Eu não sou Charlie – Je ne suis pas Charlie

Lendo e meditando sobre os últimos acontecimentos na França, percebi que não sou Charlie. Minha alma, resistente aos movimentos da manada, se rebelou ao ver tantos jovens burgueses, tantos discursos maniqueus nas mídias mais diversas, concordando caprinamente sobre assunto tão complexo. Costumo suspeitar desses movimentos muito enraizados nos mass media e nas redações, sem qualquer senso crítico. Além disso, toda análise social que se pretenda séria e profunda precisa fugir dos simplismos. E não há nada mais simplista e, portanto, mais falso que descrever o mundo entre bons e maus, entre os puros e os impuros. As diversas análises que li sobre os lamentáveis fatos ocorridos na França têm esse ponto em comum: são unânimes em redimir os Charlie e demonizar o Islã. Não acho que seja tão simples assim.

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Não é de minha natureza seguir modas, não costumo me mover pelo espírito bovino. Pelo contrário, de minha parte não temo assumir posturas controversas. Por exemplo, assumo algumas intolerâncias na minha vida, sem vergonha ou receios. Sou um radical defensor da liberdade, coisa que o Charlie Hebdo não deixa claro se é. A revista francesa, em favor de umas liberdades, ultraja outras. Por isso, são sou Charlie.

De minha parte, sou um intolerante defensor da fé islâmica, embora eu mesmo não seja nem pretenda ser um. Sou um intolerante defensor do direito de qualquer um ter a fé que quiser, contanto que respeite o direito natural e a fé de outros. O que significa respeitar o direito de mudar de religião, caso o fiel entenda que deve seguir sua consciência. O Charlie Hebdo não respeita o direito à religião e, por isso, não sou Charlie.

Também sou a favor da liberdade de expressão, sou favorável à liberdade de religião, à liberdade de culto, sou a favor da tolerância religiosa. Todos valores que os Charlie, durante sua curta história, têm ofendido frequentemente. Por isso, não sou Charlie.

Sou contra a violência física sem motivo, mas também sou contra a violência ideológica, a violência contra o sentimento religioso. Essas últimas, violências reiteradamente perpetradas sem armas nem bombas, mas nem por isso menos cruéis e vilipendiosas. Há muitos modos de matar pessoas e instituições apenas com lápis e borrachas. O Charlie Hebdo sabe fazer isso como ninguém e, por tudo isso, não sou Charlie.

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9 comments for “Eu não sou Charlie – Je ne suis pas Charlie

  1. HENRIQUE
    26 de Janeiro de 2015 at 11:28

    A ideia exposta pelo articulista é exatamente a minha desde o início. Que tipo de pessoa acha graça e/ou defende essa forma de “liberdade de expressão”? Eu também NÃO SOU CHARLIE.

  2. paulo henrique de souza
    20 de Janeiro de 2015 at 11:33

    Parabéns pelo artigo.Devemos ter consciência do que vivemos, temos que expor nossa opinião como cristãos, portanto eu também não sou Charlie! !!!!

  3. julio
    16 de Janeiro de 2015 at 08:11

    Parabens pelos comentários .Faço minhas suas palavras e acrescento mais : SOU TOTALMENTE CONTRA TODA E QUALQUER TIPO DE VIOLENCIA , POREM IMPORTANTE DEIXAR BEM CLARO , QUE A RAIZ DE TUDO ISSO SE CHAMA ” IMPERIALISMO AMERICANO “.Esse CANCER mundial chamado USA , que vem espalhando o verdadeiro terror pelo mundo afora , treinando , armando e depois perseguindo e chamando de TERRORISTAS , aqueles que não mais rezam sua cartilha . Temos exemplos , AFGANISTÃO , IRAQUE , IRAN etc… O proprio SADAN HUSSEIN , foi “parceiro ” dos USA ( CIA) , depois perseguido e morto como TERRORISTA . Não estou aqui defendendo o TERRORISMO , muito menos nenhuma forma de violencia , mas precisamos ser justos . È necessário , e as organizações mundiais , determine aos USA que saiam dos territorios alheios , com seus soldados , e que paises como a propria frança , abandonem as alianças como esse pais fomentador de guerras , destruição e desgraças alheias .

  4. Ivanilza santos de Mello
    15 de Janeiro de 2015 at 23:52

    Nossa estou chocada com essas fotos
    Nao sei me expressar mas sempre pensei desse mesmo jeito pois acho uma falta de respeito essas charges e quem quer respeito deve dar respeito a midia quer colocar guela a baixo que eles sao santos e os outros os viloes
    Parabens belo belissimo e verdadeiro texto

  5. Hamylton Anjios
    13 de Janeiro de 2015 at 23:12

    Parabéns pelo artigo, faço minhas suas palavras. Não entendo como o sistema democrático permite que ilegalidade sejam vistas como legais. Legislações sobre publicidades precisam ser revistas. Je ne suis pas Cherlie.

  6. Vitor Hotz
    13 de Janeiro de 2015 at 13:45

    Uso suas palavras como as minhas, estava procurando uma forma de expressar minha opinião e não cair na manipulação da mídia como muitos estão, muito bom seu texto !

  7. Fernanda
    12 de Janeiro de 2015 at 11:46

    Excelente artigo, parabéns!!!!!

  8. LMF
    12 de Janeiro de 2015 at 11:08

    Parabéns pelo artigo!! Uma das opiniões mais sensatas e ponderadas que li sobre o assunto!
    Add o site aos meus favoritos!!

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