Necessidade de uma fé mais profunda

Eis um texto interessante sobre a relação entre a sociedade e a Igreja. Garrigou-Lagrange viveu intensamente o processo de laicismo pelo qual passou a Europa e faz quase uma descrição do que ocorre agora no Brasil.

Reginald Garrigou-Lagrange – A Santificação do Sacerdote

Os funestos erros que hoje se difundem no mundo tendem à descristianização completa dos povos. Tudo começa com a renovação do paganismo no século XVI, isto é, com o renascimento da soberba e sensualidade pagã entre os cristãos. Aumentou progressivamente com o protestantismo por causa da sua negação do Sacrifício da Missa, do valor absolvição sacramental e, por conseguinte, da confissão; Negou igualmente a infalibilidade da Igreja, a Tradição ou Magistério e a necessidade de observar preceitos para salvar-se. Mais tarde, a Revolução Francesa se esforçou abertamente pela descristianização da sociedade, conforme os princípios do Deísmo e do Naturalismo, a saber: Deus, se existe, não se importa com os indivíduos, senão apenas das leis universais. Por conseguinte, o pecado não é ofensa a Deus, mas um ato contra à razão, que se desenvolve constantemente. Por isso, o roubo se considerava pecado quando se admitia o direito de propriedade individual; mas se a propriedade individual é, como dizem os comunistas, contra o direito da comunidade (coletividade), então é a mesma propriedade individual que resulta em um roubo.

O espírito da revolução conduziu ao liberalismo, que intentou recorrer a um caminho intermédio entre a doutrina da Igreja e os erros modernos. Mas o liberalismo a nada conduzia; nem afirmava nem negava; distinguia sempre, prolongando indefinidamente as discussões, já que não podia resolver os conflitos nascidos do abandono dos princípios cristãos. Por consequência, o liberalismo não era uma norma de ação. Em seguida veio então o radicalismo, mais avesso aos princípios da Igreja, disfarçado de “anticlericalismo” para não se denominar anticristianismo. São os maçons. Ele conduziu ao socialismo e este ao comunismo materialista e ateu, tal como se pratica hoje na Rússia, e que desejava ser implantado na Espanha e outras nações, negando a religião, a propriedade individual, a família e a pátria, e reduzindo toda a vida humana à vida econômica, como se só existisse o corpo; como se a religião, as ciências, as artes e o direito fossem invenção que pretendem oprimir aos demais e possuí-los exclusivamente.

O laicismo é uma violência contra a dignidade humana, não apenas contra o espírito religioso. E os frutos desta opção estão mais que patentes na sociedade brasileira.

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