Neo-Ateísmo Conveniente

Muitos neo-ateus surgem por falta de confiança na Providência de Deus, que não desampara nunca, jamais deixando faltar o necessário. Fama e riqueza, no entanto, não são necessários para o homem. Por que, então, deixar-se convencer pelo brilho do ouro ou pelos aplausos do público?

Reprodução

Algumas vezes me pego pensando: como alguém que experimentou o Amor de Deus e até teve uma boa formação teórica sobre religião se afasta da prática religiosa? Tudo bem que a profundidade religiosa não é garantia de fidelidade a Deus. Santo Afonso Maria de Ligório ensina que a perseverança final é uma graça especialíssima, que precisa ser implorada regularmente. Mas causa estranheza que qualquer problema, qualquer doença, qualquer porcariazinha afaste os cristãos do Amor de Deus. E maior é o espanto quando aquele fiel piedoso, aquele jovem entusiasmado por Deus, aquela menina tímida, que conseguiu vencer a timidez e tornou-se excelente cantora justamente graças a Deus e sua Igreja, tornam-se inimigos do Senhor.

Essas pessoas esquecem-se com extrema facilidade do abraço que os acolheu, dos ombros que os sustentaram. Como cães ingratos, mordem a mão que muitas vezes os alimentou enquanto ainda eram pequenos: pequenos atores, pequenos cantores, pequenos empresários, pequenos catequistas. E quando se tornam grandes não é que simplesmente esquecem, eles descaradamente mentem e ofendem o palco que primeiramente os acolheu nas quermesses, traem as salas de catecismo onde pela primeira vez lecionaram, negam os coros das capelas que ressoaram sua voz na juventude. E agora que são grandes, grandes professores universitários, grandes cantores, grandes atores, posam de inimigos da Cruz de Cristo, fantasiam-se de neo-ateus, tudo para salvar às aparências, tudo para parecer atual. Mas meu irmão, as aparências passam: o que você fará quando os holofotes negarem seu brilho ao velho ator que você vai se tornar e preferirem um ator mais jovem e bonito? O que você fará quando sua voz falhar, deixando a plateia perceber que o tempo também passa para os grandes cantores? Onde encontrará apoio quando a ciência novamente desmascarar os limites do conhecimento humano? A verdade é que deve ser o farol a guiar nossas vidas, nunca a moda! Infelizmente, no entanto, a verdade não está na primeira página dos jornais e revistas do país.

Muitos neo-ateus surgem por falta de confiança na Providência de Deus, que não desampara nunca, jamais deixando faltar o necessário. Fama e riqueza, no entanto, não são necessários para o homem. Por que, então, deixar-se convencer pelo brilho do ouro ou pelos aplausos do público? Por que trocar o Amor incondicional de Deus pelos amores cotidianos, tão fugazes e ingratos? Não tenha medo da pobreza ou do anonimato, meu irmão! Tema, antes, viver uma vida mentirosa e contra sua consciência.

Robson Oliveira

2 comments for “Neo-Ateísmo Conveniente

  1. 30 de Janeiro de 2014 at 14:31

    Amigo, já tinha lido este seu texto certa vez… não lembro quando. Mas à época em que li, não havia refletido um pouco acerca do seu raciocínio sobre os motivos de uma pessoa deixar de ser cristã, ou “abandonar” a igreja.

    Eu sou uma pessoa que, sob este ponto de vista, “abandonou” a igreja. Isso porque não sou mais um católico praticante, como sempre fui desde minha nascença até mais ou menos 28 anos de idade.

    Sempre fui à Igreja. Sempre fui participativo em algo. Mas NUNCA fui plenamente convicto da existência de Deus tal como a Igreja coloca. Não só a igreja católica, mas qualquer igreja. Minha fé era forçada. Eu estava na Igreja por uma questão social… para agradar à mamãe, por medo de ir para o inferno, mas cheio de questões não respondidas e cheio de práticas contraditórias.

    Então, o que penso é que há hoje muita gente assim na igreja. Participa mais pelos outros do que por Deus. E muitos foram embora pelos mesmos motivos que eu fui. Mas não por isso deixaram de ser boas pessoas. Bondade esta, que devo reconhecer, vem de uma formação dada pela Igreja.

    Não me considero um ateu. Talvez agnóstico, mas não gosto dessas definições arbitrárias. Minha convicção é que nada é por acaso e que temos algo que olha por nós, mas que não tem como atingirmos. As religiões dizem que somos feitos à imagem e semelhança de Deus. Eu acho isso uma grande arrogância. Não somos nada. Penso que nossa obrigação é evoluir no amor ao próximo. Amor que acho que foi pregado por Cristo, mas incompreendido e distorcido pelo homem ganancioso.

    Daria para conversar muito sobre isso, né? rsrs.

    Abç

    • 30 de Janeiro de 2014 at 17:02

      Olá, Gu. Faz tempo que a gente não conversa. Também acho que o papo ia longe… e não sei se aqui é o lugar para tratarmos desse assunto. Só quero pontuar três coisas.

      1. A existência de Deus não depende da minha opinião ou da sua. Quero dizer com isso que alguém deve ter razão. O que não pode, é ilógico, é que eu ache que Deus existe, você que não, e todos tenhamos razão. Absolutamente! O fato de alguém não acreditar em cometas não faz com que eles não existam. O fato de alguém ter certeza íntima de que manga com leite mata não torna essa mistura mortal. Então, penso que o caso de Deus está no mesmo nível. Se Deus existe, você está errado e suas convicções também; se Deus não existe, eu estou errado e toda minha vida está fundada em uma mentira. O que não é possível é que eu e você estejamos certos nesse assunto, pois se trata da existência real de algo.

      2. Na sua perspectiva, que é impossível saber se Deus existe, afirmar que o homem é semelhante a Deus é tão arbitrário e arrogante quanto dizer que ele não é semelhante a Deus. Ou há provas incontestáveis de que o homem não é semelhante a Deus? Ou que Ele é tão diferente dos homens, isto é, que Ele não ama e não é inteligente?

      3. Outro ponto é a história, Gu. Se Deus existe ou não é assunto especializado e não mera opinocracia. As maiores mentes de toda a humanidade eram teístas – não necessariamente cristãs. Então, é sinal de inteligência ao menos averiguar se pessoas como Sêneca, Aristóleles, Agostinho, Platão, Gadamer, Dostoievski, Tolstoi, Michelângelo, Descartes, Chesterton, Einstein, Thomas Edison, Galileu, Copérnico, Mendel tinham alguma razão nas suas convicções mais íntimas.

      Bem, por aqui é isso, Gu. Se um dia nos encontrarmos pelas esquinas da vida, quem sabe a gente conversa tomando um chopp.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *