Intimidade com Deus

Quem está habituado à  luta por ser melhor, quem está acostumado ao esforço ético para humanizar-se, em meio a um mundo que retorna paulatinamente à barbárie, sempre se coloca uma questão: será que estou avançando na vida espiritual? Como saber se se progride ou se patina na luta por uma vida mais santa e virtuosa? Dizendo de um modo mais espiritual: como se pode medir a intimidade com Deus?

A experiência humana ensina que os que amam sempre estão com o olhar no objeto amado. A adolescente, enquanto estuda ou faz tarefas em casa, só pensa no momento em que encontrará aquele que seu coração deseja. E se motivos impossibilitam o encontro concreto, ela recorda aqueles momentos passados, como se fossem atuais. O que se diria de alguém que dissesse amar o esposo ou esposa, mas não desejasse ardentemente encontrar-se com seu cônjuge? Apenas motivos graves explicariam a distância daqueles que se amam. Os deveres são os únicos que podem afastar os amantes. E aqui se encontra algo interessante.

Há um princípio geral do comportamento humano que pode ajudar a esclarecer essa questão: só deveres alheiam os indivíduos de estar onde seus corações desejam. É claro que há indivíduos que não cumprem seus deveres em nome de momentos de descontração, muitas vezes imorais. Mas não é deles de que se fala aqui. As pessoas comprometidas com seu próprio aprimoramento humano e com o bem do próximo não secundam suas tarefas em nome de facilidades e prazeres. Mas quando seus deveres estão cumpridos, eles correm para os braços daquele que seu coração anseia. 

Tendo em vista esse dado, basta perguntar-se: quando os deveres terminaram, depois de todos as tarefas realizadas, quando não mais há necessidades, onde o coração encontra repouso? Se os momentos sem obrigações são preenchidos por entes intramundanos, fica claro que o horizonte de importância ainda é o horizonte desse mundo. Mas se nesses intervalos, o coração dá um salto para o transcendente, aí podemos dizer que há amor verdadeiro. Pois onde se encontra seu coração, lá está o seu tesouro. 

Portanto, quer saber se, depois de tanto tempo, houve avanço na intimidade com Deus? Seja sincero e responda se seu coração O procura quando não é obrigado a tratar de tarefas urgentes; se nos tempos livres busca entreter-se com Deus, deixando de lado as preocupações desnecessárias; se os momentos sem deveres a cumprir são tratados como oportunidades de encontrar-se com Aquele que o coração deseja. Se ainda se trata a intimidade com Deus apenas como um dever dentre outros, ainda se está sob o jugo do escravo, não do amado.

Robson Oliveira

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