Felix Culpa!

Pai não mais leva em conta os pecados do mundo se este estiver agindo em união com seu FilhoDeus Pai “como que” olha o mundo através das Chagas do Redentor e, assim, comove-Se por Amor ao Filho Imolado na Cruz

“Tu nos criastes para Vós e nosso coração está inquieto enquanto não repousa em Vós” (Santo Agostinho). Toda criação está voltada ao fim de sua natureza, o Criador. Sem Ele não há sentido de ser, não há nem mesmo Ser na criação, sem Ele nada existiria. O universo conspira para a Glória de Deus! O universo prova a existência e o amor de Deus!

Dentre todas as criaturas, ò Senhor, o homem é a única que Vós amais por si mesma. E isto não por nosso mérito, pois de fato nem os temos, mas porque assim quisestes. O homem é imagem e semelhança Vossa. Portanto, é do homem a incumbência mais grave de louvar e glorificar ao Pai, visto que este tem parcela maior da Benignidade e da Graça de Deus.

Santo Agostinho

A criação dá glória a Deus cumprindo o fim ao qual foi criada. O universo glorifica-O sendo universo; a planeta sendo planeta; os animais sendo animais; o homem sendo verdadeiramente homem, o que implica não limitar-se ao natural. Todos cumprindo tão somente a natureza inerente a si mesmo, mas o homem é chamado a transcender. Ao homem cabe glorificá-lO com aquilo que o distingue de toda a criação: atos livres e refletidos, interiores ou não. Em cumprir os ditames da natureza, sem as intromissões do pecado, está o segredo da glorificação de Deus e, consequentemente, da santificação do homem.

A plena glorificação de Deus é ato concomitante à santificação do homem. Quando há a devida honra ao Criador a criatura responsável se eleva e, misteriosamente, por ação do Amor de Deus, eleva-se toda a espécie responsável. São os mistérios insondáveis do Amor do Criador para com a Criação.

Apesar de toda criatura ser chamada à santidade – e em especial o homem – não é fácil  alcançá-la. O pecado entrou na história do homem e não permite que este cumpra seu fim integralmente, sem falhas. Tal é o dano que “se não fosse a Graça de Deus, o homem, entre o bem e o mal, sempre escolheria o mal (Santo Agostinho). Porém, onde abundou o pecado, superabundou a graça (São Paulo). Por isso Agostinho pode proclamar: felix culpa! O erro do primeiro Adão proporcionou a Graça da Redenção. O segundo Adão fez com que a criação exultasse mais com sua Redenção que com a criação. De certa forma, Jesus “recriou” todas as criaturas mas não por um novo ato de criação senão por um livre ato de obediência e imolação. É a loucura de um Deus que ama! Tal é o amor que Jesus deu a chance a todos de se santificarem por meio da Cruz. O Pai não mais leva em conta os pecados do mundo se este estiver agindo em união com seu Filho. Deus Pai “como que” olha o mundo através das Chagas do Redentor e, assim, comove-Se por Amor ao Filho Imolado na Cruz. Mas isto somente para aqueles que reconhecem o Cristo como Salvador pois “quem tentar salvar a sua vida perde-la-á e quem perdê-a, salva-la-á” (Mt 10, 39).

Santifiquemo-nos porque é esta a Vontade do Pai. Não merecemos, é verdade, mas quem somos para negarmos ou analisarmos os Desígnios Divinos.

Ò Maria, Mãe do Redentor, ensina-nos a amar!

Robson Oliveira

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