Iemanjá pode; Nossa Senhora não pode

Parece que o estado só é laico quando o assunto é Igreja Católica 

Assistindo ao encerramento das Olimpíadas de Londres/2012, fiquei feliz em ver como o Rio de Janeiro é eclético no campo cultural. Seu Jorge e Marisa Monte, penso, não representam dois lados da mesma moeda musical.  É verdade que, para ser mais preciso, outros artistas cariocas, que movimentam o ambiente musical da cidade, poderiam fazer parte do evento, como cantores de música gospel, músicos clássicos, música pop carioca. Mas o que me chamou a atenção foi a referência religiosa da apresentação.

A cantora Marisa Monte surgiu no evento representando a divindade afro-brasileira Iemanjá, indicando claramente que a cidade do Rio de Janeiro tem, aos olhos do Comitê Organizador Brasileiro das Olimpíadas do Rio, alguma identidade com a personagem e com essa religião. Ora, essa indicação é obviamente falsa. Como recentemente foi divulgado pelo IBGE, a maioria esmagadora dos cariocas é católica e a população que confessa a fé no candomblé e na umbanda é, pelo contrário, minoria. Apresentar ao mundo essa personagem da fé afro-brasileira como representante do espírito da cidade é uma mentira deslavada e uma ofensa à maioria dos moradores da cidade.

Reprodução de O Globo: A cantora Marisa Monte, encarnando a divindade afro-brasileira Iemanjá, na cerimônia de encerramento das Olimpíadas-2012, de Londres

E mais: não é fácil esquecer a gritaria produzida pela grande mídia acerca da JMJ de Madrid. Falou-se de relações espúrias entre a Igreja e os governantes, toda sorte de acusações foram lançadas à Igreja Católica em Madrid. O que se viu, pelo contrário, foi um benefício sem igual para a cidade, chegando a cifra de 300 milhões de euros. Por ocasião da JMJ de 2013, que acontecerá no Rio de Janeiro, também já iniciaram a desfiar acusações e críticas absolutamente sem fundamentos. Falaram da segurança, da saúde, do transporte da cidade, que tudo isso ficará prejudicado. Como se o carioca vivesse em um paraíso de serviços… A histeria contra a JMJ do Rio esquece que outros eventos na cidade têm subsídios públicos, como o Carnaval, o Ano Novo, as dezenas de festas protestantes na cidade, todas com o apoio logístico da prefeitura. Nestes meses, a Igreja Católica foi acusada de imiscuir-se com a prefeitura e com o governo do Rio de Janeiro, em razão da Jornada Mundial da Juventude, de 2013. Na verdade, já se provou que o apoio logístico para a realização da JMJ é muito mais investimento que gastos (caso se repitam os números de Madrid, a cidade carioca arrecadará perto de 1 bilhão de reais!). Em se tratando de estado laico, a opinião pública carioca é bastante rigorosa… até a página dois.

Quando a cantora Marisa Monte empresta sua figura e sua voz (que não é propriamente um pechincha) para fazer as vezes de Iemanjá em Londres, os defensores do estado laico se calam. Não se viu nos grandes meios de comunicação nacionais ou da cidade nenhuma gritaria, nenhuma acusação às pessoas que protagonizaram essa relação imprópria entre religião e estado laico. Parece que o estado só é laico quando o assunto é Igreja Católica. Se a personagem a ser exaltada for outra que não da Igreja Católica; se o evento for outro que não evento da Igreja Católica, aí tudo bem correrem rios de dinheiro. Quer dizer, Iemanjá pode, mas Nossa Senhora não pode.

Na verdade, há quem argumente que as Olimpíadas são um evento laico, que não deve se misturar com fé e religião, que não se deve exigir do Comitê Olímpico Brasileiro fidelidade a fatos (sic!). Bem, de nossa parte, entendo que não se pode conceder à mentira. Quem faz concessão à falsidade é ditador, é autocrata, é dominador. A verdade tem o poder de impor limites à força. Se os governos sentem-se à vontade para mentir em nome de uma causa francamente falsa, então a sociedade em questão está em perigo, pois os que possuem o poder já não reconhecem sua causa final: servir à verdade. Propor ao mundo a representação de entidades do candomblé e da umbanda como representantes do espírito da maioria dos cariocas é falso e não podemos ficar calados.

Mas as eleições estão chegando…

Robson Oliveira

52 comments for “Iemanjá pode; Nossa Senhora não pode

  1. Gloria Maria
    14 de Janeiro de 2014 at 10:45

    Professor Robson, quero ser como você. Uma mente Iluminada pelo Espírito Santo!

    • 21 de Janeiro de 2014 at 18:13

      Obrigado pelo elogio, Dona Gloria, mas é exagerado. Minha mente tem mais obscuridades que clarezas.

      Em nome do apostolado, agradeço o carinho e volte sempre!

  2. Muniz
    22 de Março de 2013 at 11:10

    Ainda que alguns possam postar ideias perfunctórias nos comentários, não menos certo que o debate enriquece e é fortificado no campo do diálogo. Não acho que um país da dimensão do Brasil, em que o Cristianismo (Católicos e Protestantes) são maioria, possa desvincular-se da presença da religião. A ideia de Estado laico deve ser cultuada em razão da proteção da diversidade, ou seja, o respeito que devemos ter pelos que não cultuam a mesma crença. Sou cristão, mas não sou religioso, vale dizer, não sigo nenhuma denominação, seja católica ou protestante, mas respeito quem segue.
    Um abraço a todos e que o debate prossiga, aproveitando para parabenizar o articulista pelos valiosas posições que tem deixando nesse espaço.

