Origem e característica da reflexão filosófica

Desde tempos imemoriais o homem procura respostas para a origem do universo. Instigados pelos mistérios da natureza, como que inspirados pela questão sobre a existência dos entes, alguns pensadores deram azo a inúmeras doutrinas acerca dos fundamentos do universo. Todas estas doutrinas tentam encontrar um elemento ou princípio sobre o qual estaria fundada a constituição do que chamamos ‘real’. Algumas dessas doutrinas identificam estes princípios e elementos a entes intramundanos como a Água, ou o Ar, ou a Terra, ou o Fogo, ou o Movimento, o Espírito. Outros os identificam a princípios transcendentes e distintos do universo. Uns reduziam o princípio a uma causa unívoca, outros admitiam múltiplos princípios fundamentais do universo.

Reprodução

Muito embora a pesquisa filosófica acerca do fundamento e da causa possa parecer inócua, importa enfatizar que isto é apenas aparência. De fato, esta questão é densa e tem implicações na vida de cada indivíduo e o questiona profundamente. Não é indiferente viver sabendo que o homem é fruto de um acaso cego, do destino inescapável ou que ele é um ser criado livre e amorosamente por um Deus pessoal; não é o mesmo saber que tudo, inclusive o homem, se dissolve numa matéria amorfa de energia cósmica ou que há uma alma que sobrevive ao composto humano e que permanece individual após a dissolução do composto humano. Todas estas questões revelam um objeto de pesquisa próprio da filosofia que nenhuma ciência pode substituir.

No princípio, o estudo de todas estas questões constituía um único saber indiferenciado, que se chamava filosofia, sabedoria, ciência. Logo, porém, a investigação sobre as diversas perspectivas da realidade (poesia, matemáticas, anatomia, fenôemnos naturais, etc.) foi constituindo as ciências particulares, que se diferenciaram do tronco comum do saber, em que se colocavam os temas mais fundamentais, chamado propriamente filosofia. Por sua vez, à medida que crescia o corpo de doutrina filosófica, deslindavam-se ramos que se ocupavam de distintos problemas e entre eles se formava um núcleo principal que, tratando do constitutivo último do mundo, afetava todos os conhecimentos filosóficos e que terminava na consideração de uma primeira causa do universo: esta ciência era a metafísica.

Robson Oliveira

9 comments for “Origem e característica da reflexão filosófica

  1. joao santos charles
    22 de fevereiro de 2016 at 20:11

    Goatei das imformacoes que mim foram dado

  2. eddie mazuzy
    21 de fevereiro de 2016 at 09:34

    Que caracteristicas fazem da reflexao uma reflexao filosofica

  3. simone duarte
    6 de fevereiro de 2014 at 17:44

    bom pretendo entrar neste assunto sabendo bem por isso me calo

  4. 7 de maio de 2013 at 22:54

    É complicado afirmar que “metafísica” era uma “ciência”, pois seu berço é a Grécia antiga epor esse motivo o termo ciência como nós entendemos hoje nem existir nessa época. “Meta ta physika” (que é o termo original em grego da época) na verdade foi atribuído a divisão que o bibliotecário deu para separar os livros de Aristóteles, dos que falavam da phisyka (que se aproxima do que entendemos por física, e estudos sobre a natureza em geral), e os outros textos que dissertavam sobre outros assuntos e que estavam na estante logo após a sessão da física, ou seja, além da física. Então no sentido inicial a palavra não trazia nada de transcendente ou sequer se referia a algo fora do conceito de “real” (físico) a que você se atribuiu. Quanto mais afirmar que metafísica era uma ciência, pois como era apenas uma divisão na estante da biblioteca não tinha como ser método de estudo para nenhum objeto.

    • 12 de maio de 2013 at 11:27

      Desculpe a demora, Raul, mas compromissos me tomaram nesses dias. Vamos lá:

      1. Afirmar que metafísica não é ciência, tendo como critério de comparação a ciência contemporânea, esse sim é que é o estranho. Para um grego, a ciência não precisa ter comprovação empírica, não necessita de experiência. É isso que Gadamer afirma ao dizer que exigir das filosofias o mesmo critério de experimento das ciências naturais é um oxímoro, um paradoxo (http://humanitatis.net/?p=1918). Para um grego, ciência é naturalmente o que é necessário, perene, atemporal. É essa a razão pela qual a filosofia, e dentre as disciplinas filosóficas a metafísica, era entendida como filosofia primeira e ciência no sentido mais puro. O conceito de ciência (episteme) era distinto da opinião (dóxa), justamente pela distinção entre o que é sempre e o que é quase sempre. Ora, as ciências naturais não são sempre. Por isso, desde a antiguidade, a metafísica foi entendida como ciência em sentido estrito.

      2. Agora, a eventualidade do nome da disciplina ter surgido de modo prosaico, em nada advoga contra a validade e importância de sua natureza. Foi apenas um dado curioso e providencial, que revela a natureza do objeto. Se não, como tratar o descobrimento da penicilina ou da levedura, fruto de erros e equívocos científicos maiores que apenas a atribuição de um nome a um conjunto de discursos que não se encaixavam em lugar algum?

      3. Sim, o método da metafísica é distinto das outras ciências. Basta ler o livro de Aristóteles para ver que o caminho percorrido naquelas páginas não tem semelhança com qualquer outra ciência ainda hoje, além de seus objetos igualmente ter natureza distinta.

      Até mais!

  5. AMARO HELIO COSTA DOS SANTOS
    13 de março de 2013 at 13:05

    O mais interessante é saber que a busca dos cientistas sobre a origem do universa, vai ficar sempre na busca,pois todos os caminhos levam a Deus. Acho que aprendemos um pouco sobre isso em Metáfisica.

    Ressalto ainda os comentários de Eliane Régis.

  6. Anderson
    15 de dezembro de 2012 at 20:21

    concordo com Eliane,pois todos nos somos criaturas de Deus e fomos feitos para amar, respeitar, honrar, obedecer, confiar…

  7. 23 de setembro de 2012 at 15:34

    Conforta-me muito saber que não somos obra do acaso,mas sim,criaturas de Deus que nos ama,conduz,que nos”persegue” com Seu amor e cuidados paternais.Sempre considerei ser um Ente,não um mero acidente.Paz e Bem! Eliane

  8. 1 de março de 2011 at 22:57

    Olá, Robson!

    Vc poderia me enviar um e-mail para eu ter seu endereço? Queria perguntar sobre sua interessante aula magna hoje.

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