Michael Fox e a UFRJ

Enquanto pesquisadores avançam a ciência; alguns jornalistas distorcem os fatos

Essa semana, um grande jornal divulgou que uma equipe de pesquisadores da UFRJ conseguiu reconstruir células cerebrais, a partir de células epidérmicas de um paciente de esquizofrenia. O mérito da equipe da UFRJ foi pôr em prática, com sucesso e usando tecnologia nacional, a teoria criada no Japão em 2007. O processo é transformar uma célula adulta do paciente em célula-tronco, para que ela possa ser usada na produção de remédios contra doenças ou até na regeneração de órgãos inteiros. Os pesquisadores da UFRJ estão em harmonia com o resto do mundo acadêmico, que abandonou a pesquisa com células-tronco embrionárias, por causa de sua ineficiência (veja aqui, aqui, aqui e aqui).

Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Crispin Glover e Thomas F. Wilson num filme que marcou época

No entanto, a editoria do citado jornal, por incompetência ou vilania, tem o descaramento de afirmar que os pesquisadores da UFRJ “voltaram no tempo” e transformaram uma célula adulta em célula-tronco embrionária. Alguém tem que dizer para esse jornalista que a viagem no tempo é coisa de cinema. O segundo perdido assim ficará! Quanto mais os anos… O que os competentes cientistas da UFRJ pretendem não é voltar ao passado, mas mudar o futuro. E para isso, de nada adianta divulgar uma “volta ao passado”.

Além disso, e esse é o ponto mais cruel, o jornalista poderia não estar saudoso dos filmes de sua juventude. Talvez ele não fosse apenas um fã de De Volta para o Futuro (Back to the Future) esperançoso de que a vida, finalmente, imite a arte. Pode ser que o responsável pelo lastimável comentário, que afirma que a pesquisa dos professores da UFRJ transformou células do paciente em células-tronco embrionárias, queira justamente confundir os leitores para que eles pensem que o resultado positivo destas pesquisas se tenha dado por causa de embriões humanos. Talvez ele pretenda justificar como as promessas feitas aos milhões de deficientes físicos, na época da votação da pesquisa com embriões no STF, em 2008, possa um dia dar certo. Afinal, ele pode achar tudo isso, ele pode ter opinião. O que não é possível é um jornalista falsificar uma notícia por causa de motivos ideológicos! O bom resultado da pesquisa não se deveu ao fato de os pesquisadores utilizarem células-tronco embrionárias, nem as células utilizadas se transformaram neste tipo de célula. Aliás, de acordo com o senhor “Stevens Rehen, coordenador do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a criação do laboratório (de células-tronco adultas) deve colaborar para a obtenção de resultados mais significativos na área”. Isto é, o senhor que coordena um órgão que trata de pesquisar células-tronco em embriões, assassinando-os, afirma que os resultados com células-tronco adultas são mais significativos (sic!) que os dele. Se vivêssemos em um país normal, a união, que deve zelar pela economicidade dos atos administrativos do governo, deveria fechar tal Laboratório de pesquisas embrionárias e realocar toda a verba reservada a esse grupo para os que estudam células-tronco adultas.

Pois é, enquanto alguns cientistas procuram melhorar o mundo, alguns jornalistas pretendem, em nome de sei lá qual ideologia, auferir lucro político, jogando areia na cara dos leitores, a despeito dos fatos.

Robson Oliveira

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