Giges de Paetês

Em A República, livro famoso da literatura filosófica universal, pode ser lida a estória do mito de Giges. Trata-se da lenda de um pastor que inadvertidamente descobre um anel com virtudes extraordinárias: ao usá-lo de um modo, o artefato torna quem o usa invisível; de outro, o seu proprietário volta ser visto por todos normalmente. Essa estória conta Platão para seus discípulos, com o intuito de provocar-lhes uma questão: se um homem tivesse a virtude da invisibilidade e, com isso, tivesse a certeza que seus crimes jamais seriam punidos, ele se comportaria como ordenam as leis da ética? O controverso fim da estória sustenta que a certeza da impunidade geralmente gera bestas, não homens. Essa questão, porém, pode ser vista de outro modo: se o homem fosse capaz de produzir artefatos ou intermédios que tornassem pessoas comuns, pessoas submetidas às leis gerais, imunes a elas ou até superior a todas, isto seria lícito ou bom para os homens? Pois bem, o Anel de Giges não existe, pois é um mito com um sentido pedagógico. Contudo, o que Platão só imaginou fazer com um anel, os gays brasileiros estão conseguindo usando batom e blush. Com paetês em volta do pescoço, alguns cidadãos sentem-se acima da lei e tornam-se, de fato, praticamente inatingíveis. É importante notar que estão em andamento instrumentos jurídicos que transformam pessoas comuns em super pessoas, diferentes de nós que lemos estas páginas. Estes instrumentos tornam esses privilegiados cidadãos especiais, cidadãos acima da lei. O caso recente do senhor Laerte Coutinho é exemplar dessa artimanha.

Reprodução – Bebê assustada com o “shape” de Lady Gaga

O senhor Laerte Coutinho, homossexual famoso e com a mídia a seus pés, protagonizou cena esclarecedora recentemente. Fazendo tremer uma menina de 10 anos, que o flagrou em banheiro feminino de uma pizzaria, moveu mundos e fundos para que a pizzaria e a mãe da menina fossem punidos por reclamarem de que lugar de homem, vestido de mulher ou de marciano, é no banheiro masculino. O empregado da Folha de São Paulo usou toda a sua influência midiática para punir o restaurante e a família usando uma lei estadual aprovada no governo do PSDB de São Paulo. Para levar a cabo sua vingança contra a menina e sua mãe, o senhor Laerte contou com o aberto compromisso que os meios de comunicação têm com a causa gayzista. É tão grande o apreço das grandes mídias pela causa que repórteres importantes, como o Rodrigo Alvarez, em reportagem de espaço desproporcional no telejornal matutino da Globo, esqueceu o dever de toda boa reportagem: o direito ao contraditório. Durante toda a reportagem, o jornalista “esqueceu” de citar que a menina foi quem assustou-se com o gay travestido e foi ela quem moveu mãe e restaurante a retirar o senhor Laerte do banheiro. É preciso lembrar duas coisas aos senhores homossexuais e aos meios de comunicação que estão de joelhos diante deles:

1. Todos os cidadãos brasileiros devem respeitar a privacidade e a intimidade dos outros cidadãos (CF, art. 5, X). Aos homens não é permitido entrar em vestiários, lavatórios, saunas, enfim locais exclusivamente femininos. Para as mulheres, exige-se o mesmo. Os homossexuais, no entanto, querem burlar essa norma que vale para todo cidadão e desejam ter acesso a qualquer lugar, sem que lhes seja dito um “ai”. O senhor Laerte Coutinho quer, por exemplo, entrar no banheiro feminino vestido de menina enquanto outro quererá, igualmente assim vestido, entrar no dos meninos. E haverá aquele que entrará ora em um, ora em outro. Pois afinal, ele está acima dessas leis medíocres, que dizem que homem é homem e mulher é mulher. O dia que um desses senhores quiser, ele sai de casa sem suas indumentárias típicas e entra no banheiro masculino. À noite, na balada, vestido de modo feminino, entra no banheiro feminino.

2. Aos cidadãos brasileiros é garantido o direito ao exercício de suas práticas religiosas  (CF, art. 5, VI). No entanto, os super-cidadãos homossexuais já podem, apesar do texto da Constituição Federal e sem a existência de qualquer lei que o garanta, achincalhar, ofender, ironizar, atacar com palavras e sinais outros cidadãos, que divulgam sua fé pacífica e ordeiramente, como aconteceu recentemente no interior de São Paulo.

