Por que dizer “não” à Eutanásia?

Muitos são os argumentos contrários à prática de se matar o idoso e o inútil. Muitos desses argumentos passam longe dos batidos (mas igualmente justos) argumentos religiosos. Sociólogos afirmam que a sociedade existe justamente para prestar apoio a esses cidadãos quando, sozinhos e sem condição de manter-se a si mesmos, outros fazem por ele o que ele mesmo fez a outros; historiadores lembram que a morte como solução de um problema social não deixa boas lembranças na memória histórica da humanidade; outros criticam a eutanásia vendo nela mais um modo de ser egoísta do capitalismo, pois os cidadãos não são contemplados pelo que são, mas pelo quanto podem dar ao mercado e à economia, sendo dispensáveis como “peso morto” justamente quando precisam de ajuda. Mas é na própria prática científica que se encontram motivos importantes para se abominar essa atitude desumanizante.

O site First Things faz uma interessante reflexão sobre dois casos de Síndrome do Enclausuramento (Locked-in Syndrome). Em um dos casos, os médicos responsáveis – apesar da paciente ter capacidade intelectiva total – aconselharam o assassinato da paciente, seguido da doação de seus órgãos. Como não temer que a prática da eutanásia caminhe junto com um dos crimes mais lucrativos, como é o tráfico de órgãos? Como manter a racionalidade quando os profissionais responsáveis por manter a vida do paciente aconselham-no a matar-se? E, principalmente, como manter a esperança? Neste contexto é que um outro caso, também de LIS, ilumina os fatos.

Maryannick Pavageau, diagnosticada de LIS há 30 anos, não se deixou abater pela doença, mesmo ficando 3 meses em coma: “Toda vida é uma vida digna”, disse em uma entrevista. No campo científico, e especialmente no campo médico, a mudança de quadro está sempre no horizonte. E um quadro de tetraplegia parecido com o primeiro caso relatado, teve outro fim, graças à dedicação da equipe de profissionais e ao empenho da própria paciente. De modo contrário, a aceitação da eutanásia fecha as portas para a esperança e, evidentemente, para as transformações nos quadros clínicos. O que os pacientes deficientes ou com doenças graves procuram na eutanásia é o amor que não encontram na equipe médica e na família, diz a paciente:

Estou firmemente contra a eutanásia porque não é sofrimento físico que orienta o desejo de morrer, mas um momento de desânimo, sentindo-se como um fardo … Todos aqueles que pedem para morrer estão, na sua maioria, à procura de amor.

A eutanásia é um mal evidente, quando une-se a fins relativos, como o são a doação de órgãos ou pesquisa, que podem interferir na abordagem da equipe sobre o caso concreto. Mas também é um mal menos evidente no campo médico e científico, pois supõe o que não se pode em ciência da natureza: que qualquer quadro é irreversível.

Leia toda a matéria aqui.

Robson Oliveira

1 comment for “Por que dizer “não” à Eutanásia?

  1. Maria Fernanda Neto Silva
    27 de fevereiro de 2017 at 18:20

    Não sou a favor da eutanásia, mas a favor dos cuidados paliativos que permitam uma morte com o menor sofrimento possível. Que a pessoa tenha a possibilidade consciente de morrer com dignidade.

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