Estado laico não é estado ateu: a querela do ensino religioso no Rio de Janeiro

Ora, se o dinheiro público, que absorve impostos de crentes, pode pagar professores de ateísmo, como é a maioria dos atuais professores de história, geografia, sociologia, filosofia, línguas et caterva no ensino médio, por que o erário público, que inclui dinheiro de ateus, não poderia pagar os professores de ensino religioso? 

Reprodução

No dia 5 de março, o município do Rio de Janeiro publicou edital para a realização de concurso público para o cargo de professor de ensino religioso, para atender as necessidades educativas das crianças que estudam em suas escolas. O ensino religioso, público e de qualidade, constitui elemento essencial da função subsidiária do estado, que deve prover seus cidadãos das ferramentas necessárias para a autorrealização e formação integral dos indivíduos. Segundo circular da Congregação para Educação Católica para as Conferências Episcopais sobre o ensino da religião na escola:

[…]O direito à educação e a liberdade religiosa dos pais e dos alunos exercem-se concretamente através de:

b) A liberdade de receber, nos centros escolares, um ensino religioso confessional que integre a própria tradição religiosa na formação cultural e acadêmica própria da escola.

Assim, é direito natural dos cidadãos poder contar com o estado para a concretização da sua formação religiosa, sem que seja violentada a sua consciência e/ou sua liberdade de escolha. Neste sentido, faz muito bem o município do Rio de Janeiro, ao oferecer a seus cidadãos uma variedade de professores de ensino religioso que atenda ao credo da maioria da população, seguindo a liberdade e a consciência dos pais e dos alunos. Contudo, não faltaram vozes que lamentaram a decisão do governo municipal de empenhar dinheiro público para dar ensino confessional às crianças. Os argumentos foram os mais variados e absurdos:

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1. O argumento mais comum é a pretensa laicidade do estado brasileiro, que não pode conviver com o ensino de religião na escola. Na visão dos que discordam, o estado laico exige que a religião fique em foro privado. Como a escola é pública, não deveria ser permitida a entrada de professores de religião nos estabelecimentos de ensino.

2. A má qualidade do ensino no Brasil também serve para desqualificar o ensino religioso nas escolas. Se os alunos carecem de maior qualidade no ensino de matemática e português, é certamente “um acinte” investir na em ensino religioso para as crianças, antes delas alcançarem um mínimo de qualidade em outras disciplinas.

3. Outro argumento contra o ensino religioso nas escolas é o alto custo deste ensino para os cofres públicos. Como os professores serão pagos com erário público, os ateus e os que discordam desta prática sentem-se violentados pela decisão do governo municipal e de seus vereadores, que aprovaram a lei em plenário.

4. A falta de professores gabaritados para exercer a função também serve de munição contra a inserção do ensino religioso nas escolas. Dizem os críticos que a carência de profissionais competentes, que estejam em consonância com o credo de seus alunos, irá tornar a execução da lei impossível.

A análise destes argumentos, no entanto, revela o descarado preconceito dos críticos para com o assunto. Discorrendo uma infinidade de falsas ou descabidas acusações, desfiam sua verve ateísta e ideológica com  o intuito de aplicar ao ensino religioso o  que não aplicam em outras áreas ou em assuntos relacionados. Por exemplo:

Reprodução

1. Acusam a falta de professores de ser um empecilho na execução da lei, que poderia pôr a perder a boa implementação da vontade popular. No entanto, quando a filosofia foi incluída no currículo escolar, a falta de professores gabaritados em 2008 não impediu que a lei fosse aplicada, como demonstra o alerta do Observatório Educacional. Ora, por que razão a filosofia pode entrar no currículo sem que haja profissionais suficientes mas o ensino religioso não? A resposta é simples: nenhuma, os casos são rigorosamente iguais, a não ser pelo viés ideológico dos que negam aos crentes o exercício livre e sem constrangimento de sua fé.

