Lembrando o passado…

Peço que leiam com calma o texto do senhor Rui Câmara. Ele lembra eventos que não podemos esquecer nestes tempos de eleições. Destaco alguns pontos:

O Brasil vai bem, obrigado. O desemprego é um dos mais baixos da História recente. O salário mínimo está recuperando o valor de compra. Milhões de brasileiros saíram da extrema pobreza nos últimos 16 anos. E o Brasil passou quase incólume pela crise financeira internacional que, em 2008, foi um tsunami no mundo. Devemos crescer até 7% este ano.

Só que, ao contrário do que apregoa o PT, nada disso se deve a Lula.

(…)

Lula encontrou o Brasil com a economia saneada pelo Plano Real que, em 1994, quebrou a espinha dorsal da hiperinflação.

A inclusão social começou aí.

(…)

Lula e o PT ficaram contra o Plano Real, mesmo sabendo que ele era aprovado pelos brasileiros que elegeram FHC, já no primeiro turno, em 94 e 98.

FHC criou a Rede de Proteção Social que desenvolveu cinco programas sociais, entre outros: o Bolsa-Escola, o Bolsa-Alimentação (iniciativa de Serra quando ministro da Saúde), o Vale-Gás, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e o Programa para Jovens em Situação de Risco.

Em 2002, essa rede beneficiava 37,6 milhões de brasileiros, com investimento de R$ 30 bilhões.

Lula pegou esses cinco programas sociais e os juntou num só, “inventando” o Bolsa-Família, sem pagar direitos autorais, de novo.

Contra o voto do PT, FHC criou o Fundef, que colocou 97% das crianças entre 7 e 14 anos da sala de aula e aumentou os salários dos professores, principalmente no Norte e Nordeste.

No Planalto, Lula esqueceu o que dissera sobre o Fundef e “criou” o Fundeb, também sem pagar direitos autorais.

Lula e o PT se opuseram à Lei de Responsabilidade Fiscal, que acabou com a gastança de prefeitos e governadores. Entraram inclusive no STF com questionamento de inconstitucionalidade.

Ao assumir o Ministério da Fazenda, Antônio Palocci tratou de anunciar que respeitaria essa lei.

(…)

O PT foi contra a privatização das telecomunicações. Com o monopólio da Telebrás, telefone era item de declaração obrigatória no Imposto de Renda. Depois da privatização, o telefone celular anda no bolso até das faixas mais pobres da população. Hoje existem mais celulares no País do que brasileiros…

O PT condenou, até com pontapés, a privatização da Vale do Rio Doce. Entre 1943, ano da fundação, e 1997, quando foi privatizada, a Vale investiu, em média, US$ 481 milhões por ano e teve lucro líquido de US$ 192 milhões.

De 1998 até 2009, a CVRD investiu US$ 6,1 bilhões e teve lucro de US$ 4,6 bilhões. O recolhimento de impostos saltou de US$ 31 milhões para US$ 1,093 bilhão por ano.

Embora tivesse denunciado essas privatizações como “neoliberais”, Lula não mexeu nelas. Então, Lula também é neoliberal. Ah, na campanha de 2002, ele chegou a apontar a privatização da Embraer como modelo.

FHC saneou o sistema financeiro. Depois do Plano Real, grandes bancos perderam receita inflacionária e quebraram. FHC criou o Proer e restabeleceu a confiança dos depositantes.

Quando a crise internacional de 2008 bateu aqui, os bancos estavam saneados e não houve a quebradeira que aconteceu nos EUA e na Europa.

Nessa ocasião, Lula anunciou que mandaria uma cópia do Proer para ajudar a sanear os bancos dos EUA… De novo, não pagou os direitos autorais.

(…)

José Serra tem 40 anos de história. Foi presidente da UNE, quando ela era, ainda, a União Nacional dos Estudantes, e não um covil de pelegos. Exilou-se no Chile, em 1964.

Foi secretário do Planejamento do governador Franco Montoro e coordenou a organização do plano de governo de Tancredo Neves.

Lula e o PT dizem que lutaram pela redemocratização. Eles mentem, de novo, pois ficaram contra a eleição de Tancredo Neves no colégio eleitoral, tendo expulsado os seus três deputados federais (Beth Mendes, José Euler e Airton Soares) que desobedeceram ao partido e votaram em Tancredo.

Em 1988, recusaram-se a assinar a nova Constituição, com o argumento de que era uma Constituição conservadora, não entendendo a sua importância para a construção e o aprofundamento da democracia, novamente conquistada depois de mais de 20 anos de ditadura militar.

Em 1992, após o impeachment de Collor, com medo de as dificuldadades da luta contra a inflação atingirem o favoritismo de Lula para a sucessão presidencial de 1994, recusaram participar do governo democrático de Itamar Franco. Luiza Erundina, inclusive, teve de pedir licença ao partido para ser ministra de Itamar. Mais tarde, acabou saindo definitivamente do PT.

Como deputado, Serra tirou do papel o FAT, que hoje dá um oxigênio ao trabalhador que fica desempregado.

Ministro da Saúde, Serra criou os genéricos. Anunciou que as patentes de remédios não poderiam prevalecer sobre a saúde e conquistou o apoio da Organização Mundial da Saúde. Desde então, as patentes dos medicamentos podem ser quebradas em caso de risco de pandemias ou emergências.

Serra multiplicou por 9 as equipes do Programa de Saúde da Família. Criou também os mutirões de saúde. E promoveu campanhas de vacinação para os idosos.

Já Dilma Rousseff faliu como dona de uma lojinha que vendia produtos a R$ 1,99 em Porto Alegre. Secretária das Finanças de Porto Alegre, deixou a Prefeitura falida, como denunciou o seu sucessor, Políbio Braga.

Ministra das Minas e Energia, Dilma apagou do site do MME as realizações do Luz no Campo, criado por FHC. Depois, “inventou” o Luz para Todos, também sem pagar direitos autorais.