  3. jose amaro vieira filho
    2 de Fevereiro de 2013 at 17:36

    Querido irmão, Robson Oliveira, és verdadeiramente um guerreiro de JESUS CRISTO. Clamo neste exato momento pelo sangue precioso de JESUS em sua vida e de toda sua família; para que vocês possam gozar da vida eterna junto ao PAI. Peço a ti ó mãezinha do céu, que va a frente do Robson e toda sua família, massacrando a cabeça de todo mal que deles, queira sufoca-los, desfaz os nós que por ventura o inimigo tenha feito contra eles, pois são filhos teus, intercede por eles. Obrigado mãezinha do céu.

    • 21 de julho de 2013 at 07:53

      Obrigado pela oração, José Amaro. Nosso apostolado tem sofrido alguma perseguição e sua oração veio bem a calhar.

      Deus retribua sua generosidade e também proteja sua família.

  4. Matheus
    18 de Janeiro de 2013 at 17:06

    Ridicula essa discussão toda, penso q a ideia d levar Iemanjá ate Londres tenha sido uma ótima ideia, inclusive pelo fato de a Umbanda ser uma religiao genuinamente brasileira, pois há uma mistura d varias religioes, como o cristianismo, xamanismo, doutrina espirita, q é o povo brasileiro, uma mistura d varias raças, nao foi com a intençao d chamar adeptos a Umbanda ou ao Candomble q a colocaram nas olimpiadas em londres, e podem ter certeza q tera tbm na abertura aki no Brasil, sempre fui Catolico, e acredito q há espaço para tds as religioes, pois infelizmente a religiao é o que mais desunem as pessoas, quando deveria ser uma forma de uniao, cada um no seu espaço respeitando o do outro.
    Infelizmente nao poderia passar batido o primeiro comentario feito nessa materia, onde o anamir chama os Orixas d demonios, meu Deus do céu, quanto preconceito maquiado pela religiao, muitos nao sabem, mais a Umbanda e o Candomble sao religioes MONOTEISTAS, pesquise mais sobre.
    “SÓ HAVERÁ PAZ NO MUNDO QUANDO HOUVER DIÁLOGO ENTRE AS RELIGIÕES”
    Paz a tds.

    • 18 de Janeiro de 2013 at 22:45

      Ridícula (isso que você quis escrever, né?) é a atitude de um “pacifista” tão nervosinho vir aqui e ofender todo mundo e depois clamar por paz. Vai ver se a gente tá na outra esquina digital, meu filho!

      Ah, e se para você Umbanda e Candomblé (isso que você quis escrever, né?) são monoteístas, sugiro que escreva um livro. Vai ficar bilionário.

      Tchau!

  5. anamir solange perpetuo
    27 de setembro de 2012 at 00:11

    Minha pátria é o céu e sendo assim, como brasileira e carioca, não quero não gosto e não concordo que em nossa nação Brasil tenha que ser representada por demônios trazidos da África, só pór que isso é politicamente correto.
    O povo esquece que nosso folclore e essas demonstrações demoniacas vieram de uma religião antiga e pagã que foi expulsa por Deus desde o início, para que seus filhos e seu povo não fosse contaminado.
    Pois é hoje todas as nações da terra tem folclores e até dadta comemorativa e insentivos, mas no fundo todo esse folclore está relacionado ao paganismo.
    Eu não fiquei satisfeita quando o mundo viu uma demonstração de primitivismo pagão quando virão a demônia Iemanja nos reprlesentando, isso tudo é simpllesmente porque nosso país é guiado pelos artistas que se dizem muito intelectuais mais não amam a Deus, nem o honrrão.
    Robson, por favor, me explique porque até colégios católicos, tem data específica para folclore nacional pagão e ainda importam páganismo norte- americana, nórdico, europeu e outros ?
    O que diz nosso querido Papa com relação a isso, claro dentro de escolas católicas?
    Eu em primeiro lugar sou cidadã do céu, não devo ficar aplaudindo paganismo para sempre. Socorro !

  6. Irmã Priscila
    24 de agosto de 2012 at 20:09

    É, de fato, o estado só é laico quando o assunto é a Igreja Católica. Mas, meus amigos, o que mais me impressiona é como há pessoas desinformadas neste mundo, falando sem escrúpulo algum de assuntos que desconhecem, falando bobagem. Parabenizo o Prof. Robson, pois responde com paciência a cada um destes ignorantes. Precisamos mesmo mostrar ao mundo as razões de nossa fé.(1Pe3,15b)

  7. Enilde Camelo Nunes
    21 de agosto de 2012 at 14:58

    Concordo plenamente Robson, tenho certeza de que se ao invés de representarem Iemanjá tivessem representado Nossa Senhora, todas os programas e meios de comunicação estariam “metendo pau” na Igreja Católica e levantando a bandeira do Estado laico. Mas como não se trata da Igreja Católica, o Estado se contradiz e se utiliza de uma representação religiosa, mesmo se dizendo laico. Não se trata de achar que em vez de Iemanjá deveriam ter representado Nossa senhora, não se trata de nos acharmos superiores, trata-se sim de lutar pela “verdade” que este Estado tem pregado. Ou o Estado é laico ou não é. Não dá pra levantar a bandeira a favor de uma religião e condenar outra.