Reprodução – se existisse um anel com tamanha virtude, o que faria quem o usasse?

Para arrepio de Platão, o anel de Giges não existe, mas os homens do século XX já inventaram um jeito de tornar alguns cidadãos invisíveis perante as leis. Atualmente ser homossexual é investir-se de um super-poder, que o torna quase intangível. O que Platão não conseguiu com o artefato lendário, o que só a literatura inglesa conseguiu em “O Senhor dos Anéis”, o nosso tempo atribui ao paetê. Monido de salto 15, purpurina e unhas postiças é possível atravessar qualquer barreira legal, muito depois de já estraçalhar qualquer limite moral.

As autoridades brasileiras deveriam pensar muito bem nas leis que promulgam. A legislatura de São Paulo recentemente deu poderes a esses indivíduos, poderes que são pretendidos no nível federal e que já os tornam diferentes da grande maioria da população. De fato, essas leis são inconstitucionais, pois contradizem a igualdade entre os cidadãos, destacada na letra da Constituição Federal. Mas de nada adianta isso, se os juristas não fizerem sua parte, que é demonstrar que a lei não pode ser mantida sem negar a Carta Magna do Brasil. Enquanto isso, o que vemos é um grupo de Super-Cidadãos, um grupo que pode ofender e zombar e até cometer crimes, sem que o braço da lei lhes incomode.

Robson Oliveira

10 comments for “Giges de Paetês

  1. 13 de dezembro de 2014 at 14:44

    No meu ponto de vista ele não tem vergonha na cara.

  2. Herbert Burns
    25 de Fevereiro de 2012 at 02:51

    Quanto a colocação do Sr. Paulo, não. Não é direito a união de pessoas do mesmo sexo. Nunca foi. Nem é digno que se busque. Nem mesmo a união de vários casais, ou o que é muito comum no nosso país, a união de um homem e várias mulheres. Nem tampouco a união de pai e filha, e olhe que se for escolhido democraticamente, a união estável entre pessoas do mesmo sexo perde de longe. Qual o motivo para favorecer a união de pessoas do mesmo sexo? A fidelidade que eles tem um pelo outro? Simpatia? Qual Sr. Paulo? Tendências? Modismo? Explique. Não perca a oportunidade.

  3. Herbert Burns
    25 de Fevereiro de 2012 at 00:22

    O curso do SENAD diz que esquizofrênico vê, entre outras coisas, as pessoas ao redor como conspiradores. Ora eu não me considero conspirador! Essas pessoas, digo, Sr. Laerte e cia, não passam de homens, mesmo que mutilados, deformados fisicamente, por meios de drogas hormonais, etc. Não passam de homens, mesmo negando, são homens. Mas como eles se vêem como mulheres, agem como mulheres, não quer dizer que nós temos que vê-los como mulheres. Afinal esta visão que eles tem de si mesmos é que os caracteriza. Então eu não me vejo nem como conspirador no caso das pessoas que sofrem transtornos mentais nem tampouco como homossexual, tendo as mesmas visões dessas pessoas. Eles podem se apresentar como quiserem, mais serão sempre homens, mesmo que homens fracassados, homens mutilados, homens deformados, homens transtornados. Homens. E acredito que podem voltar a traz e assumirem o que de fato eles são: homens! A visão que eles tem de si mesmo, não é capaz de mudar sua natureza, muito menos a minha!

  4. Paulo Falcão
    22 de Fevereiro de 2012 at 13:17

    Laerte está absolutamente errado nesta pendenga. Agora, se a atitude do cartunista afrontava direitos individuais, a luta séria pela união estável e direitos conexos não afronta o direito individual de ninguém. Sou heterossexual e defensor dos direitos civis, que neste caso foram violados pelo Sr.Laerte. No entanto, discordo fortemente do tom adotado no texto. Este alarmismo me parece mais homofobia do que qualquer outra coisa. A crítica ao Laerte está correta, mas o teor geral da mensagem é equivocado. Não há nada de errado na luta por direitos civis, como a união estável entre pessoas do mesmo sexo e seus direitos conexos à herança, aposentadoria, planos de saúde etc. Espero que você não use episódios bizarros como argumento contra a luta por direitos legítimos.

    • 23 de Fevereiro de 2012 at 19:59

      Não se trata de ir contra contra direitos patrimoniais. Trata-se da ereção de um grupo especial de pessoas, que pode afrontar, xingar, achincalhar, ofender, escandalizar outros cidadãos, inclusive crianças, sem que o braço da lei lhes incomode. Desculpe se o texto pareceu alarmista, mas é que o caso é alarmante mesmo.