Escolhida candidata, indicou Erenice Guerra para substituí-la na Casa Civil. Erenice tratou logo de arrumar “bolsas-família” e confortáveis sinecuras para o maridão, os filhos, os irmãos, os cunhados, os namorados e as namoradas dos filhos e velhos amigos.

(…)

José Dirceu já percebeu as fraquezas de Dilma. Quando anunciou que a sua eleição seria o fortalecimento do PT, estava se candidatando a ser o López Rega de Dilma. O plano de José Dirceu, acusado formalmente e processado com o chefe da quadrilha do mensalão é avermelhar o Brasil, ou seja, implantar o regime leninista-stalinista-chavista-castrista, que significa, de início, o seguinte:

(…)

A 2ª FASE do PLANO, que já faz parte do programa de desgoverno da Dilma e do Zé Dirceu é:

1. Suprimir da Constituição as GARANTIAS INDIVIDUAIS

2. Acabar com o SIGILO FISCAL

3. Eliminar o DIREITO DE PROPRIEDADE

4. Acabar com a LIBERDADE DE IMPRENSA.

(…)

Ruy Câmara

ruycamara@uol.com.br

Quem desejar, pode ler o texto completo aqui ou aqui.

10 comments for “Lembrando o passado…

  1. bel
    18 de outubro de 2010 at 14:09

    Prezado Germano,

    (Quanto disposição para escrever!!!)

    Li todo o seu comentário e gostaria de lhe perguntar pq motivo um professor diz: “não sei se ser contra o aborto é bom ou ruim.”
    Falta de conhecimento sei que não é.

    Você diz: “Dizer que o aborto é ou não um assassinato depende de sabermos onde começa a vida; para isso, temos que ter clareza quanto ao que é a vida.”

    A ciência médica já disse a muito tempo quando a vida humana começa, este momento tem como marco a concepção.

    Por que razão de uma hora para outra surge dúvida sobre quando começa a vida humana!!???

    A propósito, porque não se questiona tb quando começa a vida do coelho, do cachorro.

    Vale lembrar que a lei de crimes ambientais pune e tipifica a conduta de alguém que destrói um ovo de tartaruga como crime inafiançável.Ou seja, a tartaruga já alcançou uma proteção maior do que o embrião humano. Que pena!!! Pensar que nós humanos somos mais lentos do que as tartarugas para defender a vida no seu inicio.

    Ademais,inúmeros diplomas legais já foram expressos a declarar a tutela da vida desde a concepção. Digo declarar, e não constituir, pq é falacioso pensar que palavras possam alterar fatos. A vida começa na concepção isto é fato e não pode ser alterada pelo mero alvedrio de alguns.

    O que se quer fazer é relativizar a tutela da vida humana, como se a vida dos que já nasceram (Eu e Você) fosse mais importante do que a vida de bebês no ventre de suas mães.Isto não!! Viver é o direito que todos nós temos mesmo antes de nascermos. É fundamental o direito à vida, e tb pressuposto para aquisição de todos os demais direitos. O nascituro é um ser autônomo e distinto da sua mãe, e digo, isto não é dogma de fé, é, sim, dado científico.

    Convido vc a conferir dados na postagem anterior:

    http://humanitatis.net/?p=1290

    Deve-se apoiar o progresso que traz mais proteção ao ser humano e não o contrário.

    Parabéns pelo dia do professor!!

  2. 16 de outubro de 2010 at 20:51

    errata: onde eu disse “Mônica Serra” leia-se “Verônica Serra”

  3. 16 de outubro de 2010 at 18:25

    Salve Robson,

    Certamente estou razoavelmente seguro de uma coisa: que há razões suficientes para preferir um governo do PT de Dilma ao do PSDB de Serra. Mas isso não quer dizer, como já tive ocasião de mencionar, que não esteja disposto a ouvir outras posições e, se for o caso, mudar diante de argumentos melhores – e nem que eu não tenha críticas ao governo do PT. A aporia é, sim, uma possibilidade e, se pelo bem e a verdade da discussão, esse for o caminho mais acertado, que assim seja. E já que vc fez questão de mencionar isso: em uma discussão racional, a pretensa disposição para a aporia representa tão pouco reforço aos argumentos quanto a clareza na definição de uma posição, a que vc chamou “segurança”.

    Além disso, ao contrário do que vc afirma, não me parece que vc não tenha tantas certezas políticas. A maior parte dos posts desse site apresenta, tanto quanto pude ver, críticas ao PT e não ao PSDB. Se o objetivo do site é promover a reflexão para além da grande mídia, seria bom que, ao lado de um artigo como esse, fosse colocado um artigo com posições contrárias. Embora o texto não seja seu ou de um dos articulistas do site, a escolha dele para figurar no Humanitatis, conjugada com os demais artigos que tive ocasião de ler, expressa uma posição razoavelmente clara anti-PT – o que, é claro, pode não significar diretamente pró-PSDB, embora ao menos esse artigo e um trecho do artigo “PT e a criminalização da heteronormatividade”, se não engano, dê indicações nesse sentido.

    Não ficou claro para mim se o comentário de que meu texto “parece complexo, mas não é” tinha intenção depreciativa. O “simplismo” que vc menciona nos itens 1 e 5 parecem indicar que sim. Gostaria que vc esclarecesse se é isso que vc quis dizer. Em todo caso, desde que expresse claramente o que penso e, é claro, nos limites de um comentário, não aborde o tema de maneira simplista – coisa que em momento algum, nos limites de um comentário, creio ter feito – me dou por satisfeito. Se isso resulta em um texto simples ou complexo depende do âmbito em que o texto está sendo produzido, do tema, da minha formação e das virtudes e deficiências desta, etc. O comentário tinha intenção de ressaltar os pontos que me parecem problemáticos no artigo em questão aqui, apresentando-se como contraponto a ele, e foi isso que ele fez. “Contraponto”, aliás, que seria coerente que um site ou um articulista que, ao que parece, não pretende defender Serra ou Dilma, deveria fazer por si mesmo, dando, como sugeri, o mesmo espaço (em termos de artigos, digo) a um lado e a outro.

