It’s not the economy, stupid!

A situação da política nacional, polarizada entre dois candidatos em tudo muito parecidos, exceto no apoio da máquina do governo para a candidata da situação, faz lembrar um evento acontecido na década passada. De fato, os discursos dos dois candidatos está muito centrado em discussões monetárias e mercadológicas. Esse tipo de orientação já foi utilizado em campanha para a presidência dos Estados Unidos.

Em 1992, um dos assessores do então candidato a presidência dos EUA, Bill Clinton, elaborou um lema de campanha que poderia tornar-se bordão de qualquer um dos candidatos a presidente do Brasil atualmente. Anos depois, o próprio presidente utilizou a frase de James Carville, questionado sobre o motivo pelo qual seus então recentes escândalos pessoais (caso Mônica Lewinski, lembram?) não diminuíam sua popularidade entre as camadas mais pobres da população americana: It’s the economy, stupid! A economia era o princípio que equilibrava e dava estabilidade política e eleitoral ao presidente, era ela quem dava sustentabilidade para seu governo e vida pública.

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No atual debate sobre qual candidato escolher para continuar a tarefa de avançar o país em melhores níveis educacionais e produtivos, poder-se-ia afirmar que a resposta simples seria averiguar qual deles pretende continuar as políticas econômicas e mercantis do governo molusco. Todavia, uma reflexão acerca dos discursos dos dois candidatos à presidência revela-nos que o conteúdo programático dos respectivos programas de governo são essencialmente os mesmos. O que nos impõe a óbvia pergunta: se economicamente eles dizem a mesma coisa, o que então levou o eleitorado brasileiro a pedir um pouco mais de tempo para escolher o melhor candidato para presidente do Brasil?? Não tenho certeza da resposta, mas sei de uma coisa: não foi a economia, estúpido! Afinal, neste ponto os dois discursos são muito semelhantes.

O que fez a população brasileira solicitar um pouco mais de tempo foram razões humanitárias. Os brasileiros sabem que não apenas os princípios econômicos e de mercado orientam a vida prática de cada cidadão. Pelo contrário, temas como segurança, drogas, violência e, principalmente, aborto são temas que interessam o cidadão brasileiro, porquanto interessam a todo e qualquer ser humano. Há um contingente cada vez maior de cidadãos que não estão interessados apenas nas suas próprias vidas, mas na qualidade da vida de toda a população. E essas temas não podem ser tratados e refletidos no nível econômico.

Nesta fase do debate nacional para a presidência do país, as questões que definirão o candidato vencedor não se limitarão a assuntos relacionados ao câmbio, ao Mercosul ou aos impostos. Pelo contrário, explicações a respeito da posição oficial acerca da vida dos mais pobrezinhos será fundamental. Além disso, assuntos como a imprensa livre, o direito à expressão de opinião, a expressão religiosa dos cidadãos, serão assuntos que estarão na agenda de discussão nos próximos dias e, no meu ponto de vista, serão fundamentais para definição do candidato vencedor.

Com a elaboração, produção, divulgação e defesa do PNDH3 na Casa Civil, a candidata Dilma está muito atrás do candidato Serra nesses assuntos: controle da imprensa, cerceamento da liberdade religiosa, direitos das famílias limitados, descrimininalização do aborto, tudo é contra a Dilma. Se ele souber colocar isso em destaque…

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