  8. Amaro Helio Costa dos Santos
    17 de agosto de 2012 at 20:12

    Depende do ponto de vista, do lado religioso eu nao iria venerar essa imagem, no entando acho que devemos nao valorizar muito isso e no meu panto de vista uma imagem representando a mae de Deus e algo lindo e familiar, mas a Nossa Mae, jamais iria querer ser o Centra. Ela nos quarda e cuida. Maria passa na frente.

  9. lucas
    16 de agosto de 2012 at 16:39

    Achei lindo Iemenja…
    Nada representa melhor o brasil que a Umbanda…
    Isso ae é só dor de cotovelo dessa instituição decadente chamada igreja católica.
    Queria ou não queira o nome disso é NOVA ERA.
    Venha com tudo era de aquarius e termine de enterrar esses falsos moralistas ultrapassados.

    • 16 de agosto de 2012 at 17:20

      Já disseram isso de 12 homens há algum tempo… E olha onde estamos.

    • 16 de agosto de 2012 at 17:23

      E não se trata de invejinha. Trata-se do direito. Se é direito que alguma religião tenha representatividade do governo, que não se faça beicinho quando a Igreja o fizer. E se é para representar o carioca em evento internacional, que se pergunte ao carioca o que ele acha. Mas meia dúzia de umbandista marqueteiros não fale em nome de toda uma população. O nome disso é autoritarismo, não democracia.

      • Laila Almeida
        22 de agosto de 2012 at 09:34

        Concordo.
        Se Estado se diz laico, que o seja. Não se mascare.

        • Laila Almeida
          22 de agosto de 2012 at 09:36

          Ah, e ninguém perguntou a minha opinião.

  10. Olivia Ennes
    15 de agosto de 2012 at 15:26

    Boa tarde.
    O que a imprensa e a mídia querem é na realidade induzir aqueles que náo têm sua fé realmente alicerçada achar que se tudo leva a Deus tudo é válido. Isso e tantas outras coisas que acontecem diariamente não me causam estranheza e sim indignação. A postura de alguns católicos deveria ser de constância, pois ser católico é ter a mesma postura e opinião diante de “toda e qualquer” situação. Católico que se sente intimidado ou coagido diante de verdades que não são nossas, são da Igreja, realmente não são exemplos para consolidar a fé do outro. Acho, sinceramente, que aquele que se diz católico e lê signo, faz simpatia, vai a cartomante, etc colabora para que sejamos vistos dessa forma. Seguir verdadeiramente a Cristo nos leva a exercer posturas e posições não muito confortáveis (mas necessárias), às vezes é difícil, mas Ele disse que seria fácil???

  11. TORCIDA DE cristo
    14 de agosto de 2012 at 22:25

    Nem nossa senhora,nem iemanja nem outros santos pode somente JESUS CRISTO porque os outros santo sao vento e vaco,nao te ouve,nao fala,nao eSculta sao simplismente de pau,pedra e madeira.se valessem algo na biblia DEUS nao os condenaria tanto.e disse DEUS :nao adoraras e nem daras culto a outro deus que nao seje EU” esses santos sao feitos somente para desviar a atençao em DEUS.NA biblia é muinto facil encontra versiculos que falam da condenaçao de quem adora a deuses pagoes.DEUS diferente desses santos nao foi feito pelas maos dos homens porque nao houve outro deus antes do nosso DEUS e nao haverá outro como o PAI O FILHO E O ESPIRITO SANTO.

    • 15 de agosto de 2012 at 07:47

      Estamos na mesma torcida. Não estava defendendo que, no lugar do mito afro-brasileiro, estivesse a Virgem Santíssima, aquela cuja Palavra de Deus afirma: “todas as nações hão de chamá-la bendita”. O texto só quis revelar a hipocrisia dos que sustentam o tal “estado laico”. O estado é laico quando é contra alguma denominação cristã, mas quando a religião é pagã, como o candomblé, aí o estado pode financiar, sustentar, pode fazer chover dinheiro que ninguém diz um “ai”.

  12. Daniel Benevides
    14 de agosto de 2012 at 18:17

    Esse texto por acaso é humorístico? Era só o que faltava, a Igreja Católica posando de vítima, coitadinha e perseguida. Falta do que fazer.

    • 14 de agosto de 2012 at 18:33

      Não, não é humorístico, não. E a Igreja Católica não tem nada a ver com isso. Quem está indignado são cidadãos como você, cidadãos que pagam impostos como você, cidadãos que têm opinião como você. Se você acha que sua opinião vale mais que a nossa, você não entendeu bem o que é democracia.
      Sobre a Igreja ser perseguida, sim, os cristãos são os que mais morrem no mundo pelo simples fato de serem cristãos (http://humanitatis.net/?p=4577, http://humanitatis.net/?p=6294, http://humanitatis.net/?p=6081, http://humanitatis.net/?p=4053, http://humanitatis.net/?p=3651). Não é pose, são fatos. Vvocê não vai ler tudo isso porque não interessa a você. Mas diferente de você, somos comprometidos com a verdade.

      • Daniel Benevides
        14 de agosto de 2012 at 19:04

        Adeptos de uma das instituições que mais perseguiu, roubou, matou, enganou, abusou sexualmente de menores se sentindo perseguidos…coitadinhos.