    Vou tentar agora responder a cada item do seu comentário:

    1. Não defendi em momento algum que as conquistas do governo do PT não eram debitárias do governo do PSDB. Defendi sim que a ênfase dada ao desenvolvimento e à justiça social no governo do PT o torna radicalmente diferente do governo do PSDB. Milagre ou não, os avanços na área social nunca foram tão significativos. Cabe a vc me explicar por que os índices oficiais que indicam isso são questionáveis. Tanto quanto eu saiba, a oposição não os contesta.
    Se houve simplismo, foi por parte do argumento central do autor do artigo que pretendeu reduzir as conquistas do governo do PT ao que o PSDB fez.

    2. Disse com todas as letras que considero o governo do PT um governo de conciliação entre capital e trabalho. Certamente o grande capital continuou lucrando em muito. Mas a opção desse segundo turno, no que diz respeito a essa questão, me parece ser entre um partido que historicamente deu ênfase tão só ao capital e um partido deu ênfase à distribuição de renda e que promoveu, sim, uma grande ascensão social. Isso só não é uma mudança radical se desconsiderarmos a história do Brasil e tomarmos como critério as mudanças pensadas pelos partidos radicais de esquerda. (Aliás, me parece incoerente que muitos deles afirmem lutar pelos menos favorecidos e desconsiderem o fato de que muitos deles saíram da miséria e outros ascenderam socialmente no governo Lula; o PCB, por outro lado, já divulgou um documento em que afirma que é preciso derrotar Serra nas urnas e Dilma, posteriormente, nas ruas. Desculpe a digressão)
    O que deve ter produzido confusão é que afirmei, no mesmo parágrafo, que é o grande capital e a classe média, bem como seus intelectuais, que não querem a distribuição de renda. Em termos bem simples, o raciocínio é o seguinte: os “mais favorecidos” (sobretudo o setor financeiro) permanece, de fato, faturando com o governo Lula, mas tem que conviver com a distribuição de renda e a justiça social; sem o governo do PT, essa preocupação pode passar de novo para segundo plano, como ocorreu nos 8 anos de PSDB, e o foco principal voltar a ser o setor financeiro.
    A parte isso, tendo a simpatizar com uma radicalização das conquistas do governo do PT, mais ou menos no sentido indicado pelo PSOL. Mas acho que isso pode ser feito via consolidação das conquistas sociais do governo petista, já que tais conquistas sociais, como já disse, podem levar (não necessariamente levam, é claro) a uma ampliação na conscientização política via maior acesso à informação e à formação (há muitas famílias em que filhos cujos pais não têm o Ensino Médio estão cursando a universidade, por ex.) – o que também não serve aos interesses do grande capital e dos “mais favorecidos”. Cabe àqueles que querem uma radicalização das mudanças sociais e econômicas investir na conscientização para que os beneficiados não se satisfaçam com o que foi conquistado e procurem aprofundar as conquistas.

    3. Sou favorável à política de “bolsas”, desde que elas não substituam o crescimento e a geração de empregos – o que, me parece, ocorreu em governos como o do PSDB e o de Garotinho, mas não no do PT. As “bolsas” têm que ser uma política emergencial, para não permitir que as pessoas tenham condições mínimas de viver com dignidade. As “migalhas” e o “paternalismo” são palavras que saem facilmente da boca da classe média e média-alta de “esquerda” que não precisa delas para comer, beber, vestir – de quem mais de um milhão na conta, como o Plínio, e não os usa para investir na causa que ele tanto defende. Cabe aos movimentos sociais conscientizar os que recebem esses benefícios e mostrar que o governo não está fazendo uma favor a eles, mas que assegurar uma vida digna, com muito mais do que essas “bolsas” (mas também com elas, quando necessário), é dever do Estado. Repito que a ascensão social promovida por tais políticas associada à geração de emprego e ao investimento na educação pode facilitar essa conscientização.
    De fato, o PT era contra; felizmente mudou de ideia. O PT, aliás, como oposição, muitas vezes foi um partido escroto, que era contra por ser contra – como o DEM e alguns partidos de extrema esquerda fazem hoje.

    4. Não, não mudei de assunto. A discussão dizia respeito a como a caracterização do governo do PT por parte do autor do artigo era problemática e que visão ela expressava. Tal visão, a meu ver, é muito próxima àquela demonização do comunismo que, entre outras coisas, deu azo à ditadura. Pois foi sob a alegação da ameaça comunista e, na verdade, contra as conquistas sociais que se anunciavam no governo João Goulart, que se instaurou-se a ditadura, a qual visava, em linhas gerais, do que a proteção do grande capital, externo, sobretudo. De novo se faz alegação semelhante e de novo em nome do grande capital, externo e interno.
    Conheço sim, o PNDH 3, embora não tenha tido oportunidade de estudá-lo a fundo mas nada do que foi dito pelo autor do texto me parece estar lá. O tema das liberdades individuais, por exemplo, me parece bem configurado lá, com a maior inclusão dos homossexuais, a redefinição do conceito de família, etc. Todavia, concordo que o PL122 é problemático. Aliás, a Dona Globo interferir contra depõe a favor do PNDH 3… Revisão de concessões públicas não é necessariamente restrição de liberdade de imprensa; o uso a torto e a direito dessas concessões me parece muito mais problemático. E sigilo por sigilo, Mônica Serra também quebrou o de milhões de pessoas; claro que isso uma coisa não justifica a outra; mas também não podemos usar dois pesos e duas medidas. Por fim: eliminar o direito de propriedade? Sinceramente, não localizei isso.