2. De fato, a contratação de professores de ensino religioso impactará no orçamento da prefeitura do Rio de Janeiro e muitos, que não concordam com os vereadores, que aprovaram a lei que implementa o ensino nas escolas, e o prefeito Eduardo Paes, que está cumprindo a lei, sentem-se traídos pelo governo laico, por ver seu dinheiro pagando tais professores. Os críticos só esquecem que a maioria do povo é crente. E, portanto, a maioria do dinheiro público que faz a máquina pública funcionar é pago por crentes. E estes crentes, judeus, cristãos, islâmicos ou seja lá a crença que tenham, possuem o direito de ter seu dinheiro sendo usado para pagar, sim, os professores que ela, a maioria da população, mantêm com seus impostos. Enfim, não são só os ateus que pagam os impostos que fazem o país funcionar. Os crentes também pagam, e pagam mais, porque são maioria. Ora, se o dinheiro público, que absorve impostos de crentes, pode pagar professores de ateísmo, como é a maioria dos atuais professores de história, geografia, sociologia, filosofia, línguas et caterva no ensino médio, por que o erário público, que inclui dinheiro de ateus, não poderia pagar os professores de ensino religioso? Novamente, a ideologia ateia não cansa de aplicar a outros o que não aplica a si mesma.

3. Um sofisma curioso é o da qualidade do ensino do Brasil. Isto é, se o ensino ordinário está péssimo, então não se deve investir senão na melhoria das condições do ensino de matemática, português, física, etc. Só quando o índice de qualidade de ensino nestas disciplinas melhorar é que, quem sabe, falar-se-é de ensino religioso. O sofisma assemelha-se ao argumento do Saneamento Básico: enquanto houver criança morrendo de desinteria, é hipocrisia falar de aborto, dizem. É evidente que o argumento é vigarista. Não se trata de salvar as crianças ou da diarreia, ou do aborto. Trata-se dos dois! Importa impedir a morte por falta de condições minímas de vida e proibir (sic!) o assassinato de um inocente. Então, não se trata de ou melhorar o ensino das outras disciplinas, ou investir em uma perspectiva integral do homem, que inclua o seu ser religioso. Antes, trata-se de ter uma visão completa do homem.

4. E, finalmente, o argumento mais batido do século: a laicidade do estado. Este assunto já foi tratado aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. O estado brasileiro é laico, mas o povo é religioso. Ora, diz a Constituição Federal que todo poder emana do povo. Logo, não cabe a juristas, deputados, senadores ou qualquer grupo social determinado dizer o que deve ser feito com os instrumentos que o povo possui para fazer valer seu direito de educar-se. Ora, se o povo, que é a origem do poder democrático, quer o ensino religioso nas escolas, não pode a ideologia de uma minoria suplantar o desejo soberano da maioria. Muito mais é negada essa possibilidade se o desejo dessa maioria é justo e salutar. Em breves palavras, o nome da tentativa política de uma minoria abafar o desejo da maioria é autocracia!

Está de parabéns o prefeito Eduardo Paes, que ouviu e fez valer a voz que vem do povo, e aos vereadores que fizeram valer seu mandato legislativo. Afinal, esse ano é ano de eleições  municipais. Temos muito trabalho pela frente, né?

Robson Oliveira

15 comments for “Estado laico não é estado ateu: a querela do ensino religioso no Rio de Janeiro

  1. 17 de outubro de 2012 at 19:23

    David,
    Desejaria saber qual critério adotado por você para definir irresponsabilidade! E ademais a filosofia ministrada na maioria dos seminários é Aristotélica\tomista, usurpando-se de aprofundar em filósofos como Kant, Nietzsche, Sartre, etc. De modo que a filosofia dos seminaristas retira-se em debandada quando o tema coloca em xeque valores cristãos. Pois bem! Se a Igreja possui Escolas e Universidades há tempos que permaneça em seu âmago o ensino religioso doutrinário. Veja bem, só seu diálogo aqui dá por certo o que venho asseverando.
    Ao afirmar: “A melhor instituição com autoridade para falar de moral e bons costumes é a Igreja Católica”. Doeu minha vista ao ler isso! Portugueses católicos com missas quase diárias, religiosos e seguidores de Roma, escravizaram negros muitas vezes com argumentos de que não possuíam alma, não constituíam parte da espécie humana, propalaram mentiras de que as religiões africanas eram diabólicas ( verificamos ainda hoje os seus efeitos), obrigaram à “foice” e chibatadas aqueles que não se convertiam ao catolicismo. A igreja católica condenou Bruno e Galileu ( este fingiu de erro, para escapar da morte) à morte em fogueira por afirmar que a terra não era o centro do universo e que girava em torno do sol. A igreja católica com sua moral ( produzida humanamente e elevada a Divina), age contra a camisinha com argumento de que o sexo só se realiza após o casamento. Só uma ressalva aqui: a natureza preparou o corpo para o sexo, logo após a ejaculação e a menstruação. O sexo sempre existiu, a própria família é uma constituição cultural produzida. E me vem a Igreja de apenas dois mil anos inventar o seu modo de relação sexual e imputar aos outros¿ Me poupe. Nem os padres seguem isso! Vivem frustrados, fugindo da própria regra criada pelos seus. Outra moral católica é a idéia de que masturbação é pecado. Muitos jovens ainda acreditam nisso e convivem com insegurança, uma vez que a natureza os envia à masturbação. Sempre digo: você acredita mesmo que os padres não se masturbam¿ Ainda bem, que a luz da nova civilização afastou-nos da hipocrisia da moral católica, pois estaríamos ainda na idade da pedra, do fanatismo e da involução. A religião não impede a violência¿ A ideia de que ela sempre faz bem é equivocada. Basta lembrar que grande parte das guerras teve origem em conflitos religiosos. Na escola, a violência deve ser combatida com o ensino ao respeito e ao reconhecimento da dignidade intrínseca a todos.

