Pérolas dos “especialistas” em Catolicismo – II

E as pérolas continuam assombrando os espectadores da cobertura da Globo News sobre a renúncia do Papa Bento XVI. Como foi dito em post anterior, a editoria de religião dos meios de comunicação do país é de fazer chorar. Tão ruim que faz-nos pensar sobre a qualidade das outras coberturas jornalísticas sobre, por exemplo, o desempenho da economia do país, sobre escândalos políticos que surgem e desaparecem do noticiário de repente, sobre liberdades individuais que são esmagadas e ficam na sombra. Outras pérolas foram ditas nesses dias e não devemos deixar de destacá-las por respeito aos milhões de cristãos católicos que desejam ser mais bem informados sobre assuntos que tocam seu íntimo mais precioso: sua fé. Vamos lá!

Luiz Corrêa Lima: Foto do Currículo Lattes

1. O religioso jesuíta Luiz Corrêa Lima, apesar de sacerdote jesuíta (e também antigo conhecido do Site Humanitatis pois defende a teologia de gênero em todo o estado do Rio de Janeiro, para arrepio do Evangelho de Nosso Senhor), também não saiu ileso da caótica cobertura da Globo News da renúncia do Papa. O religioso afirmou que a liberdade religiosa é uma novidade aceita apenas no século XX, depois do Concílio Vaticano II. Bem, considerando sua conhecida defesa da prática homossexual dentro dos muros da Igreja, não é de se estranhar que o religioso tenha posturas equivocadas teologicamente. Por exemplo, no caso da acusação de que a Igreja mudou sua doutrina em relação à liberdade religiosa – na verdade, essa “desinformação” serve apenas para pôr a dúvida no cristão católico de que se a Igreja “mudou” um ensinamento (sobre a liberdade religiosa) pode muito bem “mudar” outro (sobre a prática homossexual), – o jesuíta afirma que essa é uma novidade do século XX. Contudo, não é verdade que a Igreja era contra a liberdade religiosa e que houve uma “abertura” no CV II. Em Leão XIII, por exemplo, podem-se encontrar encíclicas que tratam de assuntos correlatos. Dizia o Papa:

Pode-se entender a liberdade de consciência no sentido de que o homem possui, na sociedade, o direito de seguir, segundo a consciência do seu dever, a vontade de Deus e cumprir os seus preceitos sem que algo o possa impedir. Esta liberdade, a verdadeira liberdade, a liberdade digna dos filhos de Deus, que protege tão gloriosamente a dignidade da pessoa humana, está acima de toda violência e de toda opressão; ela sempre foi objeto dos anseios e da especial estima da Igreja” (Ene. Libertas DS 3150).

Ora, esta aí o coração do documento conciliar Dignitatis Humanae: ninguém pode ser coagido, especialmente por poderes governamentais, a seguir esta ou aquela religião. Estamos no final do século XIX e não na segunda metade do século XX, como quer fazer pensar o religioso jesuíta.

Mas há fontes mais antigas. O Angélico (XIII) afirma, sobre a distinção entre atos internos e atos externos de religião:

Os atos religiosos, pelos quais os homens se relacionam por íntima convicção, em particular e em público, com Deus, transcendem pela própria natureza a ordem terrestre e temporal das coisas. Por isso, o poder civil, cujo fim próprio é velar pelo bem comum temporal, deve, é claro, reconhecer a vida religiosa dos cidadãos e favorecê-la, mas há de ver-se acusado de exceder os limites, caso presumir orientar ou impedir atos religiosos.

Será que isso é suficiente para mostrar que a liberdade religiosa não é novidade dada do Céu pelo Vaticano II e que, portanto, nada introduziu de novo, e que – portanto – a tradição não é propriamente “um rio”, que se renova mudando, mas uma árvore, que pretende guardar a vida que não é dela mesma?

2. O religioso Luiz Corrêa Lima também repetiu a bobagem dita antes pelo “pesquisador” Francisco Carlos Teixeira da Silva, para quem a renúncia de Bento XVI criaria insegurança para fiéis. Com isso eles quereriam dizer que renunciar ao cargo de Papa é pôr em dúvida o poder de Deus governar a Igreja apesar de sua doença, velhice ou cansaço, por meio da Infalibilidade. Eles estão enganados! A renúncia do Papa não gera qualquer dúvidas porque esse evento já estava previsto no Código de Direito Canônico, aprovado justamente pela infalibilidade dos Papas, em assuntos de fé e moral.

Gerson Camarotti: comentarista de política e (improvisado) de catolicismo

3. Gerson Camarotti, comentarista de política e ad hoc para assuntos católicos da Globo News, também não perdeu a chance de ficar calado. Segundo o jornalista, “a possibilidade de renúncia  de um Papa surgiu com João Paulo II”, que não utilizou desse recurso para não aproveitar-se do recurso jurídico que ele mesmo teria criado. Nada mais enganoso! A possibilidade de um Papa renunciar já estava posta há séculos. Aliás, a pergunta “Pode um Papa renunciar?” foi feita por São Clemente V, Papa que renunciou em condições muito semelhantes a Bento XVI: para resguardar saúdes física e espiritual.

4. Para não ficar atrás de seus colegas, Gerson Camarotti continua, talvez com a previsão mais improvável e non sense de todas. Sustenta o analista ad hoc para assuntos que não conhece que o Cardeal Christoph Schönborn, da Áustria, é uma alternativa para um cenário onde não há consenso entre os italianos. Tudo pode acontecer em um conclave, mas se Schönborn tiver votos no próximo, terei de ser muito mais caridoso e atento aos comentaristas ad hoc para o resto da minha curta vida.

Quem sabe, diante de tanta bobagem, a Canção Nova se anime a montar uma equipe – mesmo que pequena – para tratar desses assuntos com mais rapidez e competência. Temos certeza que em seus quadros não faltam gente competente para isso. Enquanto isso, só resta uma coisa diante da cobertura da mídia sobre a renúncia de Bento XVI

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4 comments for “Pérolas dos “especialistas” em Catolicismo – II

  1. Amaro Helio
    19 de fevereiro de 2013 at 15:41

    Não gosto nem de comentar sobre esse assunto, pois fico de boca aberto quando naquele dia peguei o jornal e estava estampado na capa O VATICANO ESTA DE TRONO VAZIO.

    Isso prova que a midia diz e escreve o que quer sem fundamentos e sem saber.

  2. VÂNIA DE CARLINHOS
    19 de fevereiro de 2013 at 08:49

    Só tá faltando o Pedro Bial…

    • 19 de fevereiro de 2013 at 10:20

      Não vi nada dele sobre o assunto. Vocês leram ou ouviram? Manda pra mim.

  3. herbert burns
    15 de fevereiro de 2013 at 14:23

    O que esperar dos discípulos de Ibrahim Sued?! Por vezes a gente vê que seus pupilos superaram o “mestre” não só na falta de conhecimento da área específica em que atua mas na falta de conhecimento até das areas em que não atuam! Na Faculdade do emburrecimento eles foram aprovados! Percebe-se de longe que as perguntas que são formuladas foram elaboradas por um grupo de pessoas, pois de tão medíocre, ela não seria fruto de uma só cabeça. Enquanto temía-se que o mestre ao visitar Roma soltasse uma de suas pérolas mais famosas: “Sumo Patífice”, aqui seus discípulos não a reproduzem por respeito ao mestre, usam sempre de artifícios, com o mesmo significado. Sua ausência de conhecimento, de cultura religiosa é tão denso e tão substantivo que dava pra fazer uma escultura ou melhor, ex-cultura.Há de mã, de leve.

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