Práticas Quaresmais I – Jejum

Quaresma é tempo de oração, jejum e esmola, ensina o Catecismo da Igreja Católica (§§ 1438; 1969). Portanto, importa meditar um pouco sobre as práticas tradicionais desse período. O assunto hoje é jejum.

De fato, é conhecimento estabelecido pela espiritualidade católica, que ao corpo sempre é necessário dar-lhe um pouco menos do que ele realmente precisa, pois caso não seja assim, muito velozmente ele nos atraiçoa. E contrariamente ao que se pensa, a prática do jejum não faz nada mal às pessoas. Pelo contrário, a experiência demonstra que de modo ordinário o corpo funciona razoavelmente bem inclusive com bastante menos do que necessita. Só a falta severa e duradoura de algum elemento importante nutricionalmente pode provocar perigo de morte iminente aos homens. Portanto, não se exagere quanto ao malefício que um dia de jejum pode causar, não se fale de um castigo demasiado grande pois não é. Antes, o jejum é até medicinal para o corpo e para a alma.

De fato, os que não possuem o hábito de controlarem-se durante todo o ano sofrem bastante mais na Quaresma. A prática de ter domínio sobre os apetites (temperança) tem de ser uma constante, um hábito realmente que nos liberte dos imperativos da carne. Esse é o sentido profundo do jejum quaresmal: sou livre, não me deixo controlar por meus instintos. Só há um que pode satisfazer o homem e esse não está escondido no fundo do prato, por debaixo da montanha de alimento.

Mas se enganem, não se está falando apenas de quantidades. Afinal, há exageros de quantidades e qualidades. Há os que se perdem no afã de encher o bucho. No fundo do prato está a felicidade e tudo o que há entre esse fim e a boca deve ser consumido. Nesse caso a busca é pela quantidade, não importando a qualidade do que se consome. No entanto há outros que não têm problema em controlar quantidades, mas possuem verdadeiras ideias fixas por comida. Só comem aquele tipo de alimento, muito específico, ou muito refinado, uma iguaria rara. A loucura não é tanto pela quantidade, mas pela qualidade do que se consome, fazendo a gula tomar um ar mais refinado, mas ainda revelando sua marca registrada: a promessa de felicidade do outro lado dos talheres!

Nessa Quaresma, libertemo-nos da escravidão da mesa, da senzala do garfo e faca. Sejamos livres! Pois se não conseguimos dizer não ao pudim ou à macarronada, o que será de nós quando as grandes tentações se apresentarem?

Robson Oliveira

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