    O argumento de que o Estado é laico mas não é ateu já se transformou em clichê de alguém que não possui mais argumento. Quero lembrar que o Estado também não é religioso. Ele é neutro. A partir dessa proposta não se torna neutro em termos de religião. Vamos, então, exigir aulas de ateísmo nas escolas também. A escola pública não pode se transformar num centro de doutrinação ao sabor da cabeça das igrejas. A doutrinação que se quer implantar nas escolas consiste naquela impetrada pela igreja na colonização, porém com moldes modernos. Embora nossos jovens sejam na sua maioria de tradição cristã, muitos são ateus práticos e vivem avessos à moral católica ou cristã. Com uma sociedade pluralista, inclusive com ateus confessos, implantar nas escolas o ensino confessional ou “pluriconfessional,” se torna insuficiente e pode até revelar-se perigoso e anti educativo, dado que disseminaria valores muitas vezes impraticáveis, profundamente subjetivo,preconceituosos e discordante com o que a moral real encontrada na vida, que ensina aprender a conviver com as diferenças e a valorizá-las, sem doutrinação.

    • David Gravatá (estudante)políticos)
      18 de outubro de 2012 at 06:38

      o argumento da Verdade. Seu discurso é imbuído de sectarismo anti-católico. Tem visão única para os erros da Igreja. Faz acusações infundadas contra os sacerdotes acreditando que os mesmos se masturbam. Só na misericórdia…
      Quantos as guerras, ora, acho que são causadas por conflitos de interesses (em especial econômicos e/ou políticos).

    • 18 de outubro de 2012 at 16:53

      Não sou o David, mas são tantos absurdos que preciso me expor:

      1. “ademais a filosofia ministrada na maioria dos seminários é Aristotélica\tomista, usurpando-se de aprofundar em filósofos como Kant, Nietzsche, Sartre, etc. De modo que a filosofia dos seminaristas retira-se em debandada quando o tema coloca em xeque valores cristãos.

      Se é como você diz – mas não é, já digo porquê! – sua crítica cai por terra. Afinal, você mesmo assume que a maioria e não todos os seminários têm má formação filosófica. Logo, sua crítica geral é infundada. Mas o pior é que ela é falsa! Nos seminários católicos se estudam filósofos não cristãos. Aliás, em alguns casos, mais do que devia. Mas como você ignora teologia, não sabe e não vai saber que Bulttman, Moltman, Rahner, Ratzinger, von Balthasar, Wotjla estudaram filósofos contemporâneos em sua formação. Só para terminar esse ponto, João Paulo II, o Papa (sim, o Papa!) era doutor em Max Scheler! (Ui, e agora, como vou ofender os cristãos de incultura???). E nos seminários do Rio e de Niterói os candidatos tem 4 semestres de filosofia moderna e contemporânea (Ui, eles leem Nietzsche! E agora, o que faço para ofendê-los??).