    5. Não pretendi reduzir a complexidade do “tema religioso” à TFP. Nem pretendi entrar nesse assunto. Não dá para tratar de tudo em um comentário. Apenas mencionei, no contexto em que defendia a proximidade do discurso do autor do artigo à ditadura, que a adesão de um grupo que apoiou o golpe militar parece corroborar com a tese de que discursos mais conservadores se alinham com Serra. Se é verdade que ela ainda defenda que seja proibido o uso de camisinha, que seja revogada a lei do divórcio, que só seja praticado sexo para fins reprodutivos, que as mulheres sejam submissas ao homem por lei, que cultos religiosos de origem africana sejam proibidos no Brasil; e que ela dissemina preconceito contra as demais religiões não católicas e defende que o ensino religioso seja obrigatório no ensino público, me parece meu argumento está correto. Procurarei me informar melhor a respeito.

    6. O juízo moral pode ter sido, de fato, um exagero da minha parte. Peço desculpas.
    E faço, sim, minha parte, não só com doações individuais, mas também votando na Dilma, no segundo turno.

    7. É bom na medida em que o fortalecimento do Estado leve-o a prover os serviços essenciais que são reponsabilidade sua (como saúde, em que é necessário fazer muito ainda; educação, em que se fez muito mais nesses 8 anos (http://www.ogirassol.com.br/pagina.php?idnoticia=19867) que nos anos dos tucanos, que também foram 8), fazer os investimentos econômicos necessários e não deixar a economia inteiramente solta. A dívida pública cresceu também nos anos do FHC, sem que isso resultasse em desenvolvimento e geração de empregos.

    8. Nem falácia nem desinformação; eu diria que foi falta de cuidado. Veja que eu digo “em linha gerais”, com o que quis assinalar apenas a diferença com relação ao outro governo. Dito assim de fato pode soar falacioso; ceria-me, não foi minha intenção, contei que para bom bebedro meia palavra basta. Mas, omo vc deve saber, o governo tem sim reservas suficientes para pagar a dívida externa e não está subordinado ao programa de ajustes do FMI como antes e nem depende de empréstimo dele.

    9. Também me decepciona que o PT “naturalize” a corrupção. Mas o que me interessa é decidir o que é melhor para o país e o argumento da corrupção não a balança pesar para nenhum dos dois lados.

    Perceba, Robson, que vc não entendeu bem meu discurso. Não se trata apenas de bens materiais; trata-se de valores como justiça social, respeito à dignidade humana, solidariedade. As ações de transferência de renda põem esses valores em primeiro plano. Os investimentos na educação vão nessa direção. Como já disse, a ideia de que o PT vai cercear as liberdades me parece completamente infundada. Quanto a “sujar a mão com sangue de inocentes”, creio que vc está se referindo à questão do aborto. Também não a vejo como o fiel da balança: tanto um lado como outro já se pronunciaram ou tomaram atitudes a favor e contra. Cederam agora ao apelo dos religiosos, e se declararam contra. Não sei se vc sabe, mas quando Serra era ministro da saúde ele promulgou uma norma técnica que, na prática, funcionou como uma legalização do aborto. Teve até um deputado que até afirmou que ele estaria passando por cima do legislativo. Vou tentar achar isso e te mando o link.

    Sinceramente, não sei se ser contra o aborto é bom ou ruim. Dizer que o aborto é ou não um assassinato depende de sabermos onde começa a vida; para isso, temos que ter clareza quanto ao que é a vida. A isso está ligado decidirmos sobre em que âmbito podemos decidir isso: se é no âmbito científico, se é no âmbito religioso, se no âmbito filosófico, ou se em mais de um deles, se em um outro que não eles. Discutir isso já, em si mesmo, colocar uma questão filosófica muito importante e que pode ter conseqüências para outras questões como a eutanásia, etc.

    Não sei se consegui ser suficientemente claro; fiz o que pude entre os cansaços da vida de professor. Por conta desses cansaços mesmos a próxima resposta pode demorar e pode não ser tão completa. Aproveito então para lhe (nos) desejar cordialmente os parabéns, atrasados. Espero que esse debate seja proveitoso para ambos, e para os que o acompanhem.

    • Robson Oliveira
      18 de outubro de 2010 at 13:39

      Oi Germano!

      Preocupa-me que nossos comentários aos posts sejam maiores que os textos originais. Há alguma coisa errada quando isso acontece. Por isso, vou tentar ser ainda mais breve.

      Ao meu ver, a confissão de sua segurança em campo político não é compartilhada por mim. Sou mais platônico, neste ponto. Reafirmo: não tenho certezas políticas. E o site não contém críticas ao PT. Há críticas, sim, a partidos que defendem a morte como posturas de governo. Acidentalmente, no momento esse partido é o PT. Aliás, você mesmo reconhece isso quando diz que “embora o texto não seja seu ou de um dos articulistas do site, a escolha dele para figurar no Humanitatis, conjugada com os demais artigos que tive ocasião de ler, expressa uma posição razoavelmente clara anti-PT – o que, é claro, pode não significar diretamente pró-PSDB”. Quanto ao texto “PT e a criminalização..”, novamente não se trata da eventualidade de ser um projeto criado e orientado por membros do PT. Concluo dizendo que o site não é contra-PT, é a favor da vida.
      Bem, quanto ao comentário sobre seu texto, garanto que ele não foi depreciativo e precisa ser lido à luz do meu último parágrafo. Quis dizer que todos os seus comentários figuram sob a mesma ótica: o critério de escolha do presidente tem que ser o critério econômico. Para mim, isso é um equívoco.

      Vamos retomar os pontos:

      1. Achei que concordássemos que o sucesso da política econômica não se devia ao “Milagre do PT”. Foi isso que você disse quando sustentou que “ampliar e aprofundar…” era já um mérito, não foi?? Perceba que concedi que o texto do articulista não refletia a verdade dos fatos, pois há méritos econômicos no trabalho do PT. NO entanto, você prefere uma leitura mais forte, se não me engano. Ora, se para você o sucesso econômico foi um milagre e não apenas “ampliar e aprofundar…” como dissera antes, aponte em que sentido a política do PT difere do PSDB. Concordo com o articulista quando afirma que quase tudo é continuação do PSDB, o que contraria a ideia de milagre.

