Jesus e o acordo com Judas

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As discussões que recentemente tomaram o blog Non Nise Te! parecem tocar no mesmo ponto: tolerância com as diferenças. Os candidatos de partidos comprometidos com práticas absolutamente incompatíveis com o cristianismo querem convencer seus eleitores de que é preciso conviver com as diferenças no âmbito partidário. Alguns dizem que preferem ficar no PT para transformá-lo “por dentro”. Dois equívocos: 1) não é preciso conviver com aquele que me trai ou até que me odeia. Os cristãos têm de amar essas pessoas, mas não é preciso conviver com elas. 2) Obviamente, é uma falácia afirmar que é uma tarefa do político mudar o Partido dos Trabalhadores! Não é preciso mudar o PT nem por dentro, nem por fora. O PT não precisa de salvação. É preciso mudar o país e essa mudança não passa necessariamente pelo PT.

Com o intuito de diminuir as diferenças entre o discurso cristão e os outros (ateus, espíritas, maçônicos), tais candidatos afirmam que é necessário fazer acordos, “sentar para discutir”. Sobre isso, é curiosa a intervenção do presidente molusco no ano passado. Em entrevista à Folha, ele disse que, se Nosso Senhor Jesus Cristo viesse ao Brasil e Judas fosse de algum partido político, o Senhor teria que fazer um acordo com Judas (sic!). Sim, para o presidente molusco, o Senhor deveria “sentar e conversar”. Sem embargo, não se espera metafísica de quem não tem ensino médio… mas isso já beira o ridículo.

Para além desta heresia presidencial (mais uma!), esse é o espírito do PT e que já começa a impregnar alguns candidatos católicos: não há convicções, não há limites éticos, não há barreiras para alcançar e/ou se manter no poder. O único importante é não magoar suscetibilidades, o único essencial é ser “politicamente correto”. A custa até de princípios invioláveis, como a morte do inocente, no caso de Jesus. Estranhamente, o candidato Marlos (PT-São Gonçalo/RJ) defende explicitamente, e até tenta dar razões (como se fosse possível ao cristão) para votar na candidata Dilma. Outros candidatos têm material de campanha onde surgem risonhos ao lado do presidente molusco e da candidata. Pessoas ligadas a esses candidatos, como o radialista da Rádio Catedral-RJ, o senhor Paulo Cunha (sic!), tem defendido o mesmo argumento. Pergunto-me: a troco de quê? Se eles afirmam que não concordam com as práticas do PT; dizem até que serão desobedientes, caso o partido exija deles posturas contra a vida; se não estão totalmente confortáveis com seus colegas, sinto-me na obrigação de perguntar: qual o acordo que os faz permanecer no partido?

O que o presidente molusco esqueceu de citar é que todo Judas é incontinente. Mesmo quando Jesus não faz acordos, o Iscariotes não deixa de fazê-los. Todos muito baratos, afinal. Muitas vezes, não passa de trinta moedas.  Muito pouco, pois a vida do homem é fugaz, é como a noite que passou.

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