até não-católicos de boa vontade, deram provas apreciáveis do sentido de responsabilidade, realizando louváveis esforços, muitas vezes à custa de não poucos sacrifícios, para no uso das técnicas de difusão se evitarem os perigos do mal e se respeitarem os Mandamentos de Deus e os valores da pessoa humana (Destaque nosso).

Reprodução

O uso das tecnologias da informação, que hoje superam imensamente aquelas do tempo do venerável Papa, exigem dos seus usuários não poucas vezes esforços heroicos, no sentido de, por um lado, não vilipendiar os dados revelados por Deus durante a história, exemplificado na referência aos Mandamentos de Deus; de outro lado, não pode esquecer que os valores morais são inegociáveis, têm igual importância e merecem idêntico respeito na produção de conteúdos e no uso de tais tecnologias. Com efeito, ao tratar-se dos valores humanos, a liberdade de expressão dos meios de comunicação exerce-se, dignamente, “no uso regrado da difusão daqueles valores que ajudam ao perfeiçoamento do homem“.

No decreto conciliar Inter Mirifica (1964), no qual Sua Santidade Paulo VI dá importante apontamento para o uso dos meios de comunicação, é possível ler claramente:

Quanto ao modo, tem de ser, além disso, (a busca pelo direito à informação deve ser) honesta e conveniente, isto é, que respeite as leis morais do homem, os seus legítimos direitos e dignidade, tanto na obtenção da notícia como na sua divulgação. (Inter Mirifica, 5 – Destaque do autor)

A dignidade humana, em seus direitos mais fundamentais, não pode ser vilipendiada no serviço aos meios de comunicação social. Maior ainda é a gravidade, fica claro, quando esses meios estão à serviço direto ou indireto do Evangelho, constituindo um verdadeiro contra-testemunho cristão. Foi neste sentido que a Instrução Aetatis Novae(1992), afirma ser elemento prático de uma vocação às comunicações sociais a observação das normas éticas, especificamente o direito à vida:

d) ajudar os profissionais da comunicação a definir e observar regras éticas, principalmente no que respeita à equidade, à verdade, à justiça, à decência e ao respeito pela vida;

E o Papa Bento XVI já explicitou recentemente que se deve resguardar a vida de ofensas, em todas as suas etapas, desde o ventre materno até a morte natural. O que está em jogo é a dignidade humana, que não pode encontrar nos meios de comunicação empecilho, mas auxiliadores da humanização e da evangelização. Neste sentido, os mass media católicos têm mais grave responsabilidade na defesa desses valores. Segundo o venerado Papa João Paulo II, na encíclica Rápido Desenvolvimento (2005):

[É] necessário um sistema de gestão que seja capaz de salvaguardar a centralidade e a dignidade da pessoa, a primazia da família, célula fundamental da sociedade, e a correcta relação entre os diversos sujeitos.

Os meios de comunicação orientados pelo Evangelho não podem secundar os valores humanos e evangélico em favor de qualquer outro valor, mesmo lícitos como a tecnologia ou a audiência. O Evangelho não é e jamais foi unanimidade. Logo, não se pode forçá-lo a ser o que não é, menos ainda a custa de princípios irrenunciáveis da fé cristã.

No próximo Encontro de Jornalismo da Canção Nova estaremos orando para que decisões sejam tomadas. Como diz o mais antigo catecismo do mundo: temos diante de  nós dois caminhos, um da vida; outro da morte. Os membros da comunidade não são diferente dos outros cristãos do mundo e têm, sim, diante de si sempre essa pergunta. Aguardaremos a conclusão do encontro e esperaremos atitudes práticas, que demonstrem que algo foi feito. Se não por Amor Incondicional ao Evangelho, que é Vida Plena, pelo menos para não escandalizar os mais pequeninos dos fiéis, sobre os quais o Senhor Jesus disse: quem os escandalizar, melhor seria que se jogasse ao mar com uma pedra de mó amarrada ao pescoço! Uma boa prática seria:

1. Desde já, não se deixar cooptar. Cristãos com pretensões a cargos eletivos não deveriam ter programas no canal, a não ser que assinassem compromissos públicos, registrados em cartório;

2. Os princípios que regem o cristianismo, além dos ensinamentos ordinários da Igreja, não podem ser ignorados, como ocorreu recentemente. Caso algum membro ou próximo desrespeite-os, deveria ter toda sua relação com a Canção Nova suspensa, de blogs e Programas a DVD’s;

3.  Titulares de cargos eletivos com posição dúbia sobre temas de importância não poderiam ter programas na TV. Eles podem querer enganar o povo e podem confundir os cristãos.

4. A caridade deve ser cultivada em todos os momentos, inclusive na recepção de membros cuja vida não seja publicamente santa. Outra coisa é a Canção Nova permitir que o pecado utilize dos microfones da Canção Nova para, direta ou indiretamente, catequizar os cristãos brasileiros pelo mundo. O pecado é um mal e contra o mal não deve se dar trégua.

Sugiro aos participantes de tal encontro que meditem sobre os documentos ordinários do Magistério acerca das Comunicações Sociais. E que não se esqueçam do Evangelho: se teu olho te leva a pecar…

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