      2. O ponto do debate foi perdido. O que é preciso provar é que “ampliar e aprofundar é em si uma mudança radical”. Seu texto em nada avança a questão. No novo texto é preciso provar que ” o grande capital e a classe média, bem como seus intelectuais, que não querem a distribuição de renda”. Afinal, a intelectualidade brasileira é de esquerda e, grande parte, petista.

      3. Parece que concordamos que a política de quotas é útil, mas não deve ser eternizada. Falta agora é responder se o PT está fazendo o possível para diminuir estas políticas por ações de estado ou está transformando-as em ações de governo, encabrestando eleitores. Acho que é o segundo caso. Prova: em todos os estados do nordeste o PT saiu vencedor na corrida pela presidência. No passado, quando acontecia isso com o PDS, PFL ou PMDB, a esquerda dizia que era voto de cabresto. Logo…

      4. Bem, lamento discordar. Ou você não teve atenção, ou concorda com tudo que o PT escreve. E o principal: você ignorou o fato de, no link que mandei, a Dilma ter admitido e voltado atrás em vários pontos do PNDH-3 e do PLC 122. Ora, se voltou atrás é porque admite que estava avançando, não é? Atacar a família Serra nesse ponto não toca o assunto nem ajuda a entender os tais documentos.

      5. Novamente: esses temas religiosos são complexos e você tem deles apenas um verniz. Precisa, realmente, estudar mais. Vou ajudar. Se quer dizer que a TFP tem posturas que independem da Igreja, esses comentários em nada tocam nossa questão. Mas se quer dizer que esses ensinamentos que você acredita serem da TFP refletem o pensamento da própria Igreja precisa revê-los: a) Sim, a Igreja recusa a seus fiéis o uso de qualquer método contraceptivo, sem razões graves; b) A lei do divórcio é uma lei injusta, mas não se luta para revogá-la; c) Não, a Igreja nunca ensinou que o sexo tem em vista apenas a reprodução; d) Não, as mulheres no cristianismo são muitíssimo respeitadas, talvez mais que no século ou no Islã; e) e f) Não, a Igreja defende a liberdade religiosa, ainda que sofra o preconceito de outras religiões ou denominações cristãs; g) Sim, o ensino religioso é um direito natural, e como todo direito natural deveria ser garantido pelo Estado. As razões para tudo isso demoraria demais.

      6. Que votar na Dilma seja bom para os mais pobres, ainda é preciso provar. Quem mais fez pelos miseráveis do país nos últimos 8 anos foi o Pe. Roberto Lettieri e não Lula ou FHC.

      7. Mantenho minha crítica: a saúde brasileira melhorou nos últimos 8 anos? Há mais hospitais e melhores atendimentos? Não vejo isso na prática, só na propaganda.

      8. Não, não sei se tem reservas. Dê-me a fonte dos seus dados.

      9. Concordamos, parece.

      Ainda discordamos, Germano. Os valores alegados por você, que tornariam o seu discurso mais humano e menos econômico (justiça social e dignidade humana), nunca são tomados em si mesmos, mas são sempre relacionados a outro. Ora, a dignidade humana, Germano, não pode ser condicionada a nada, nem à saúde, nem à educação, ou à cidadania. Não se pode “conceder” dignidade a qualquer humano. Ou se tem, ou não se tem dignidade. Deve-se é respeitá-la até o fim! Você compara os dois candidatos no que tange ao aborto e concordo que, pessoalmente, eles têm a mesma história. No entanto, os partidos fazem diferença. O PT já forçou a expulsão de outros membros que foram contrários ao § 13 do seu estatuto (caso do Bassuma, que saiu do PT para não sofrer retaliações). O PSDB não tem esse discurso e mesmo que o Serra tentasse impor sua vontade encontraria resistência dentro do próprio partido.

      Germano, causa-me espanto o seu parágrafo sobre o aborto. Concordo que o tema não é simples, mas também não é assim insolúvel. Para quem quer garantir dignidade e felicidade para o bebê nascido no Brasil nas palafitas de Belém, por que negar a mesma dignidade para o bebê que falta um dia para nascer?? Ou você acha que o recém-nascido não tem dignidade? Supondo que concorde que todo nascido tem dignidade e que, portanto, o assassinato desse ser é um mal em si mesmo e horrendo por natureza, o que difere um bebê nascido aos 9 ou aos 6 meses? Há diferenças?? Pois biologicamente é o mesmo ente; geneticamente é o mesmo ente; morfologicamente é o mesmo ente. Qual o princípio que permitiria dizer que o bebê de 9 meses tem dignidade e o de 8 meses e 29 dias não tem?? O programa do PT para o aborto reserva o direito da mãe matar seu filho até o 9 mês de gravidez. E o método de aborto é o chamado cesariana!! Gostaria de ouvir seus argumentos para achar que o aborto não é questão fundamental.

      Abração e responda quando puder.

  4. 15 de outubro de 2010 at 14:57

    Salve,
    gostaria de convidar os leitores desse site – e, em especial, o(s) que organiza(m) o site – a discutir alguns pontos que me parecem problemáticos no artigo acima. Espero que todos estejam dispostos, como eu, a um debate político aberto e racional, dispostos a ouvir o argumento do outro e, se for o caso, mudar de posição. Vamos por partes.