      2. “Doeu minha vista ao ler isso! Portugueses católicos com missas quase diárias, religiosos e seguidores de Roma, escravizaram negros muitas vezes com argumentos de que não possuíam alma, não constituíam parte da espécie humana, propalaram mentiras de que as religiões africanas eram diabólicas ( verificamos ainda hoje os seus efeitos), obrigaram à “foice” e chibatadas aqueles que não se convertiam ao catolicismo. A igreja católica condenou Bruno e Galileu ( este fingiu de erro, para escapar da morte) à morte em fogueira por afirmar que a terra não era o centro do universo e que girava em torno do sol. A igreja católica com sua moral ( produzida humanamente e elevada a Divina), age contra a camisinha com argumento de que o sexo só se realiza após o casamento. Só uma ressalva aqui: a natureza preparou o corpo para o sexo, logo após a ejaculação e a menstruação. O sexo sempre existiu, a própria família é uma constituição cultural produzida. E me vem a Igreja de apenas dois mil anos inventar o seu modo de relação sexual e imputar aos outros¿ Me poupe. Nem os padres seguem isso! Vivem frustrados, fugindo da própria regra criada pelos seus. Outra moral católica é a idéia de que masturbação é pecado. Muitos jovens ainda acreditam nisso e convivem com insegurança, uma vez que a natureza os envia à masturbação. Sempre digo: você acredita mesmo que os padres não se masturbam¿ Ainda bem, que a luz da nova civilização afastou-nos da hipocrisia da moral católica, pois estaríamos ainda na idade da pedra, do fanatismo e da involução. A religião não impede a violência¿ A ideia de que ela sempre faz bem é equivocada. Basta lembrar que grande parte das guerras teve origem em conflitos religiosos. Na escola, a violência deve ser combatida com o ensino ao respeito e ao reconhecimento da dignidade intrínseca a todos“.

      Bem, acusações sem prova. Mais do mesmo de quem não tem a retidão intelectual. Mas vamos aos fatos: nenhum grupo humano, por pior que seja, matou mais que os comunistas (http://humanitatis.net/?p=4599); a escravidão nunca foi defendida pela Igreja (que já teve um Papa escravo – http://humanitatis.net/?p=4133).

      O caso Galileu é um cavalo de batalha manco. Vá estudar! Inclusive, vá estudar astronomia, pois nem a Terra, nem o Sol não é nem nunca foi o centro do universo.

      Quanto ao “sucesso” da camisinha no combate a AIDS (acho que você quis dizer isso, no seu texto cheio de ódio e carente de inteligência e argumentação, porque você não vai transar com um(a) infectado(a) com camisinha? Já que ela é tão segura, transe sem medo. Nós, católicos, preferimos a ciência, que garante que a camisinha não é segura e que a castidade é o melhor remédio contra a AIDS (http://humanitatis.net/?p=3711).

      Sobre o sexo, a masturbação e essas suas taras, faça o que quiser com seu corpo. Nós, cristãos, queremos fazer o que Deus quer que façamos.

      Sobre acusar padres de se masturbar, por favor, se decida. Ou você é a favor da masturbação, como disse ainda agora, ou é contra. Se não se decidir, vai parecer que você é contra a masturbação (dos padres) quando interessa; e é a favor da masturbação (própria) quando interessa. Então, um peso e duas medidas. O nome disso, mesmo fora dos muros da Igreja, é hipocrisia. Ademais, não faça acusações sem provas. Se as têm, coloque aqui; se não, cale-se!

      Quanto a alguns padres serem infiéis, por favor, decida-se se acha isso bom ou mau. Mas não venha dizer que por que um cardiologista morre de infarto a cardiologia é furada. Cada um faz o que quer da sua própria vida.

      Graças à Igreja temos universidades, hospitais, política, ciência. Estaríamos na idade da pedra sem a Igreja.

      3. O argumento de que o Estado é laico mas não é ateu já se transformou em clichê de alguém que não possui mais argumento

      Pois é, acusar de clichê outro argumento quando não se tem argumento também é clichê, né?

      4. Quero lembrar que o Estado também não é religioso. Ele é neutro. A partir dessa proposta não se torna neutro em termos de religião. Vamos, então, exigir aulas de ateísmo nas escolas também. A escola pública não pode se transformar num centro de doutrinação ao sabor da cabeça das igrejas. A doutrinação que se quer implantar nas escolas consiste naquela impetrada pela igreja na colonização, porém com moldes modernos. Embora nossos jovens sejam na sua maioria de tradição cristã, muitos são ateus práticos e vivem avessos à moral católica ou cristã. Com uma sociedade pluralista, inclusive com ateus confessos, implantar nas escolas o ensino confessional ou “pluriconfessional,” se torna insuficiente e pode até revelar-se perigoso e anti educativo, dado que disseminaria valores muitas vezes impraticáveis, profundamente subjetivo,preconceituosos e discordante com o que a moral real encontrada na vida, que ensina aprender a conviver com as diferenças e a valorizá-las, sem doutrinação.

