Nova Nota da CNBB reafirma respeito especial à vida

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A semana que passou foi repleta de acusações de instrumentalização da CNBB em nome de interesses que escapariam aos princípios fundamentais da instituição. Bispos de todo Brasil escreveram e gravaram entrevistas em defesa do que entendiam ser o melhor posicionamento em relação às eleições. Dom Demétrio Valentini, bispo da mui justa e espiritualizada Jales (SP), garante que alguns bispos do Regional Sul 1 usaram a CNBB para influenciar os votos de seus fiéis, negando assim a imparcialidade querida nesse processo tão importante para a nação brasileira:

Existe uma espécie de falácia que precisa ser desmontada e esclarecida. Essa falácia consiste, em primeiro lugar, em invocar o nome da CNBB sobre posições que não são dela – leia a íntegra aqui.

Um “organismo” da CNBB, Comissão Brasileira Justiça e Paz, falando em nome da própria CNBB, também acusa certos movimentos de expressarem opiniões pessoais como se fossem posições tomadas pela entidade (sic!):

Esses grupos continuaram, inclusive, usando o nome da CNBB, induzindo erroneamente os fiéis a acreditarem que ela tivesse imposto veto a candidatos nestas eleições – leia a íntegra aqui.

O alvo dessas acusações foram, certamente, a posição de D. Aldo Pagotto e D. Luiz Gonzaga Bergonzini, mas também não escapou ileso D. Eugênio Rixem, que lançou nota evidentemente pró-Dilma, ainda que não cite a candidata diretamente (veja aqui e aqui). Para esclarecer estas acusações, a CNBB lançou uma nota, no dia 08 de outubro, reafirmando que a voz da instituição se ouve apenas por meio da Assembléia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência. Sendo assim, contra os que pretendem instrumentalizar a instituição, o órgão consultivo dos Bispos do Brasil avisa: não confundam a posição pessoal de cada membro com a posição oficial da Conferência. Embora este texto pareça inócuo para alguns, interpreto-o positivamente. De fato, a CNBB garante e reafirma a liberdade de cada bispo na orientação de seus fiéis em temas de fé e moral, nada fazendo senão ratificar a missão da Igreja de anunciar o Evangelho fiel e integralmente:

Certamente, é direito – e, mesmo, dever – de cada Bispo, em sua Diocese, orientar seus próprios diocesanos, sobretudo em assuntos que dizem respeito à fé e à moral cristã.

Ora, com isso a CNBB inibe certos bispos, que pretendem calar vozes discordantes da sua no que concerne a perspectivas políticas e partidárias, como se CNBB fosse órgão prescritivo das ações eclesiais e não apenas consultivo. E finalmente a CNBB, em comunhão com o Magistério Ordinário, como tem que ser, afinal, afirma que a defesa da vida não é algo de somenos importância, como disse surpreendentemente aliás D. Demétrio Valentini (“Quem está a favor da vida? Não são os que gritam contra o aborto” – íntegra aqui):

[E]xortamos os fiéis católicos a terem presentes critérios éticos, entre os quais se incluem especialmente o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana – grifo nosso – leia a íntegra aqui.

Por esta razão, entendemos que a Nota da CNBB encoraja-nos a continuar na luta por uma sociedade mais humana, onde barbáries como a escravidão de trabalhadores, a violência contra a mulher, a perseguição por causa da fé e, principalmente, o assassinato de bebês não encontre facilidades governamentais, nem acolhendo estas atitudes em suas normas jurídicas, nem recebendo incentivos econômicos para suas práticas.

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