Hipocrisia dos que elogiam Papa Francisco

Dizem que agora a Igreja está pobre, mas nem por isso os críticos abandonaram sua vida rica e luxuosa; dizem que agora a Igreja está moderna, contudo não deixaram o abortismo; dizem que agora a Igreja está tolerante, mas nem por isso abandonaram sua intolerância religiosa contra o clero e a Igreja.

Há alguns dias predissemos o processo de demolição da imagem e de desconstrução dos discursos do Papa Francisco (aqui), que tomaria a mídia nacional e que seria tão célere quanto mais claros fossem os discursos de Francisco explicitando suas convicções teológicas e comunicando suas decisões magisteriais. Pois bem, não é que um nome da realeza teológica brasileira, I. Gebara, acaba de expressar-se lançando sombras sobre as convicções teológicas do Papa Francisco e das motivações dos jovens participantes da JMJ?.

Para minorar o mal-estar de ofender um Sumo Pontífice reconhecidamente pobre, simples e tolerante (como os outros, aliás), a teóloga representante do establishment teológico nacional, uma das mais altas personalidades da burguesia acadêmica brasileira doura a pílula e elogia as virtudes do Papa, sem esconder sua atitude de base quanto ao Magistério de modo geral: desobediência renitente. Mas a posição da escritora é a mesma de muitos outros cristãos católicos por aí. Simples hipocrisia!

Há uma verdadeira epidemia de elogios ao Papa: elogia-se a pobreza do Papa Francisco, mas a admiração pelo seu ato não faz com que sejamos mais pobres. Se era a Igreja “rica” o motivo do afastamento de tantos da Igreja, por que não se convertem agora que há alguém tão claramente desprendido como Francisco?

Elogia-se a simplicidade da liturgia do Papa, mas a simplicidade litúrgica não torna os que adulam essa simplicidade mais próximos das celebrações da Igreja. Se o uso de prateados torna os ritos mais atraentes a alguns, por que os que elogiam a simplicidade de Francisco não os converte em cristãos? Elogia-se o diálogo que Francisco entabula com outros credos. Se uma Igreja “intolerante” afastava os ateus e indecisos da religião, por que não entram agora na fila de batismo, já que Francisco é um Papa do diálogo? Está claro que o dilúvio de elogios ao Papa é pura estratégia, pois não resulta em consequente mudança de vida, seguimento de exemplos ou algo que o valha dos que o elogiam. Afinal, dizem que agora a Igreja está pobre, mas nem por isso abandonaram sua vida rica e luxuosa. Quantos carros populares deram lugar a carros de luxo nos editoriais dos jornais e telejornais desde que o Papa informou sua escolha pela pobreza?; dizem que agora a Igreja está moderna, contudo não deixaram o abortismo. Quantos defendem a vida incondicionalmente, desde a modernização do discurso da Igreja?; dizem que agora a Igreja está tolerante, mas nem por isso abandonaram sua intolerância religiosa contra o clero e a Igreja. Quantos abandonaram seu ateísmo beligerante diante da tolerância de Francisco?

Os elogios a Francisco talvez tentem pôr na sombra a importância de Bento XVI no seu Pontificado. Afinal, o Bispo de Roma tem convidado frequentemente o Bispo Emérito para tomar assento em cerimônias oficiais, além de ser lugar-comum a notícia de que a Lumen Fidei tem dedos do papa alemão em conjunto com o papa argentino. Muitos podem ser os motivos para elogiar o Papa, mas enquanto os elogios não forem acompanhados de atos concretos, é tudo hipocrisia midiática!

Teatro

 

2 comments for “Hipocrisia dos que elogiam Papa Francisco

  1. 13 de agosto de 2013 at 10:46

    Acho incrível a capacidade de reclamar desse povo, bem como a incapacidade de colocar a sua posição, o seu ponto de vista em duvida.

    Querem a todos custo impor a sua posição. A Igreja isso e aquilo, mas não param para pensar e dialogar realmente o porque de determinadas atitudes, logo apontam como culpado um machismo, um clericalismo, um “ismo” qualquer. Não sei se é preguiça, covardia, pobreza ou mesmo um tipo de manipulação “intelectual”.

    No fim do texto ela deixa claro a quem ela serve e porque começou a atacar a Francisco e aos Jovens da Jornada. LGBT, Feminismo, TL, etc, etc.

  2. Beth Dias
    8 de agosto de 2013 at 10:05

    É isso mesmo. Conseguem tornar tudo um chamariz de audiência e parâmetro de atualidade. Mas quando tudo passa, não é mais novidade e outros acontecimentos tomam o lugar, vem a crítica pela crítica. Mas de auto-critica, nada. Exame de consciência, nada. Coragem para se descobrir, nada.

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