      Não, o estado não é neutro. O estado tem a cor de seus cidadãos. Aliás, isto está na nossa Constituição Federal! Mas você tem razão: quem é ateu, deveria pedir do governo aulas de ateísmo. Que os ateus se organizem. Os cristãos querem – porque pagam impostos como os ateus – que seus filhos tenham aula de religião. Ou o dinheiro do ateu vale mais do que o do cristão??

      Tchau!

    • Eduardo Araújo
      22 de outubro de 2012 at 01:05

      Muito bem respondido, Robson.

      Vou fazer alguns acréscimos, com referência ao cabedal de baboseiras pseudo históricas desse ateu.

      A Igreja NUNCA declarou nem ensinou, tampouco insinuou que os negros eram desprovidos de alma. Aliás, as alimárias antirreligiosas que repetem essa bobagem costumam se contradizer como esse aí fez, dizendo que os portugueses usaram de violência contra os que não se convertiam ao catolicismo. Ué!! E os portugueses queriam converter quem não tinha alma?????? Ateu antirreligioso é imbecil prá chuchu!

      Passando às outras muletas do tribunal fajuto da história dos antirreligosos imbecil (redundância, perdoem-me): Giordano Bruno foi de fato julgado e condenado pelo Santo Ofício, porém alegar – como fazem os divulgadores popularescos de ciência e os idiotas úteis que os engolem acriticamente – que um dos motivos da condenação (ou O motivo) seria a adesão de Bruno ao sistema copernicano, isso sim É DE DOER. Em 1600, o De Revolutionibus não era proibido e a Igreja não vivia à cata de quem o lia. Ele era, vale dizer, simplesmente rejeitados por muitos astrônomos observadores consagrados, o principal deles Tycho Brahe que mandou o modelo copernicano para o lixo. E não era sem menos – sabemos hoje que esse modelo era amplamente equivocado e ainda por cima um verdadeiro trambolho de artifícios matemáticos que longe de provar o heliocentrismo tornavam essa idéia uma caricatura do modelo ptolemaico.

      Era comum, por sinal, na segunda metade do século XVI dizer-se heliocentrista, sem que isso acarretasse qualquer perseguição do Santo Ofício.

      Quanto ao caso Galileu, é a velha muleta de quem acusa os outros de não ter argumentos, ao mesmo tempo em que se serve do passado distante (e falso) para arrogante e prepotentemente julgar quem não gosta no presente (anacronismo cínico).

      O caso, entrementes, é que o cientista pisano estava também equivocado em defender um modelo que nem copernicano era, nem o (correto) heliocentrismo de Kepler.

      Quando o Santo Ofício o inquiriu a respeito de provas – falar nisso, os ateus imbecis não são fanáticos por exigir provas? – Galileu se viu em maus (péssimos, melhor dizendo) lençóis e o resultado foi um festival de má ciência que lembrar é um desserviço à memória dele.

      A verdade, então, nua e crua, que os antirreligiosos que usam essa muleta não se dispõem (ou não possuem capacidade cerebral para isso) a refletir é que Galileu abjurou:

      1 – PORQUE ESTAVA ERRADO;

      2 – PORQUE NÃO CONSEGUIU PROVAR O QUE AFIRMARA SER UMA CERTEZA;

      3 – PORQUE ERA UM ARROGANTE PRESUNÇOSO, VIOLENTO, PORÉM COVARDE

      Não há o menor fundamento ou base histórica para afirmar que o cientista fingiu perante os inquisidores. É a mesma farsa idiota do “eppur si muove”, frase que ele jamais poderia ter dito, sem arcar com consequências de um perjúrio indisfarçado. Impressiona-me a indigência intelectual desses antirreligiosos que não são capazes de uma centelha de raciocínio. Bom … Aí seria esperar demais dessa gentinha, não?

      O resumo de Galileu é, precisamente: foi um grande cientista em áreas da mecânica, como a cinemática, a queda livre dos corpos e a estática dos fluidos; foi um exímio astrônomo observador; foi um pioneiro da experimentação na física. Em contrapartida, foi um fracasso na mecânica celeste; um razoável intéprete das observações celestes; e um sujeito agressivo com os seus pares, e covarde com as autoridades.

