Patrulha ideológica na Faculdade de História da UFF

A graduação de História da UFF precisa ter um olhar histórico sobre si mesma.

É preciso lembrar aos graduandos desta faculdade que, há pouco tempo, um governo aprovado pelo povo pôs no poder um senhor, conhecido como Adolf Hitler; no Brasil, a popularidade do governo militar foi alta durante muito tempo; atualmente, o governo do ditador Hugo Chávez justifica sua perenidade por meio de eleições, sobre as quais recaem dúvidas de sua legitimidade.

Esse breve intróito, ainda que simplista, é só para lembrar o que não  é necessário para um graduado em história: muitas vezes a maioria é utilizada contra direitos fundamentais de minorias. No caso de Hitler, contra o direito à vida, dos judeus e outras minorias; no caso do Brasil, contra o direito às liberdades; na Venezuela, contra o direito à liberdade de imprensa e muitas outras. Mas não é que a turma de graduandos/2010-1 da UFF fez uma votação para legitimar a supressão de um direito legítimo nessa província tupiniquim: o de livre expressão? Eis o que diz o artigo 5 da Carta Magna:

II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

Pois na formatura da turma de História da UFF, por votação, a maioria dos alunos achou por bem proibir que, no momento em que se dê o microfone aos graduandos, estes façam menção a Deus nos agradecimentos pessoais. A maioria acha que o Estado é laico e a simples expressão da palavra DEUS avilta os presentes e faz do salão de festas um culto religioso (sic!). Mas é contra a lei agradecer a Deus pelos anos de fortaleza, nos quais tiveram que acordar cedo, estudar de madrugada, trabalhar durante meio período, para concluir a faculdade? Se não é contra lei a Ação de Graças, por que a proibição? Se algum graduando quiser agradecer a Deus pela força nesses anos, por que lhe vedar o direito a expressão? É direito, garantido pela Constituição, a liberdade e a expressão de opinião no Brasil.

Curiosamente, não tem nenhum professor de história na UFF para gritar pela TOLERÂNCIA na turma de história??? Nenhuma ONG rasga as vestes por ter um grupo majoritário violado um artigo da Constituição Federal de uma minoria de estudantes??? E a UNE??? Cadê as passeatas em favor dos direitos dos estudantes, direitos que estão na Constituição??? Não tem, afinal, nenhum graduando dessa turma de história com senso histórico para ver o que está acontecendo???

Minha sugestão para os alunos graduandos da turma de História de 2010-1 da UFF é a seguinte: se você é umbandista praticante, não se deixe tolir por esta imposição da maioria dos alunos da turma. Agradeça a Iemanjá o término da faculdade; se você é judeu, faça uma Beraka, pois só o Senhor dos Exércitos sabe o que você passou para terminar a faculdade; se você é islâmico, agradeça a Alá por estes anos de luta e de estudo, os quais merecem ser comemorados. E se você é cristão, louve ao Senhor Jesus por conseguir terminar essa graduação que, se tiver sido como parece, exigiu um esforço hercúleo e uma perseverança heroica.

Ah, e se houver algum graduando minimamente autocrítico, em nome da História, faça alguma coisa!

Robson Oliveira

8 comments for “Patrulha ideológica na Faculdade de História da UFF

  1. Elmiro
    11 de janeiro de 2011 at 08:44

    Muito bom esse manifesto!
    Que seja anunciado de cima dos telhados!!

  2. Francielle Rodrigues
    23 de julho de 2010 at 23:02

    Robson, muito boa a sua colocação. Parece que uma minoria de ateus e não crentes desejam sufocar a nossa liberdade, impondo-nos limites ridículos como este. É preciso, de verdade, que haja uma manifestação da parte de todos nós cristãos (católicos e não católicos).

  3. Alan Vieira
    22 de julho de 2010 at 14:40

    Meus Parabéns!
    é assim que se consegue o verdadeiro direito â liberdade: denunciando quando ela não é respeitada.
    Continue assim.

  4. Priscila
    21 de julho de 2010 at 15:24

    Excelente texto. Que essa mensagem chegue às caixas de e-mails de muitos alunos da UFF como um todo, fazendo com que as pessoas reflitam sobre a importancia de se respeitar as crenças alheias.

  5. Roberta
    20 de julho de 2010 at 22:41

    Há uma aluna que ficou extremamente sentida e que ainda se pergunta se poderia ter feito mais pra mudar esta restrição. Muito obrigada pela força, professor!

  6. Fabiano Gomes
    20 de julho de 2010 at 14:54

    Pô, que triste. Ao ler, me imaginei aluno de história, na minha formatura, com a mesma restrição, ficando todo revoltado contra isso e furando essa palhaçada de imposição (não é assim que eles gostam de resolver as coisas, lutando? Quero dizer, em muitas vezes, “lutando” no lugar de simplesmente lutar de verdade).

  7. Zaíra Vargas
    20 de julho de 2010 at 12:50

    Li o artigo. Tenho 5 netos. O 2º está com 23 anos e termina agora engenharia na UFF.
    Diz que é ateu. É cômico conversar este assunto com ele. É ateu por conveniência.

  8. Leandro Lopes
    20 de julho de 2010 at 10:09

    Essa coisa de Estado laico está ficando cada vez mais ridículo.
    Quem é que vai explicar para essa cambada que o estado laico não é contra a religião. Se você quer ser contra religião tem que virar ateu.
    Eu A-DO-RO pegar essa cambada moderninha e enganjada que distribui jornaizinhos na saída das barcas para conversar sobre essas coisinhas desimportantes tipo: liberdade (inclusive a religiosa), verdade, vida, povo, governo,….

    Ou então pelo menos vamos dar a esses enganjados uma direção para essa raiva. Vamos pedir que façam suas coletas de assinaturas e encaminhem para o Congresso Nacional um pedido de reforma constitucional que transforme o Brasil num país ATEU!

    Não sei o que farão com a liberdade religiosa, nem com a consciência das pessoas, mas isso aí é coisa que o proletariado oprimido não precisa mesmo né?!

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