    O argumento central é o de que todas as conquistas do governo Lula se devem ao “maravilhoso” governo do PSDB. Se o governo era assim tão bom por que a redução das desigualdades sociais foi tão maior no governo Lula, em que 24 milhões de pessoas saíram da pobreza e 31 milhões ascenderam à classe média? Aprofundar e ampliar programas que favorecem as classes mais pobres, ainda que tenham sido criados por outros partidos, assim como manter e ampliar conquistas positivas na economia é sinal de maturidade política, amplamente demonstrada pelo PT ao longo desses 8 anos de mandato. Mas AMPLIAR E APROFUNDAR é em si uma MUDANÇA RADICAL, pois a economia deixou de se guiar fundamentalmente pela ideia de fazer o bolo (dos banqueiros, das classe mais favorecidas) crescer para depois distribui-lo. O repasse de rendas tem sido imediato; e é bom que se diga, não só pelos programas sociais, mas pela CRIAÇÃO DE EMPREGOS (13 milhões), coisa que o governo do PSDB não fez.

    Claro está que tal repasse de rendas tem sido feito sem que, com isso, o grande capital tenha sido deixado de lado, o que configura o governo do PT como um governo de conciliação capital-trabalho. O temor de que o governo do PT, na figura de José Dirceu, queira implantar um governo “leninista-stalinista-chavista-castrista”, o terror em relação aos “vermelhos” é, diga-se de passagem, um dos argumentos que foi usado para implantar a DITADURA MILITAR – apoiada, é bom não esquecer, pelo atual DEM (ex-PFL, ex_PDS, ex-ARENA). No fundo, se faz presente uma vez mais o velho medo da grande capital e da classe média de que o seu bolo seja – e está sendo – repartido. Os intelectuais e todos aqueles que encampam esse discurso nada mais afirmam, no fundo, que não querem ver seus impostos gastos efetivamente com os miseráveis e os “vagabundos” do Bolsa-família – que lhes sejam dadas, enfim, grandes fatias do bolo e não migalhas. Aliás, talvez seja por isso a conservadoríssima Tradição, Família e Propriedade (TFP), que também apoiou a Ditadura, agora apóia o Serra: http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1644. Ora, apoiando quem tem apoio do DEM, quem tem autoridade suficiente para falar – inventar, eu diria – essa falácia do “plano secreto” ditadorial do José Dirceu? Essa campanha de medo, repito, foi a que nos levou à ditadura, não muito tempo atrás.

    Outra mudança radical do governo do PT fortalecimento do Estado e da coisa pública, que o governo do PSDB tentou reduzir ao mínimo. Dizer que o PT é neoliberal por não reestatizar as empresas privatizadas é ou bem é uma ironia sem sentido ou uma falácia das mais capciosas. Suponhamos que seja uma falácia. Em primeiro lugar, neoliberalismo não se reduz a isso: os esforços de reestruturação e fortalecimento do Estado são suficientes para provar que esse não é caso. Em segundo lugar, reestatizar as empresas provavelmente causaria uma fuga de investimentos do país, coisa que o PT – e talvez nenhum governo prudente – se arriscaria a deixar acontecer – ao menos não antes que o Brasil tivesse uma economia forte e desenvolvida o suficiente para investir em mudanças mais radicais.

    Além disso, internacionalmente, o Brasil deixou de ser um país submisso financeira (agora, em linhas gerais, somos credores do FMI) e politicamente (não mais o alinhamento imediato às grandes potências; o Brasil se tornou uma liderança forte e independente dos países ditos “em desenvolvimento”).

    É claro que podemos não podemos fechar os olhos para os escândalos que aconteceram ao desses oito de governo. Mas, para pensá-los criticamente, não podemos nos esquecer que: (1) os escândalos só apareceram porque a polícia federal, o Ministério Público, as CPI´s justificáveis tiveram liberdade para trabalhar. O “fortíssimo” José Dirceu, do qual articulista acima tem tanto medo, enfrentou um processo e foi cassado. (2) os veículos de imprensa não são neutros. Tomar as DENÚNCIAS da Veja (que sempre foi direitista) como FATOS ou é uma ingenuidade (inaceitável naqueles que se pretendem intelectuais) ou é falta de caráter mesmo. (3) é lamentável que o PT tenha se envolvido em casos de corrupção o PT não inventou a corrupção. Não se pode esquecer do mensalão do DEM, do caciquismo histórico do DEM, do apoio a Ditadura dado pelo do DEM, principal aliado do PSDB. Não se pode esquecer também dos escândalos do governo FHC: http://www.consciencia.net/corrupcao/documentos/fhc-45escandalos.html
    Desse modo, se o único argumento que tivéssemos fosse a corrupção, ao que parece, deveríamos votar nulo.

    Felizmente, temos outros dados que podem nos ajudar a decidir e, a meu ver, a favor de Dilma. Esse dados são as mudanças fundamentais, para melhor, promovidas pelo governo do PT, as quais pretendi demonstrar brevemente acima: o investimento na redução efetiva das desigualdades sociais, no crescimento do país, no fortalecimento do Estado e, em particular, da educação pública, no estabelecimento de uma liderança internacional forte e independente. Há outras razões que podem nos fazer escolher a Dilma. Espero que possamos refletir ao menos sobre as razões mencionadas antes de decidir nosso voto. Sobretudo aqueles que têm a caridade e o amor ao próximo como valores fundamentais não devem se esquecer disso ao decidir entre um governo cujo foco central, historicamente, foi o setor financeiro, o grande capital, os “mais favorecidos” (o governo do PSDB) e um governo cujo foco central é a redução das desigualdades, a justiça social, a distribuição de renda para os “menos favorecidos” (como tem se mostrado, claramente, o governo do PT). Para alguns números a esse respeito: http://porquevotamosnadilma.wordpress.com/o-pais-progride-estatisticas-diarias/

    P.s.: sobre a melhora na educação e na universidade, citada no comentário acima, cf. http://www.ogirassol.com.br/pagina.php?idnoticia=19867

    • Robson Oliveira
      15 de outubro de 2010 at 19:57

      Salve! Estamos de acordo, Germano.Espero que também esteja aberto a um debate franco

      e,se for evidente, que mude de posição. No entanto, diferentemente do seu discurso,

      não tenho tantas certezas políticas. Por isso, não me importaria de acabar a

      discussão em uma aporia.