      Outra baboseira é a de que “grande parte” das guerras teve motivação religiosa. Bobagem! Estudei anos a fio e ainda estudo história militar e tirando o velho binômio propriedade-poder, o resto é uma irrisória minoria.

      Encerrando, cito uma frase colhido do mesmo comentarista arrogante, tão ridiculamente contraditório:

      “Na escola, a violência deve ser combatida com o ensino ao respeito e ao reconhecimento da dignidade intrínseca a todos”

      Pois é … Um imbecil vem aqui, desrespeitando a nós católicos, deixando de reconhecer nossa “dignidade intrínseca” e tudo sob essa frase idiota de efeito. Corja de hipócritas. Que moral um estúpido desses tem para questionar a moral de uma religião de dois mil anos?

  2. Gilberto Ramos ribeiro
    13 de outubro de 2012 at 12:59

    bonito discurso, porém repleto de silogismos nos quais o âmago principal permanece subjacente e impedido de se manifestar. A questão é: qual foi de fato a intenção de Paes? Foi necessariamente promover a moral e o ensinamento doutrinário aos alunos? Percebo mais um joguete político aqui. E como sempre utilizando recursos da Educação. Como professor recomendaria que a religiosidade doutrinária permanecesse entre a família e suas respectivas igrejas. Dispor em âmbito escolar um ensino doutrinário religioso não convém. Será que as Igrejas permitiriam que se ensinasse sociologia, filosofia, ciencia em seu recinto. Outra: afirmar que a religião por si só reduziria a imoralidade e proporcionaria o surgimento de bons costumes é balela. Pastores, padres e pessoas religiosas praticam comumente suas imoralidades com a bíblia debaixo do braço. Vejo,sim, a religião como muitas vezes a história comprova, como disseminadora de discordia, preconceitos e rixas. A seleção para professores assumir uma sala é ainda mais descabida e perigosa. Pessoas com cursos não lá aprovados pelo MEC, mediante uma seleção interna de sua religião, assumirão a defesa em sala de aula de sua respectiva religião. O que me consola: não irá dar certo, perceberão que erraram ( se já não sabiam antes, dado que o objetivo foi mais político).

    • David Gravatá
      15 de outubro de 2012 at 23:20

      Achei sem responsabilidade o comentário de Gilberto Ramos Ribeiro. Ele afirma que não se pergunta: “Será que as Igrejas permitiriam que se ensinasse sociologia, filosofia, ciência em seu recinto.” (?) Ora, a Igreja coordena várias instituições de ensino a séculos. Que pieguice infantil!!!!
      Há vários documentos eclesiásticos que orienta a seminaristas a estudarem filosofia. (Ver Carta Encíclica Fides et Ratio). A Igreja fundou várias escolas, universidades, financia inúmeras pesquisas científicas em todo o mundo.
      A melhor instituição com autoridade para falar de moral e bons costumes é a Igreja Católica. Não é partidos políticos, grupos esquerdistas “revolucionários”, materialistas céticos descrentes que defendem o Estado laico.
      A laicidade do Estado, afasta a moralidade religiosa da população, dando uma carência da natureza do homem. Isso fica mais evidente, quando se confunde Estado Ateu como sinônimo de Estado Ateu. Sem dizer que é anti-democrático, ora, a maioria da população brasileira é religiosa.

  3. David Gravatá (estudante)
    19 de março de 2012 at 20:43

    O esquisito é essa confusão imposta por uma pseudo-doutrina materialista em exercício no meio acadêmico radicalmente contrária a religiosidade do homem. O Fabiano tem razão, confundem a laicidade com aspecto anti-religião. Ou seja a defesa do Estado laico defendido pelos “sabios” ateus tem um propósito discriminatório.
    Tenho amigos, que estão sendo hostilizados em universidades públicas por defenderem sua fé. É um absurdo, neste século vivenciarmos perseguição religiosa, sobretudo por intelecuais que se acham contra fundamentalistas religioso.
    Há deboche contra religiosos, bulling nas faculdades nas áreas humanas. Como se ridicularizando o homem, o materialismo fosse única verdade.
    Estado laico, não é Estado ateu. Ensino laico, não é Ensino ateu!

    • 19 de março de 2012 at 21:00

      E esses que fazem bullying são os arautos da tolerância, David. Tudo é tolerado, enquanto ficar do jeitinho que eles gostam.

