Ética no Vestuário – I

Na véspera do dia mais importante do ano para os cristãos, no Sábado de Aleluia, reúnem-se em torno do Círio Pascal assembleia e celebrante, rogando a Deus que abençoe o Fogo Novo, aquele que um dia virá novamente, não para aquecer, mas para purgar. Nesta cerimônia belíssima, o celebrante – enquanto fere o Círio com cravos – profere o que para alguns é a bênção mais bela de todo Ano Litúrgico: “Jesus Cristo, ontem e hoje, Alfa e Ômega, Princípio e Fim. A Ele o Tempo e a Eternidade, a Glória e o Poder, pelos séculos sem fim“. O Senhorio de Cristo é proclamado de forma total e absoluta, demonstrando que não há recanto da vida humana, aspecto pessoal ou comunitário que escape ao Seu comando.

No entanto, é comum ouvir que há áreas da vida humana onde o Senhor Jesus não entra: por exemplo, há correntes teológicas que expulsaram o Senhor da vida íntima do casal. Jesus Cristo e sua Igreja podem (para uns devem) legislar sobre economia, sobre política, sobre justiça, sobre direito internacional, mas não pode intrometer-se na minha vida conjugal. Entre quatro paredes, dizem tais teólogos, o Senhor Jesus não impõe qualquer limite ético ao casal. Lá, nesse recôndito da vida do fiel, o Senhor Jesus não exerce seu senhorio; de outro lado, há quem estabeleça que a vida conjugal também está sob o Domínio do Senhor dos Exércitos, mas a relação patronal ou fiscal não se submete Aquele que é Alfa e Ômega. Tudo bem que eu respeite as normas éticas na vida conjugal, mas que o Senhor não me venha falar de justiça na minha relação econômica. Dizem as más línguas que o último órgão do corpo humano a se converter não é a cueca, é o bolso!

Ora, a filosofia nos ensina que todo agente, no momento mesmo da sua ação, visa um fim que organiza e orienta esta mesma ação (omne agens agit propter finem). Sendo assim, um ato simples, como o ato de escolher o vestuário, está repleto de significados, sejam eles teológicos – visto ser esse também um aspecto que deve submeter-se ao Senhorio do Ressuscitado -, sejam filosóficos – porquanto referem-se a um fim que é intrínseco a toda ação humana.

Embora haja uma discussão sobre a licitude de se teorizar sobre a vestimenta e sua eticidade, importa reforçar que há, sim, a necessidade de se adequar o vestir às normas éticas e teológicas pelos motivos acima.

Qualquer dia voltamos ao assunto.

Robson Oliveira

4 comments for “Ética no Vestuário – I

  1. Analice Silva Martins
    9 de agosto de 2010 at 13:11

    É professor a frase: “Você é responsável portudo que aquilo que cativas” , também serve para: você é responsável por tudo que conheces… E a sua matéria está me fazendo pensar….. Não sou mais ignorante e passo a ser mais responsável pelo que conheço. Um gande abraço.

    • Robson Oliveira
      9 de agosto de 2010 at 16:22

      Se tem algo que me torna feliz é saber que nosso convívio acaba por levar alguns amigos à reflexão. Em nosso momento histórico, tão cheio de “obrigações” e “necessidades”, onde tempo é um bem escasso, reservar um tempo para refletir sobre questões tão importantes é um privilégio, Analice. Aproveite! E não deixe de partilhar conosco suas conclusões.

      Abração fraterno!

  2. Flavia Gomes
    9 de junho de 2010 at 06:05

    Volte ao assunto sim, professor. É bem pertinente. O vestuário, além de um forte elemento cultural, é um cartão de visitas, é algo que expressa muito da pessoa. Não há como separá-lo da ética e dos princípios doutrinários que permeiam a nossa vida.

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