      Bem, a primeira impressão do seu texto é que, embora pareça complexo, ele não é. Além

      disso, a mim parece que você está muito seguro das suas convicções. No

      entanto, isso em nada fortalece seus argumentos. Vou tentar ser claro e apresentar as ideias o mais brevemente possível:

      1. Concordamos em que o argumento central do texto, que não é nosso, é questionável.

      Não admito, porém, que se afirme que ele é absolutamente falso. Explico-me: ainda que

      nem todas as conquistas sociais do governo do PT derivem do governo do PSDB,

      igualmente não se deve crer (a não ser de modo demasiado simplista) que tudo de bom

      que aconteceu no campo social é um Milagre do PT. O discurso do “milagre” é um

      discurso religioso e, curiosamente, sai frequentemente de lábios pouco piedosos

      quando é conveniente. Além disso, os índices apontados por você são bastante

      questionáveis, embora tenha que admitir que houve melhorias no campo social, sim.

      2.Noves fora ter que provar que “ampliar e aprofundar é em si uma mudança radical” em

      qualquer sentido, entendo equivocada a sua ideia de que os banqueiros estão

      lamentando o governo molusco. Segundo os últimos números econômicos, não houve

      período histórico, desde a redemocratização do Brasil, no qual os bancos tenham ganho

      tanto dinheiro quanto nos últimos 8 anos. Cito texto elucidador:

      – O governo alardeia o aumento do salário mínimo de 57%, mas o lucro dos bancos foi

      de 500%, e o das grandes empresas foi de 400%. A prioridade na alocação dos recursos

      continua a ser, no governo Lula, os bancos, as grandes empresas e o agronegócio. A

      ‘Bolsa Banqueiro’ foi muito maior.

      Essas palavras não são do Michel Temer, do PMDB, vice da Dilma; nem do Cid Gomes,

      dono do Ceará, cabo eleitoral da Dilma. Essas são palavras insuspeitas de Zé Maria,

      do PSTU – veja toda a matéria aqui –

      http://noticias.r7.com/eleicoes-2010/noticias/candidatos-da-esquerda-se-unem-para-cri

      ticar-governo-lula-em-debate-20100921.html)

      3. Quanto ao que você chama “repasse de renda”, é ótimo. Pena que continua no nível

      da migalha. Isto é, ainda estamos no nível “Bolsa isso”, “Bolsa aquilo”. Talvez você

      não lembre, mas quando os “repasses de renda” realizados pelo governo FHC e até, no

      nível estadual, pelo Garotinho, todos da esquerda acusavam corretamente esta prática

      de paternalismo do estado em relação ao cidadão. Outros, como o PSTU e o PCO, diziam

      que era um modo de tornar o cidadão favorável ao estado,por causa das benesses que

      recebiam dos governantes. Estas práticas confundiam ações de estado e de governo.

      Ora, foi só tornar-se governo que o PT elevou as “Bolsas isso”, “Bolsas aquilo” à

      “repasse de renda”. Eu não entendo, me explica???

      4. Bem, você mudou bruscamente de assunto. Vamos lá. O problema da ditadura não é

      “dividir o bolo”; o problema da ditadura é ser ditadura. Se não conhece, sugiro que

      leia o PNDH-3. Não se trata de planos secretos. Está tudo muito claro e evidente. Os

      projetos ditatoriais deste documento são tão escancarados que provocaram até a

      interferência da Dona Globo. E hoje, fez com que a Dilma voltasse atrás em alguns

      pontos. Ora, se ela voltou atrás, é porque o texto ia mais adiante. Nesse caso,

      Germano, sugiro leitura

      (http://g1.globo.com/especiais/eleicoes-2010/noticia/2010/10/dilma-divulga-carta-para

      -por-um-fim-definitivo-campanha-de-calunias.html).

      5. Quanto ao fato de a TFP apoiar o Serra, novamente sugiro que você repense alguns

      conceitos. A TFP sofreu um duro golpe recentemente, com a morte do seu fundador.

      Hoje, a TFP – nos moldes que você menciona no comentário – não enche 3 ônibus. O tema

      religioso é complexo – achei que os fatos atuais revelassem isso – surpreendeu-me sua

      simplismo.

      6. Quanto ao juízo moral de que os que não pensam como você acham que os pobres são

      “vagabundos”, é preciso provar isso. Acho que a gente não se conhece, mas garanto que

      não sou desfavorável a partilha do bolo. E mais: contribuo mensalmente por essa

      partilha. O que você faz??

      7. Houve um fortalecimento do Estado, o que em si não é bom, nem mal,né? Minha

      leitura é que a dívida interna (a maior da história) aponta para o ponto contrário a

      sua argumentação.

      8. Germano, não sei se é falácia ou desinformação. Espero que seja o segundo. Bem,

      somos, sim, credores do FMI, mas ainda temos dívida externa que não é pequena.

      Pagamos 5 bilhões ao FMI e, de acordo com o Banco Central, a atual dívida externa é

      de mais de 200 bilhões de dólares. Se está na dúvida, dê uma olhadinha no BC

      (http://www.bcb.gov.br/htms/notecon1-p.asp?idioma=P).

      9. Sobre a quantidade e profundidade dos escândalos se relacionarem com a liberdade da polícia, esse era o argumento de Anthony Garotinho, quando seus assessores eram pegos envolvidos em maracutais. O PT sempre fez o discurso da diferença. É muito cômodo agora dizer que é tudo igual.Mas a corrupção não é o tema que mais me incomoda, Germano.