        • 14 de agosto de 2012 at 19:10

          O senhor tem provas ou só acusações genéricas, difamatórias e sem documentos?

          • Bruno François
            15 de agosto de 2012 at 14:20

            cruzadas?

            • 15 de agosto de 2012 at 18:16

              E as cruzadas mataram quantas pessoas??? O senhor tem números ou mais generalidades?

              Pelo contrário, faz vergonha é o socialismo, em geral, e o comunismo, em particular. Jamais houve na história da humanidade movimento mais sanguinário que os movimentos socialistas.

              As Cruzadas foram, sim, ação evangelizadora e civilizatória.

              • Paulo
                27 de novembro de 2012 at 19:28

                Hitler era católico.

              • 27 de novembro de 2012 at 23:15

                Ah, sim, agora está tudo explicado: Hitler era católico, por isso Jesus não existiu; Hitler era católico, por isso os cristãos não valem nada; Hitler era católico, por isso o estado deve perseguir os cristãos e blá, blá, blá. Se Hitler fosse católico nada disso seria razoável, pois se o crime de um homem lançasse culpa sobre os seguidores de uma determinada doutrina, dever-se-ia punir Chico Buarque, porque o comunismo que ele segue matou milhões de pessoas no mundo; ou quem sabe seria preciso chicotear o seu Zé, da padaria, porque seus tataravôs eram escravocratas. Mas o pior é que não era bem assim. O Hitler não era católico, não. Hitler era ateu. Quer as fontes?

                Referências
                1. “The Nazi Master Plan: The Persecution of the Christian Churches”, in Rutgers Journal of Law and Religion, Installment No. 1, Posted: Winter 2001.

                2. Kathleen Harvill-Burton, Le nazisme comme religion. Quatre théologiens déchiffrent le code religieux nazi (1932-1945), 2006, ISBN 2-7637-8336-8

                3. Rosenberg, The Myth of the Twentieth Century

                4. Documentário de historiador judeu revelando o ódio de Hitler contra os cristãos: http://www.tradicaoemfococomroma.com/2012/03/documentario-para-quem-afirmam-que.html

                5. Outro texto em português (o link original está no site): http://apologeticanojapao.wordpress.com/2011/06/13/era-hitler-um-cristao/

        • 14 de agosto de 2012 at 19:12

          Ah, e se puder argumentar sobre como é possível ser, simultaneamente, a favor da laicidade para uns e não para outros, nós, os cristãos, gostaríamos de ler…

          • David Gravatá (estudante)
            15 de agosto de 2012 at 08:37

            É sempre assim, quando céticos ficam sem argumentos para combate as correntes religiosas, ao cristianismo e em absoluto a Igreja Católica, recorre-se ao desespero dos fatos históricos do passado, cruzadas, inquisição, simonia, etc. É uma gana, uma ânsia de difamação para na verdade sair do contexto onde não há argumentos sólidos para divergência, talvez seja o PAVOR de ser contestado, que a verdade dos céticos, na verdade mesmo, não existe, mas sim preguiça em pensar.
            A representação “folclórica” de Iemanjá não denota a representatividade do povo carioca (já que a maioria se confessa cristão católica), mas foi de alguma forma patrocinada por um Estado Laico que insiste em se auto afirmar como laico (com a denotação confusa = ateu)
            A Igreja católica é uma das instituições mais antigas do mundo (se não a for), afirmar que ela foi a organização que mais perseguiu é fácil para o descrente, quero ver afirmar como a organização que mais deu subsídios ao longo da História para a Salvação das almas. Não me lembro de nehuma igreja, ou instituição religiosa fora da Igreja Católica que tenha financiado e estimulado mais missões evangelizadoras ao longo desses dois milênios.
            A Igreja preza pela moral e o bons costumes, jamais deve ser responsabilizada pelos maus atos de indivíduos inseridos em seu seio, afirmar que toda a Igreja tem desvio moral devido a erros de abuso de padres pedófilos seria o mesmo que afirmar que todas as escolas de filosofia da Grécia antiga eram ruim pois muitos mestres exigiam “favores sexuais” de seus alunos como recompensa de seu saber. Isso é outro assunto.

            • Bruno François
              15 de agosto de 2012 at 14:29

              as “missões evangelizadoras” a que você se refere foram realmente uma grande favor prestado à humanidade. claro que quando eu digo “humanidade” eu me refiro aos bons e gentis europeus que, pensando no bem dos povos, vieram “evangelizar” os outros povos. mostrar o caminho da verdade aos índios brasileiros, por exemplo, um lindo processo pacifico de convencimento e conversão, nada lucrativo e vantajoso à pobre igreja católica, certo?
              esse coitadismo chega a fazer rir. contem mais sobre como os cristãos são oprimidos no seu dia-a-dia, por favor! a cerimonia em momento algum tentou afirmar que os cariocas são adeptos do camdomblé, ou do culto ao monstro do espagueti voador, ou a que quer que seja. o que estava ali era um dos infinitos elementos da cultura brasileira, mas parece que aos seus olhos, só é cultura se for do seu agrado. que bom que a cultura ainda tem essa capacidade de incomodar. que bom.

              • 15 de agosto de 2012 at 18:20

                Pergunte para um cidadão da Cidade do Cabo se ele está triste por ter recebido a evangelização da Inglaterra. Melhor: pergunte a si mesmo se as nações centro e norte-africanas, que não receberam a visita de missionários cristãos, estão em melhor estado que as que receberam?

