O Papa Francisco não é o Patolino

O Papa Francisco não é o Patolino. Ele não odeia coelhos.

Uma das maiores curiosidades de nossos tempos é que as pessoas são capazes de defender os valores mais contraditórios, sem corar as fauces. Nunca reconhecem que erraram no passado. Preferem defender uma postura contraditória, a assumir que estavam errados. Um exemplo é a cara-de-pau dos membros da igrejinha do PT, que eram contra o Plano Real, e agora posam de pais desse fruto do PSDB. Ou os mesmos crentes desse partido, que demonizavam as privatizações, mas não dizem um ai para a privatização do pré-sal, das rodovias federais, da terceirização do sistema de saúde, etc. Os exemplos são diversos. O mesmo acontece no campo religioso.

Pessoas que não dão à mínima para que a Igreja Católica fala sobre fidelidade matrimonial, castidade, lucro excessivo, solidariedade ou paz social, agora querem usar a doutrina da Igreja contra seus fiéis. Pessoas que nunca ofereceriam a outra face querem utilizar as palavras do Papa Francisco contra os católicos. Mas alguém me explique, por favor: por que o Papa é um idiota quando fala de castidade ou pobreza, e um gênio quando fala de reprodução humana? A resposta é simples: para essas pessoas ele é gênio quando fala o que eles querem ouvir; e é idiota quando tem a coragem de dizer o que lhes desagrada. E é nesse contexto que se coloca a disputa sobre a interpretação da entrevista do Papa Francisco, na volta de sua viagem à Indonésia.

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Pessoas que não creem na Infalibilidade Papal, usam de uma entrevista corriqueira, que não goza do caráter infalível, para atacar famílias inteiras. Fazem-se fiscais do útero alheio, usando com argumento meia dúzia de frases do Papa Francisco. Querem fazer crer que o bate-papo do Papa na volta de uma viagem tem tanto valor doutrinal quanto a Humanae Vitae. Mas estão enganados. Se o Papa quisesse criticar as famílias numerosas (coisa que não aconteceu), essa sua entrevista não teria qualquer valor, pois ele não utilizou os meios ordinários e previstos para fazer tal declaração. E o que o Papa disse de tão chocante? Absolutamente nada de novo.

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1. O Papa Francisco disse que as famílias cristã católicas não podem ter sua santidade medida pela quantidade de filhos que possuem. O que está corretíssimo e de acordo com a bimilenar doutrina cristã. Afinal, Nossa Senhora e São José só tiveram um filho e nem por isso sua família era, como dizer, uma família imperfeita. Ah, alguém pode dizer, a Sagrada Família é diferente. Não é, não! Abraão e Sara só tiveram um filho. Zacarias e Ana só tiveram um filho, João Batista. Então, é temeroso medir a santidade de uma família pela quantidade de filhos. Por detrás de uma família numerosa pode esconder-se um luxurioso. O critério para medir-se diante de Deus é o cumprimento da sua Vontade, que se expressa no Amor a Deus e no amor aos irmãos por causa dEle.

2. O Papa disse que as famílias cristãs não devem ter filhos como coelhos. No que, novamente, está com toda a razão. Os coelhos não amam suas crias. Os cristãos não podem admitir que seus filhos sejam frutos de um impulso cego da natureza, ou resultado de um dever estoico, ou um acaso indesejado. Filhos são frutos do amor e coelhos não amam. Além disso, as coelhas devoram suas crias. Aos cristãos está vedado o uso de seus filhos para a própria utilidade. Jamais aconteça de pais e mães devorarem a vida de seus filhos em prol de seus fins egoístas.

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3. O Papa disse que uma senhora, que tinha 7 filhos de cesarianas e estava grávida do oitavo, era irresponsável. Como é característico do Papa Francisco, ele usa de conhecimentos pessoais para tornar a doutrina mais próxima dos fiéis. Talvez ele tenha detalhes sobre a saúde dessa senhora, que por causa de tantas intervenções, possa estar correndo risco de morte. Nesse sentido se explica a “irresponsabilidade”. De outro modo, seria apenas um modo grosseiro de tratar uma fiel que vai ao encontro do seu Papa, procurando ajuda e consolo. Ora, essa seria uma atitude bastante contrária ao que temos visto do Papa Sorriso, como alguns chamam o Papa Francisco. Ele distribui sorrisos para teólogos controversos, acena com carinho para grupos controversos da Igreja Católica, por que imaginar que seria grosseiro e insensível justamente com a mãe de oito filhos?

Com essa reflexão fica claro que o Papa Francisco não é o Patolino. Ele não odeia coelhos. Isso não significa que sua declaração tenha sido agradável de se ouvir. Os cristãos que possuem famílias numerosas já são incomodados fora da Igreja, enquanto fazem compras, ou vão à lanchonete (uma verdadeira operação de guerra para quem tem mais de 3 filhos). É muito doloroso ter de explicar-se também para os de casa. O que não dá é para ter de explicar-se sobre as palavras do Papa para quem tais palavras nunca significaram nada. Por favor, né?

Sobre a tese da superpopulação, de Malthus, citada pelo Papa Francisco, vejam o vídeo abaixo. Para que a população mundial mantenha-se estável, uma família com três filhos é pouco.

4 comments for “O Papa Francisco não é o Patolino

  1. Pedro Maranhão
    22 de janeiro de 2015 at 19:43

    Francisco começou falando de fraternidade.
    Tem viva na alma a firme advertência de Jesus: “Vós sois todos irmãos!”
    Nega-se a viver como se fosse um príncipe.
    Denuncia constantemente o clericalismo.
    Afirma sentir “a necessidade de uma salutar descentralização”.

    Nosso irmão não tem medo de falar o que pensa.
    E isso incomoda muita gente.

  2. Aurélio
    22 de janeiro de 2015 at 17:15

    Afirmo que grande parte do problema se deve a essas famigeradas acusações genéricas.
    “Alguns acham que — perdoe a expressão – para sermos bons católicos, temos que ser como coelhos.”
    Alguns quem? Pra quem é essa crítica? Se não é para as famílias numerosas é pra quem? Para que bispo, padre, leigo, congregação, fraternidade, comunidade etc? Quem está pregando por ai quem bons católicos se reproduzem como coelhos e não devem se preocupar com as necessidades de sustento material, espiritual, psicológico ou sem respeitar as limitações médicas?
    Quando não se dá o endereço do destinatário a carta não chega, ou chega pra quem não merece receber…

  3. Sem. Marcelo Qieiroz
    22 de janeiro de 2015 at 14:04

    Muito boa a flexão, de fato esse povo usa as palavras do Papa à lacart, para defender as próprias idéias.

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