O Sequestro do Papa Francisco

O Papa Francisco vive um momento de especial, se levarmos em consideração apenas o que lemos nos periódicos ou ouvimos nos grandes meios de comunicação. O Papa foi adotado pela mídia do “politicamente correto”, em razão do seu interesse sincero e pessoal de desapego e diálogo. Ocorre, contudo, que o Papa Francisco tem sido objeto de disputas nos jornais e na internet.

Alguns formadores de opinião procuram sequestrar o discurso de Francisco, ora para colocá-lo como inovador e inédito, claramente contrário ao pontificado de Bento XVI; ora para colocá-lo sob a sombra de Bento XVI e dos recentes pontificados pós-Concílio. Os textos que insinuam a ruptura entre o atual Pontífice e o Bispo de Roma emérito são inúmeros e tratam – quase sempre – de questões maximamente morais (ainda que falsifiquem problemas metafísicos e teológicos de base). Não é curioso que as vozes mais ferozes a levantar-se contra o moralismo da Igreja utilizem de argumentos moralistas? Textos de religiosos historicamente rebeldes à moral proposta pela Igreja pululam em revistas e jornais no Brasil e mundo afora. Os textos insinuando que o Papa Francisco continuará aprofundando a distância entre a Igreja pós-conciliar e a bimilenar tradição cristã são igualmente abundantes e estão na mesma esteira dos discursos liberais dos críticos da Igreja. Não é curioso que os discursos tradicionalistas contra-protestantes se pareçam tanto com os discursos modernos protestantes, especialmente no que se referem ao respeito à tradição e à autoridade inconteste do Sucessor de Pedro? Ambos os críticos “de esquerda” e “de direita” produzem discursos para imobilizar o Papa, sequestrando-o de si mesmo. Mas pela biografia do Papa Francisco isso não será fácil…

Papa Francisco, o papa sorridente

Papa Francisco, o papa sorridente

Sequestradores Tradicionalistas

Um modo de transformar o Papa Francisco em um espantalho para melhor atacá-lo – tática comum de guerrilha ideológica – é enfraquecer seus discursos doutrinários e teológicos. Para um grupo não pequeno de tradicionalista, é razoável reconhecer o Primado do Romano Pontífice, mas sem se comprometer muito com esse reconhecimento. Ao que parece, os críticos “de direita” agem como agiram os maiores traidores de Jesus Cristo: reconhecendo sua superioridade e santidade, mas sem amá-lo de verdade! Reconhecendo no Papa o que ele, de fato, é para os cristãos – Vicarius Christi -, não é a obediência legalista e estoica que alguns homens são capazes de emprestar a Francisco o melhor modo de honrá-lo. Antes, a ser verdade as palavras do Evangelho, é preciso ouvir as palavras “do Papa”, do Pai, com mais atenção. Ora, não se faz apenas o que o pai manda, faz-se também o que ele aconselha, por causa do amor que se lhe outorga. Os críticos tradicionalista do Papa Francisco reiteram o caráter não-dogmático e muito coloquial de suas homilias e discursos. Assim, por não serem definitivas tais intervenções, sentem-se no direito de editar e corrigir cada palavra do Papa, outorgando incrivelmente a si a infalibilidade que negam ao Romano Pontífice em exercício. Sequestra-se o discurso da ortodoxia, em favor de um grupo teológico muitíssimo distante de ter raízes mais longas que um século, e – ato contínuo – acusando o Papa Francisco de ser um dos responsáveis por essa alienação do espírito fecundo e primaveril da Igreja pré-conciliar.

Não podemos permitir que os críticos tradicionalistas monopolizem e sequestrem o discurso da ortodoxia, como se o Papa Francisco fosse um usurpador do Trono de Pedro. Não, não é! E se não se pode criticar a situação dos radtrad, que argumentam não ver razão para obedecer às orientações não definitivas do Papa Francisco, igualmente devemos perguntar-lhes porque tanto mimimi por causa daqueles que, seguindo o mesmíssimo raciocínio, mas por amor ao Evangelho e na fé cristã, preferem colocar-se no seguimento do Papa mesmo nas questões não dogmáticas.

Bento e Francisco: Espiritualidade e Continuidade

Bento e Francisco: Espiritualidade e Continuidade

Sequestradores Modernistas

Os críticos “de esquerda” são parcialmente diferentes dos tradicionalistas (ainda que levem ao mesmo lugar) e pretendem montar um clima de ruptura entre Bento e Francisco. Fala-se de Francisco como se ele fosse o único papa benevolente, o único pobre, o único humilde. Ora, o fato é que o Papa Francisco não parece confortável com esses ineditismos e muito menos disposto a realizar as reformas propostas pelos meios de comunicação bajuladores. Pelo menos, não aquelas que tratam da agenda “politicamente correta” a que todo cidadão medíocre, acrítico e pouco varonil tem de aceitar. Tentam criar um papa virtual, que atenda a suas demandas e, com ele, procuram pressionar o Papa Francisco real. Monopolizar o discurso da caridade e “emprestá-lo” ao Papa é ridículo, se pensarmos nos inúmeros benefícios caritativos que a Igreja fez e faz pelo mundo, além de ser uma piada governantes que mal conseguem dar conta do cenário político local arvorarem-se a dar pitacos sobre as decisões políticas de uma instituição com meios e fins absolutamente diferentes das ordinárias, e de âmbito mundial.

Uma coisa é certa, porém: o “Domingo de Ramos” do Papa Francisco na mídia liberal vai acabar em breve. E então se verá que os sequestradores “de direita” e “de esquerda” têm a mesma visão pragmática da figura do papa e, em última análise, da Igreja. O papa passará pela Cruz e, então, a mídia “correta” retomará o tom severo de sempre contra a Igreja. Nada de novo… Aos católicos cabe rezar e tentar perceber, na balbúrdia de um mundo ultra-informativo, a Voz do Pastor verdadeiro, o Papa Francisco.

3 comments for “O Sequestro do Papa Francisco

  1. Acir Brito Filho
    5 de Abril de 2013 at 19:54

    Na certeza de que o sucessor de Pedro foi uma escolha legítima, pelo poder do Espírito Santo, cabe a nós fiéis desejarmos e estarmos preparados para um Papa pastor, que guie esta Igreja “Povo de Deus”.
    As declarações e atitudes do Papa Francisco I devem ser entendidas à luz do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, com todo o reforço dos documentos da Igreja, nunca sob a ótica da mídia imediatista e sensacionalista.

  2. Pe. Alexsander Cordeiro Lopes
    5 de Abril de 2013 at 18:22

    Parabéns pelo artigo. Realmente MUITO BOM! Gostei! Precisamos sempre estar na Igreja e com a Igreja!

  3. valdi matos
    2 de Abril de 2013 at 11:31

    tu és pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja..foi o que jesus falou para pedro…por isso nada a destrói.

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