                Notícias sobre a Ásia e a África não cristã, para o senhor: http://humanitatis.net/?p=6081, http://humanitatis.net/?p=6081 e http://humanitatis.net/?p=4577.

                Mas para o senhor tudo bem, né, são só os miseráveis dos cristãos…

              • David Gravatá (estudante)
                15 de agosto de 2012 at 22:01

                Risonho Bruno, creio que estejas tu muito mal informado. A Igreja católica é e sempre foi UNIVERSAL, apesar de sua sede ser em Roma, não é uma instituição européia. E Igreja nasceu em uma região entre 3 continentes (Europa, Ásia e África). Desde seu início se deu as missões evangelizadoras.
                Na América ous franciscanos vi

              • David Gravatá (estudante)
                15 de agosto de 2012 at 22:15

                Na America e Brasil, não confundir os interesses mercantilista das coroas portuguesa e espanhola, a Igreja agiu sim, para catequisar e educar nativos e colonos.
                Quanto ao “coitadismo”, ora, a história da Igreja foi escrita com o sangue dod mártires. Ainda é muito difícil ser cristão no mundo.

            • Gloria Maria
              14 de Janeiro de 2014 at 10:35

              Exatamente,os protestantes para sair do contexto, muda o texto e arrumar um pretexto para vomitar aneiras.

  13. Joselane Cruz
    14 de agosto de 2012 at 17:09

    Infelizmente o catolicismo é confundido com o espiritismo até mesmo por muitos católicos que dizem ser a mesma coisa. E o que acontece é a incapacidade que a midia tem de reconhecer a igreja católica como tal por talvez ainda verem como a igreja da inquisição e ditadora como são lembradas por muitos protestantes que conheço. E como a mídia busca a evolução, e o que importa é dizer que o Brasil é “maneiro” é mais fácil botar um idolo para lembrar a raiz do país do que mostrar a verdade, que é Nossa Senhora.

  14. paulo ribeiro
    14 de agosto de 2012 at 13:02

    Nada como um ignorante genérico falando imbecilidades. Claro que não colocaram nenhuma menção a igreja católica, os londrinos ficaram com medo que os padres pedófilos dessa instituição pérfida estuprassem suas crianças quando esses
    viessem ao Brasil.

    • 14 de agosto de 2012 at 14:57

      Bem, como começar a falar com o senhor “Boa Educação”? Vamos lá: o senhor vem até meu blog, acusa-me de ignorância genérica e eu é que sou imbecil? Então tá. Quanto a acusação contra “padres pedófilos”, saiba que o risco de uma criança ser abusada por um mau sacerdote é menor do que por pais, tios e avôs (http://www.estadao.com.br/noticias/geral,estudo-mostra-que-pedofilos-geralmente-sao-parentes-no-brasil-,333365,0.htm). Mas para gente como o “Senhor Gentileza”, fatos não importam, não é? Ah, e sobre os londrinos temerem a Igreja, fique tranquilo, é da Inglaterra uma das ONG’s e indíviduo que mais trabalham para descriminalizar a pedofilia no mundo todo (http://humanitatis.net/?p=535 e http://humanitatis.net/?p=6226). Eles não veem esses raríssimos maus padres com maus olhos. Aliás, eles até são coleguinhas, pois a maioria dos casos de pedofilia tem matriz homossexual. Ah, mas fatos não valem, né?

      Outra coisa, a crítica do texto nada tem a ver com a falta de referência à Igreja Católica ou ao cristianismo no evento. A questão é a hipocrisia de pessoas que ora clamam pelo laicismo, ora o ignoram. Se não percebeu, o subtítulo do texto pode ajudar a compreender.

      Deus abençoe, “Senhor Boa Praça”.

    • Gloria Maria
      14 de Janeiro de 2014 at 10:27

      Não fizeram menção à Igreja Católica Apostólica Romana!
      Fizeram menção a uma Nação denominada BRASIL cujo credo é Apostólico Romano, e não Africano!

  15. angel
    14 de agosto de 2012 at 09:06

    Nosso País é o celeiro da humanidade, ele é consagrado a Nossa Senhora Aparecida, acho isso um desacato a todos nós cristãos e filhos de Nossa Senhora, mesmo porque quando se coloca Nossa senhora à frente é tudo levado a Deus por meio Dela, colocaram iemanjá?? já viu a quem eles consagraram o evento né??
    Terra de Santa Cruz
    Vida Reluz
    Vamos colocar nosso país aos pés do Senhor.
    Vamos consagrar à nossa Mãe o nosso Brasil.
    O mundo poderá saciar a sua fome de Deus neste celeiro da humanidade.
    Vamos colocar nosso país aos pés do Senhor.
    Vamos consagrar à nossa Mãe o nosso Brasil.
    O mundo poderá saciar a sua fome de Deus neste celeiro da humanidade.

    Em um só coração louvemos ao Senhor.
    Pelo nosso imenso Brasil, terra abençoada, já o nome diz:
    Terra de Santa Cruz.
    Em um só coração louvemos ao Senhor.
    Pelo nosso imenso Brasil, terra abençoada, já o nome diz:
    Terra de Santa Cruz.

    Um manto azul-anil recobre todo o céu
    É o manto de Maria.

