O que era a Igreja Católica Anglo-Luterana?

Marco Respinti (tradução pessoal)

Quem são os católicos anglo-luteranos? Seu nome não deixa de surpreender.

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A Igreja Católica Anglo-Luterana [logo oficial ao lado], conhecida anteriormente como Comunidade Evangélica da Igreja Luterana (Evangelical Community Church-Lutheran – ECCL), é verdadeiramente única no panorama das confissões cristãs, [sendo] até mesmo um oxímoro: ela reivindica tanto a tradição luterana, quanto a anglo-católica, ou seja, [reivindica] o patrimônio – que no contexto da Comunhão Anglicana é, sob o ponto de vista doutrinal – menos próximo ao protestantismo de todos e do qual, por força disso, chegou o maior número de convertidos do mundo.

Fundada em 1997 nos EUA e nascida de uma ruptura no seio do Sínodo de Missouri, da Igreja Luterana Americana, a ACCL afirma basicamente que Martin Lutero se empenhou a seu tempo em uma tentativa de reforma do catolicismo, que a escapou das mãos causando um cisma temporário involuntário… Ao que o ACCL funda a própria doutrina sobre uma variedade de materiais heterogêneos: a protestante Confissão de Augsburg e o Pequeno Catecismo de Lutero, mas apenas naquela parte em que concordam com a fé católica; os Trinta e nove artigos de religião da Igreja da Inglaterra, interpretados à luz do último (antes da conversão ao catolicismo) texto anglicano escrito pelo Beato John Henry Newman, que é o Nonagésimo dos Tratados acerca do Tempo do “Movimento de Oxford”, com o qual o autor buscou aproximar o credo anglicano com a doutrina tridentina, vindo a ser excomungado por quarenta bispos e teólogos obedientes a Canterbury; e também o Catecismo da Igreja Católica de 1992, tudo quanto consagrado nos seus 21 Concílios Ecumênicos e o completo Magistério Pontifício. Também acerca da Interpretação da Escritura a ACCL segue Roma, crê na na infabilidade do Papa, reconhece o primado, teologicamente e socialmente é conservadora, eclesiologicamente imita o modelo católico e proíbe a seus celebrantes liturgia diversa daquela católica.

Quando as pessoas indagam pelo motivo de os católicos anglo-luteranos estarem fora até hoje da Igreja Universal, a ACCL responde assim: «Dois mil anos atrás, quando Cristo chamou os doze apóstolos e soprou o próprio Espírito Santo sobre a reunião de Antiochia deu vida a uma única Igreja, a um único modo de viver. Por que agora somos 22 mil denominações cristãs? Por que há 22 mil reinterpretações do mesmo ensinamento. Nós, os membros da Igreja Católica Anglo-Luterana, acreditamos que não era essa intenção de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como os cristãos são um no Espírito, assim nós – da ALCC – acreditamos que deva existir em tudo um só corpo. A ALCC é um denominação ecumênica, tradicional, litúrgica e episcopal que se apoia sobre a fé na Escritura e sobre os ensinamentos de Cristo e dos Apóstolos». Por amor da clareza, menos mal que se tenham convertido.

Tudo somado, parece que ambientes como os católicos anglo-luteranos americanos não esperam outra coisa que o instrumento prático do Ordinariato, que não descuide de um ponto ao qual anglicanos e episcopais há tempo sob a orla da conversão tem como pouca coisa: sua própria liturgia. O Ordinariato garante a conservação da sua rica beleza, missa ao serviço da verdade universal do catolicismo e a muitos na Comunhão Anglicana isto basta. Estou tão feliz de atravessar o rio Tévere. Além disso, antes do Anglicanorum Coetibus existia o “Uso Anglicano”, a celebração segundo um rito que não esquece os antigos anglicanos, concedeu muitos convertidos, como os citados Dom Christopher G. Phillips e Christian Clay Columba Cambell. Os quais,  evidentemente, tinham espalhado a palavra ao redor.

Fonte: La Bussola Quotidiana

Robson Oliveira

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