      Até a próxima!

  5. David Gravatá (estudante)
    1 de Fevereiro de 2012 at 10:20

    De fato o senhor Laerte ( ou D. Suzana, ou D. Sônia, ou, sei lá) está como a sociedade brasileira, extremtamente confuso. Creio que na cabeça em sua excentricidade, saiba quem verdadeiramente é. A impressão após ter ocorrido do escandaloso episódio na pizzariva é a de causar impacto, se mostrar para a mídia, como se isso fosse necessário.
    Ser crossdresser pode ser considerado um desvio grave de personalidade e identidade sexual.
    É certo que na História da Igreja, houve um fato digamos, parecido, Santa Joana D’Arc, no século XVI vestiu srmadura de cavaleiro, uma vez aue era sbsolutamente incomum a convocação de mulheres para a guerra, ela, joana em obediência ao rei da França (Carlos VII) guerreou contra os ingleses. Os ingleses porém ao capturá-la, fizeram questão de denegri-la, acusando-a falsamente de heresia. Mas Santa Joana, em hipótese alguma pôs dúvida em sua sexualidade, os documentos históricos comprovam. Apesar de parecido, não é igual.
    Os crossdresses escandalizam, pior ainda é o comportamentto forçado na sociedade. Convenhamos, um crossdresser com suas necessidades fisiológicas, deveria então todos os estabelecimentos terem banheiro privativo para estes?
    Quer saber? O problema não é este. O problema é moral. É da falta de educação religiosa que este Estado Laico quis negar paea a sociedade brasileira. Estas novas gerações pervertidas sexualmente é fruto é fruto dessa liberdade sexual, do amor livre, do sexo sem camisinha, da pílula do dia seguinte, etc.
    Devemos temer que a sociedade sociedade ruma para assumir características como Sodoma e Gomorra, pois se o juízo de Deus for o mesmo do Antigo Testamento, poderá termos colossais tempestades de fogo e enxofre, e várias estátuas de sal.
    Sem proselitismo, não dá para aceitar qualquer coisa, “como tudo pode, tudo é permitido” o anel de Giges permite me esconder das leis, da ética e de Deus. Grandz engano, este anel é um mito, como o anel do Senhor do Escuro, e o Elmo de Tarn (Mitologia Nordica). Mas me preucupa saber: se esses que fazem o que fazem tão “naturalmente” aos olhos de todos, então o que fazem as escondidas?
    Bando de sem-vergonhas depravados, arrependam-se.

    A paz.

    • 1 de Fevereiro de 2012 at 10:24

      Eis em que se transforma o que foge das leis
      Eis em que se transformam os que tentam esconder suas ações fugindo das leis, sejam positivas ou naturais.

      • David Gravatá (estudante)
        1 de Fevereiro de 2012 at 10:32

        “A arte imita a vida” rsrsr.

  6. Alexandre Martins
    1 de Fevereiro de 2012 at 08:47

    cumpre uma ressalva ao bom texto:

    Laerte não é homossexual.

    O cartunista é adepto do “Cross-dressing”.

    O termo se refere a pessoas que vestem roupa ou usam objetos associados ao sexo oposto, por qualquer uma de muitas razões, desde vivenciar uma faceta feminina (para os homens), masculina (para as mulheres), motivos profissionais, para obter gratificação sexual, ou outras.

    Um crossdresser pode ser heterossexual, homossexual, bissexual ou assexual. O crossdressing também não está relacionado com a transexualidade.

    Informação completa pode ser adquirida no sítio oficial do movimento em /www.bccclub.com.br

    • 1 de Fevereiro de 2012 at 08:54

      Obrigado pela informação, Alexandre. Mas ele mesmo tem nome de guerra. Se não me engano é Suzana… Ou Sônia. Isso não configuraria homossexualidade, já que ele usa esse pseudônimo nas festas e eventos que participa? Além do que, foi utilizando uma lei que favorece homossexuais em São Paulo que ele processou a pizzaria e intimidou a mãe e sua filha, inclusive ligando para a casa dessa cidadã.

      De qualquer forma, acho que o problema permanece. Não é possível a qualquer movimento de qualquer vertente violar direitos constitucionais e ficar impune. Isto muito depois de violentar direitos humanos básicos.

      De novo, obrigado pela informação, Alexandre.

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