  16. Maria Rachel Filgueiras Guimarães
    14 de agosto de 2012 at 08:08

    Concordo com o questionamento do Robson e o comentário do Philipe. Não sou carioca, mas sou brasileira. Lembremos que as Olimpíadas se realizam num país, não numa cidade, e que esse país escolhe qual a cidade mais adequada para receber o evento – não necessariamente sua capital. Na verdade, o pior (em relação ao que nossos representantes para os jogos olímpicos pensam de nosso povo…)é que tudo que foi dito aqui sobre representar ou não os cariocas, estende-se a representar ou não o povo brasileiro! Colocar uma cantora vestida de uma deusa do candomblé, como se essa fosse a opção religiosa de toda a população, é exigir demais de nossa tolerância! Parece que os organizadores querem devolver ao Rio sua importância passada, usando de arrogância com o resto do país, querendo nos fazer engolir a opinião deles como se fosse o pensamento nacional. Também eu não me sinto representada! Meu país não é assim. A “Avenida Brasil” não é espelho da nação, apenas da cidade deles…

  17. 13 de agosto de 2012 at 15:44

    Prf. Robson, faço suas palavras as minhas, ontem assisti também esta cerimonia de encerramento e o trecho que falava do Brasil. Tudo indo bem, o Renato Sorriso de mestre de cerimônias, até que vem esta homenagem a iemanjá e, depois, o seu jorge que mais parecia o tal do zé pilintra que constuma estar adesivado na trazeira de alguns carros.

    sinceramente não me senti representado, mas até ofendido, tendo em vista que o pais e o rio são de maioria Cristã-católica, seguido de outras denominações Cristãs.

    Não sei de quem foi a infeliz ideia, mas novamente temos que repetir aquela frase: “voces não nos representam!”

    • Dimitri Pontes
      14 de agosto de 2012 at 07:52

      De acordo, mas existem outros pontos de vista. Por exemplo, o cristão católico não gosta de ter uma imagem santa representada de qualquer forma, mas somente da forma que lhe agrada. Caso tivessem escolhido Nossa Senhora para ali estar presente e a forma artística que lhe foi atribuída tenha sido “ofensiva” para alguns seguimentos católicos, lá teria sido crucificada a organização do evento. Isso já aconteceu em diversos comerciais pelo mundo e o mais famoso aqui no Brasil foi o do Ronaldo ficando em posição semelhante ao Cristo. Veja bem, semelhante, não era nada explícito e houve um verdadeiro estardalhaço em cima do caso.

      O ponto mais importante, no entanto, é que Iemanjá é um mito unicamente brasileiro. Caso tivéssemos uma olimpíada na Pérsia (Irã) e colocassem um ícone do zoroastra para representar o país, provavelmente boa parte da maioria shia iria ficar exaltada. No entanto, não há como negar que o zoroatrismo seja a principal religião de origem persa e que sua representatividade lembre a nação. Isso pode ser visto no caso do Brasil que, apesar da longa história católica nacional, o catolicismo ou Nossa Senhora em si não são exclusividades próprias do país, mas Iemanjá e o samba são.

      Resumindo, concordo que não deva haver qualquer favorecimento ou depreciamento religioso pelo Estado, mas Nossa Senhora não quer nem pode ser vista como ídolo cultural, já Iemanjá, sim.

      • 14 de agosto de 2012 at 08:12

        Nossa Senhora de Aparecida é exclusividade do Brasil, sim, e representa, muito mais que um mito de origem africana, a alma do carioca, majoritariamente católico. O decisivo na questão não é saber o que é propriamente nacional ou carioca, mas o que está de acordo com o espírito carioca. Muita coisa não é carioca mas usamos normalmente. Por exemplo, a filosofia não é brasileira, é grega; o direito não é nosso, é romano; a medicina não é nossa, é grega também; o papel não é nosso, é chinês; os números que usamos não são nossos, são arábicos (ou romanos); o alfabeto, o calendário, a roda, até a internet… nada disso é nosso. No entanto, ninguém prefere uma xaropada de quebra-pedra em troca de quimioterapia; e ninguém troca seu email por mensagem de fumaça. Enfim, o que faz com que um elemento cultural supere outro elemento cultural não é nunca a nacionalidade desse elemento, mas a verdade dele. É verdade que o direito romano é mais justo que o código de amurabi; é verdade que a penicilina é mais útil que uma benzedeira; é verdade que o ipad é mais eficaz que mensageiros indígenas. Ora, é verdade que o cristianismo é a religião verdadeira (quem duvida disso precisa explicar alguns eventos muito estranhos – os milagres) e, portanto, é mentira que as religiões afro-brasileiras sejam melhor que ele.

        Mas caso não se deseje entrar nessa discussão teológica, por causa da repisada e mal-entendida laicidade, então tudo bem. Só não vale impor autocraticamente a um povo uma fé que não é dele, nem dar a entender ao resto do mundo que Zé Pilintra e Iemanjá representam a fé do carioca. Além do que, essa aproximação entra em franca contradição justamente com a tese do “estado laico”, o que faz pensar que, para algumas pessoas, os cristãos são cidadãos de segunda classe no Rio e no Brasil: parece que eles não têm os mesmos direitos que os cidadãos que professam outros credos.

        • Dimitri Pontes
          15 de agosto de 2012 at 08:43

          A “imagem” de Nossa Senhora de Aparecida pode ser de origem brasileira, mas a Sagrada Virgem Maria a qual ela representa nunca, nem de perto, foi radicada no Brasil. No caso de Iemanjá o mito é originalmente daqui, por mais que em alguns outro locais haja adoração dela, inclusive, com assombroso sincretismo no catolicismo em alguns lugares, como em Cuba, Nicarágua e até mesmo no Brasil.