  4. Fabiano Gomes
    19 de março de 2012 at 16:32

    Essa questão religião x estado realmente é bem complicado. Digo isso pq trabalho em uma instituição declaradamente laica e em uma escola da rede municipal carioca.
    O discurso por parte dos “laicos” é de total reprovação à qualquer tipo de aproximação com a religião. Nesse ambiente há confusão muito grande de conceitos, pois associam laicidade à arreligiosidade. Já fui criticado por usar uma camisa cuja estampa continha mensagem religiosa.
    Por outro lado, na escola da prefeitura percebe-se o quanto o povo ainda é religioso (ou com tendências religiosas). Nesses ambientes é comum falar em religião ou se declarar como religioso, seja por parte de alunos, pais ou mesmo profissionais. Ninguém se sente constrangido por isso e, pelo contrário, apostaria fortemente que essa novidade nas escolas do Rio será aprovada por parte dos pais.
    Desvencilhar a ideia de laicismo com a da arreligiosidade em nossa sociedade não parece fácil, mas temos a nosso favor justamente o fato de a maioria do povo ter afeição com a ideia de Deus. O trabalho é longo.

    Paz e graça!

  5. Priscila
    19 de março de 2012 at 15:23

    Apenas achei esquisitos os critérios apresentados no edital do concurso. A pessoa deverá ser formada em algo que o habilite a estar como professor em séries iniciais – não necessariamente teologia – e um certificado da Instituição da qual ele faça parte, atestando sua qualificação para ministrar aulas de ensino religioso….Como isso se daria para um professor católico, por exemplo? Curiosidade apenas….Achei frágil tal requisito….

    • 19 de março de 2012 at 15:26

      Os licenciados têm que se apresentar na Cúria do Rio de Janeiro e apresentar o diploma de algum curso de formação católico, para poder concorrer à vaga de professor de catolicismo. Lá existem os cursos Luz e Vida, Mater Ecclesiae, e o de Teologia para Leigos, além da Teologia da Puc.

      Até mais!

  6. 19 de março de 2012 at 14:19

    Valiosíssimo artigo! Os argumentos estão muito bem expostos.
    Sedentos por impedir a realização do ensino religioso, os ateístas ignoram o seguinte:
    1) que o ensino religioso será devidamente facultativo, então eles poderão continuar a privar seus filhos da doutrinação que forma seres humanos mais dignos;

    2) a baixa qualidade do ensino é causada também pelo BAIXO INTERESSE DOS ALUNOS, bem como pelo crescente desrespeito dos mesmos para com os professores, para com a escola, para com a educação em si e para com o desejo de seus pais de que estudem e se formem. A situação assim está porque falta disciplina e obediência nessas crianças e adolescentes. Disciplina esta que a doutrinação religiosa é altamente capacitada de ensinar.

    • 19 de março de 2012 at 14:22

      Bem lembrado, Bruno. Importa recordar que o ensino é facultativo. Obrigado pelas sempre oportunas palavras.

      Até mais!

  7. David Gravatá (estudante)
    19 de março de 2012 at 03:17

    Pois é. A quem na verdade interessa esse discurso em defesa de um Estado laico com característica ateísta? A essa hostilidade a proposta de ensino religioso em instituitção pública custeado pelo cofre público?
    A resposta parece tão óbvia.
    Mas, o mais curioso é imaginar o porquê desse discurso de argumentos tão afinados.
    Acho que são aqueles que se afirmam intelectuais, pensasores, denfesores da liberdade, porém tendenciosos ao materialismo. Como que o ensino religioso afrontasse de tal modo seus ideais. Pois uma disciplina que aborda a espiritualidade por uma conotação diferente (a religiosa), iria desvirtuar a conotação materialista, onde a espir

    • David Gravatá (estudante)
      19 de março de 2012 at 03:34

      [Continuando]
      … espiritualidade muito relacionado a “vontade” humana, onde na religiosida há transcedência.
      Exemplo: para um socialista radical convicto, afirma-se cim uma alma revolucionária. Na religiosidade, a alma tem um entendimento mais denso além das espectativas do materitalista.
      O materialista não querendo admitir os argumentos contido na religiosidade, torna-se hostil a qualquer pensamento envolto a espiritualidade do homem.
      Daí esses reflexos antagônicos de polarização, onde os materialistas confundem com tanta veemência Estado laico como Estado ateu um ideal para o Brasil (de população de maioria religiosa).

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