      Bem, seu comentário final deduz que se deve votar na Dilma por causa dos benefícios materiais que ela pode trazer aos mais pobres. Eu, na condição de humano, não quero um vintém, um benefício, que custe o sangue de inocentes. Perceba, Germano, que todo o seu discurso versou sobre benefícios materiais que adviriam do governo do PT. Mas em momento algum você questionou valores humanos ou, quando fez ao tocar no assunto liberdades suprimidas, fez sem considerar os atuais documentos do PT sobre o tema. Antes de tudo, importa saber se meu benefício, meu conforto, meus bens derivarão ou não de uma ação ética. Depois, é que se discute como estes bens serão divididos. O ponto de partida já está errado, no meu modo de ver.

      Aguardo sua réplica para continuarmos.

  5. 15 de outubro de 2010 at 13:14

    “o telefone celular anda no bolso até das faixas mais pobres da população”?

    Não sei se entendi bem, mas de qualquer forma sugiro que assista a esse vídeo do último debate na Band sobre a expressão empregada pelo candidato tucano quanto à sua política habitacional: http://www.youtube.com/watch?v=MLdRON_S340. Parece que corrobora com esse argumento.

    E como um amigo meu acrescentou: “Pobre não precisa de faculdade, curso técnico tá bom”, já que o Serra espalha que por aí que implementará 500 mil vagas para o curso técnico de enfermagem, mas não o ouvi falar nada a respeito das universidades públicas.

    Só para constar: quando entrei na UFRJ em 2002 o segundo semestre letivo começou em Outubro por conta de uma greve que, entre outras coisas, anulou o Vestibular daquele ano. E que numa medida “absolutamente democrática” o então ministro da Educação, Sr, Paulo Renato, colocou na cadeira de reitor o sr. Vilhena, rejeitando a decisão dos professores, alunos e funcionários da instituição (que elegeram Lessa). Com essa decisão muitos problemas ocorreram na UFRJ. Porém, no ano seguinte começou um outro governo (o do molusco) e apesar dos rumores de greve que vez ou outra rondavam os corredores, me formei em quatro anos sem enfrentar nenhuma greve (pelo menos nenhuma greve que tenha atrapalhado o ano letivo).

    Também quando entrei na universidade os professores reclamavam muito da falta de professores e de concursos, além, é claro do salário que não correspondia às suas atividades. Já me formei há um tempo, mas quando ainda estava na faculdade alguns concursos para professores e funcionários aconteceram. Hoje o departamento de filosofia está com, pelo menos, mais cinco professores, o que é um ganho. Além disso, as bolsas dos estudantes aumentaram, permitindo que só se estude, como exigem as instituições de pesquisa; cursos novos foram abertos e vagas aumentadas, a UFF e a Rural, por exemplo, abriram cursos de filosofia. Gosto de destacar este ponto porque no mundo de hoje a filosofia é, para muitos, irrelevante, e se um governo é capaz de dar autonomia para as universidades decidirem como investir ou mesmo incentivar a formação de um curso desses, sinceramente, é louvável.

    Sei que o Prouni é o carro-chefe na propaganda da Dilma (e tenho críticas a ele, já que põe dinheiro público em instituições privadas), mas os investimentos nas Universidades públicas não ficaram de lado. Portanto, voltando ao programa do Serra para o ensino, poderemos até ter muitos técnicos em enfermagem, mas e os enfermeiros, os médicos, os professores – como nós – de onde sairão? Pobre não tem o direito de chegar à universidade e se tornar um profissional em igualdade de condições com aqueles que tem dinheiro?

    parabéns pelo dia de hoje, para nós!

    • Robson Oliveira
      15 de outubro de 2010 at 13:57

      O governo do PT teve 8 anos para mudar a situação da educação do país, Elaine. E nem podemos dizer que falta alguma coisa, pois nem começou a transformar nada.

      Talvez você não lembre, mas há pouco mais de 25 anos, telefone era como carro ou casa própria, era tão raro que as pessoas declaravam no Imposto de Renda.

      Parabéns, professora.

      • Robson Hilario
        15 de outubro de 2010 at 15:56

        Meu grande amigo Robson,
        temos muito o que fazer nesse pais pela educação e principalmente pela educação de base! Mas dizer que “nem começou a transformar nada” é um pouco injusto.
        Se vc for na praia vermelha em Niterói – na UFF, você verá pelo menos a construção de três novos prédios. Eu sei a luta de anos dos professores de computação para arrumar a verba e poder construir um prédio próprio. E sei também que tudo isso não é só dinheiro do governo não pois sei de investimentos e projetos da e com a Petrobras.
        Não estou querendo defender governo algum mas devemos ser justos. FHC criou o plano real e diversas outras coisas boas, muito bom! Mas o Lula reergueu nossa industria naval criando milhares de empregos e também fez diversas outras coisas boas! Da mesma forma tivemos diversas coisas ruins nos dois governos, como a corrupção!
        Devemos buscar a verdade sempre não é isso meu grande amigo?
        Por isso, termino lembrando de projetos de leis como PL-122 e o PNDH-3 o que nos deve fazer refletir muito antes de votarmos pela continuidade desse governo!
        Parabéns aos professores também!

        • Robson Oliveira
          15 de outubro de 2010 at 18:05

          Amigo, me permita discordar de você. Acho que concordamos (estou supondo que concordamos), que o ensino que precisa ser modificado urgentemente é o ensino fundamental e médio. O ensino superior brasileiro nunca foi uma lastima completa. É neste sentido que disse que a reforma necessária ainda nem começou a ser feita. E neste ponto, não se pode argumentar acusando “a herança maldita”… Foram dois mandatos.

          Ah, quanto aos temas que me interessam, esse nem é o mais importante. Como li em algum lugar: não ficaria confortável em escolher um candidato pelos benefícios econômicos e financeiros se soubesse que o preço seria o sangue de inocentes. Só postei as informações (que ao meu ver, não são absolutamente falsas) para dar uma outra perspectiva ao “Milagre Molusco”.

          Parabéns, professor!!!

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