          Para quem não sabe, houve uma apresentação na olimpíada de 2004 das religiões de origem grega, que nós culturalmente chamamos de mitologia, e não teve, nem de perto, essa reação por conta da igreja ortodoxa de lá. Conscientemente sabendo da fator histórico envolvido, a igreja ortodoxa grega apenas observou e não insistiu no debate inócuo de “minha religião supera a sua e deve ser usada ao invés disso”.

          Mas concordo, no entanto, que Iemanjá não deveria ter sido usada no show, seja por motivo cultural, histórico ou qualquer. O Estado não deve favorecer ou desfavorecer uma religião. Atualmente centenas de grupos atentam contra a secularidade da nação sem saber dos motivos históricos que levaram as democracias ocidentais a escolherem esse caminho ao invés do proselitismo religioso majoritário, um deles é evitar essa sensação de perseguição que tu estás sentido por parte das outras religiões e do Estado. Sem dúvida, essa apresentação não ajuda a sanar a situação.

          • 15 de agosto de 2012 at 18:10

            1. Não, Dimitri, o mito de Iemanjá é originário da religião Ioruba (http://en.wikipedia.org/wiki/Yemaja) ou de outras regiões africanas (http://pt.wikipedia.org/wiki/Iemanj%C3%A1). O que fica disso é que, certamente, não é uma religião brasileira.

            2. Então, se é para valorizar o que vem de fora, que se pergunte a maioria, né?

            3. Não concordo com o estado laico pelo simples fato de o ser humano não ser laico. O estado está à serviço do cidadão. Se os cidadãos decidem que seus impostos devem servir à educação religiosa de seus filhos, o estado não pode fazer beicinho. É claro, sempre respeitando as minorias. O que não pode é discriminar uma religião determinada quando interessa.

            4. Não acompanhei a tal querela que você diz, mas a Grécia pode ter absorvido melhor as analogias porque, de fato, o povo helênico nasceu desses relatos mitológicos. Os brasileiros, de modo geral, e os cariocas, em particular, não devem sua constituição a esses elementos.

            5. Para mim, que amo a ciência, o debate religioso não é inócuo. Saber se há uma religião verdadeira é fundamental. Fazer corpo mole por causa da dificuldade do tema não faz meu gênero.

            • Bruno François
              15 de agosto de 2012 at 19:46

              já a religião católica, essa sim é genuinamente brasileira, né

              • 15 de agosto de 2012 at 22:37

                Repito o que já escrevi sobre nacionalidade. Se precisar, eu desenho:

                O decisivo na questão não é saber o que é propriamente nacional ou carioca, mas o que está de acordo com o espírito carioca. Muita coisa não é carioca mas usamos normalmente. Por exemplo, a filosofia não é brasileira, é grega; o direito não é nosso, é romano; a medicina não é nossa, é grega também; o papel não é nosso, é chinês; os números que usamos não são nossos, são arábicos (ou romanos); o alfabeto, o calendário, a roda, até a internet… nada disso é nosso. No entanto, ninguém prefere uma xaropada de quebra-pedra em troca de quimioterapia; e ninguém troca seu email por mensagem de fumaça. Enfim, o que faz com que um elemento cultural supere outro elemento cultural não é nunca a nacionalidade desse elemento, mas a verdade dele. É verdade que o direito romano é mais justo que o código de amurabi; é verdade que a penicilina é mais útil que uma benzedeira; é verdade que o ipad é mais eficaz que mensageiros indígenas. Ora, é verdade que o cristianismo é a religião verdadeira (quem duvida disso precisa explicar alguns eventos muito estranhos – os milagres) e, portanto, é mentira que as religiões afro-brasileiras sejam melhor que ele.

            • Dimitri Pontes
              17 de agosto de 2012 at 13:50

              Eu tenho conhecimento dessas páginas da Wikipédia, Robson, e sei da religião Yorubá que deu origem a Iemanjá. Mas dizer que elas são a mesma divindades é o mesmo que dizer que o Deus cristão é o mesmo que o Deus islâmico ou dizer que a Trinidade hindu deu origem a Trinidade católica. No resto vou concordar em discordar do senhor por ser uma questão de gosto.

              • 17 de agosto de 2012 at 14:29

                Pois é, mas quem estuda o Candomblé e a Umbanda dizem que são a mesma divindade, sincretizada. Você compreende que eu prefira a opinião de quem estuda o assunto, né?

                Além disso, isso derruba sua afirmação inicial, que está aqui, de que:

                Iemanjá é um mito unicamente brasileiro.

                O senhor precisa decidir-se: ou Iemanjá é um mito “unicamente” brasileiro é uma síntese da fé africana com a brasileira.

                Ademais, comparar o sincretismo de Yorubá e Iemanjá com o Deus cristão é o muçulmano revela desconhecimento do assunto. Sem Yorubá não haveria Iemanjá. Foi no contato com a fé africana que o mito de Iemanjá surgiu. Há uma relação de causalidade. Ora, nem precisa ser conhecedor de teologia, basta conhecer a história universal para saber que a fé islâmica não derivou do cristianismo. O profeta diz ter tido uma revelação, revelação que independe da fé cristã. Não há a relação causal que o senhor quer emprestar a esses elementos.

                Pior é relacionar os deuses hindus com a Trindade cristã. Nem vale a pena contestar. Afinal, nenhum dos deuses hindu em qualquer relato “esvaziou-se de si mesmo” tornando-se substancialmente um ente inferior, sem deixar de ser o que é.

          • Gloria Maria
            14 de Janeiro de 2014 at 10:18

            Iemanjá, nunca foi um mito brasileiro, é um mito de origem africana!

    • Paulo Esteves
      22 de novembro de 2012 at 16:54

      Prezado Robson,
      Não me parece que a referência à Iemanjá seja quebra da laicidade do Estado, tampouco promoção do candomblé/ubanda.
      Ressalto, desde já, que fui batizado na igreja católica, mas não sou uma pessoa de fé.
      Creio que a referência à Iemanjá foi feita por ser tal religião tipicamente brasileira (apesar de também existente em Cuba). Ressalto, também, que apesar de a maioria da população não ser ubandista, é comum que católicos, espíritas e pessoas sem religião joguem flores ao mar para iemanjá no Reveillon, o que não a torna uma figura tão afastada do povo carioca.
      Por fim, relembro que o Cristo Redentor, pertencente à Mitra Arquiepiscopal do Rio de Janeiro, é utilizado em todas as campanhas publicitárias da cidade e foi, inclusive, utilizado na campanha do Rio pelas Olimpíadas. Ressalte-se que há, inclusive, um interesse econômico da igreja católica na divulgação de tal símbolo, por ser a imagem de sua propriedade e pela cobrança de entradas quando da visitação ao monumento.
      Assim, não me parece que haja qualquer conspiração contra o catolicismo, mas sim uma reação a qualquer manifestação não católica pelo nosso Estado laico, que celebra os feriados cristãos do Natal, da Pascoa, do Corpus Cristi, dentre outros.

      • 23 de novembro de 2012 at 10:31

        Discordo do senhor.

        O estado brasileiro é laico e deve ser. Isto é: nenhum brasileiro é obrigado a ser desta ou daquela religião específica. Isso é ser laico de verdade. O que acontece na prática, porém, é a perseguição ao catolicismo, em particular, e aos valores cristãos de modo geral. E não é preciso muito para se provar que a vítima preferencial dos neo-pagãos e dos socialistas de plantão é a Igreja Católica e os valores que ela defende (veja aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

        Aqui é assim, senhor, a gente fala e prova! Os cristãos em geral e os católicos em particular são alvo de ataques pessoais e à sua crença, de modo constante e arquitetado. E a referência a deusa (com minúsculo mesmo) afro-brasileira é só mais um capítulo da contradição estatal, que nega aos cristãos católicos a expressão de sua fé, ao mesmo tempo em que divulga como fé carioca o que absolutamente não é. Iemanjá não é símbolo da cidade nem dos cariocas, como está ficou provado no artigo. A maioria dos cariocas é católica, outra parte não pequena é de protestantes. Ora, a nenhum desses grupos iemanjá é considerada divindade, muito menos se presta culto a elas. Não é verdade que os católicos prestem culto a essa deusa, pois só há um Deus. O católico sabe disso. Quem ainda está confuso, não compreendeu a radicalidade da fé cristã. Não há incoerência maior para esse atual judiciário, que não honra sua história cristã (todos sabemos que as constituições nacionais de todos os países herdaram sua organização da organização romana-cristã), mas que quer os benefícios.

        Quanto ao estado reconhecer os feriados, é só mais uma das incoerências desse pensamento laicista. Se o estado não quer fazer qualquer referência ao sentimento religioso, que seus governantes trabalhem no dia dos santos, na Páscoa de Nosso Senhor, no Natal, e deixem aos cristãos a vivência desse feriado. Não venham é proibir que a fé cristã seja exercida de fata na sociedade, mas fiquem com os benefícios da fé: os feriados religiosos, como 8 de dezembro, feriado de todo o judiciário nacional!

        Agora, que a Igreja Católica lucre com os seus monumentos não há nada de mais, não é? Afinal, quem mantém todos os esses monumentos é a Igreja. Além do mais, o governo do estado e do município muito se beneficia desses monumentos. Ou o senhor esquece que o mesmo turista que paga, sei lá, R$ 50 para ir ao Cristo Redentor paga R$ 100 para ir ao Pão de Açúcar? E até onde sei, a Igreja Católica não lucra um centavo por isso. As dezenas – e têm aumentado – de peregrinações religiosas nacionais, que têm escala no Rio de Janeiro por causa do Cristo Redentor, hospedam-se em hotéis e resorts, cujo lucro vai para empresários e governo. Enfim, a Igreja Católica tem sua parte financeira nesses eventos, que trocaria de bom grado pela renovação espiritual da cidade, temos certeza. Nem por isso, contudo, diga-se que esse benefício material se faz às custas da cidade. Antes, é o próprio Rio de Janeiro que se beneficia com a Igreja Católica viva!

        Então, ver iemanjá na abertura das Olimpíadas trouxe, a mim, um sentimento de tristeza. Pois sendo eu morador do Estado do Rio de Janeiro não me senti representado satisfatoriamente por um personagem mítico, elaborado por meia dúzia de publicitários preconceituosos quanto à fé cristã. Nesse sentido é que a perseguição aos valores e personagens cristãos se torna mais clara.

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