Preparação para o Matrimônio – I

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Um dos maiores problemas na evangelização atual é a preparação para o sacramento do Matrimônio. Há a falsa esperança que todos os membros do grupo de oração ou da catequese serão sacerdotes, religiosos ou religiosas. Os responsáveis pelas pastorais esquecem-se que grande parte das vocações é matrimonial e descuidam da formação específica para este sacramento. Por causa desse erro de julgamento, ou se começa a tratar do assunto tarde demais (já no noivado), ou de modo improvisado (com palestras desconexas e – muitas vezes – controversas). O sacramento do Matrimônio deve ser preparado ainda na infância, com a educação para a generosidade.

Neste primeiro momento de reflexão, deve-se lembrar que o chamado à família é um dom natural. Sem embargo, o vínculo familiar é o único que jamais foi desfeito na história, o que significa que o tratamento teórico sobre essa instituição deve abranger assuntos e problemas naturais, os quais antecedem os sobrenaturais e destes são fundamento. Em nome dos temas e problemas da Revelação Cristã, não se pode ignorar que, para o pacto conjugal dar certo, importa preparação humana adequada. Não basta agir à mercê dos sentimentos e desejos, por mais nobres que sejam, para que a família seja auxílio na busca de felicidade de seus membros. Se, com efeito, o matrimônio foi elevado à dignidade de Sacramento, tal união se orienta naturalmente para a felicidade dos esposos e para a geração e educação da prole (cf. CIC, 1601). Por isso, alguns pontos precisam ser meditados por qualquer um que busque o Matrimônio, cristão ou pagão.

1. O relacionamento humano que ocorre no matrimônio exige unidade.

O homem busca a mulher e a mulher o homem para que sejam um. Unidade de corpos, sem dúvida, mas principalmente união de corações e de almas. Não raro, quando os corpos não mais podem se unir, é a alma (sentimentos, ambições, metas, objetivos) que une dois cônjuges que se amam e se deram em matrimônio. Para que o pacto conjugal alcance êxito, os que se preparam para este momento precisam estar aptos a essa unidade de corpos, mas também é necessário desejar a unidade de corações e almas. Encontrada esta intimidade, os corpos não mais serão dois, mas um só!

A unidade exigida pelo matrimônio fará com que os cônjuges não descuidem do seu corpo, ainda que saibam que o princípio unitivo do casal é o coração. No entanto, como o homem é um ente composto por matéria e forma, corpo e alma, a união dos corpos é mais que um sinal da união das almas.

2. O relacionamento humano que ocorre no matrimônio exige fidelidade.

É certo que nem todo cidadão(ã) que habita com companheiro(a) aceita ser exigido ou exige fidelidade; mas também é certo que todos os que buscam o Matrimônio, civil ou religioso, exigem de si e do outro fidelidade ao compromisso assumido. A razão de tal característica se encontra no coração humano, que não admite rival quando o assunto é doação. Se me dou a outra integralmente, preciso ter certeza que a outra se entregará a mim de modo integral. Nenhum ser humano, ao buscar este vínculo publicamente, aceita menos que tudo na relação matrimonial.

Muitas vezes, a fidelidade conjugal limita-se apenas a não consumação de uma traição concreta, física. No entanto, de acordo com o princípio de que a união entre os esposos não é só carnal, mas principalmente espiritual, há infidelidade também quando as partes não mais sonham os mesmos sonhos, almejam os mesmos objetivos, quando não têm as mesmas metas. Um esposo que não é cúmplice da esposa no concurso que esta pretende fazer, pode estar sendo infiel; a esposa que não apoia aquela atividade do marido porque não tem a ver com a profissão, pode estar sendo infiel; o casal que superestima a vida conjugal em detrimento do seu papel educador e formativo dos filhos, com certeza está sendo infiel aos filhos.

3. O relacionamento humano que ocorre no matrimônio exige perenidade.

Por ser integral e exigente, é da natureza humana que este relacionamento não seja volúvel. A fidelidade não admite exceções. Portanto, a estabilidade matrimonial é a marca do relacionamento humano e a extinção desta aliança só se dá por força maior. Apesar de, na vida cotidiana, a maioria das decisões serem passíveis de revisão, o matrimônio (mesmo o matrimônio pagão!) não aceita esse tipo de simplificação.  Quando os esposos prometem dar-se integral e totalmente, tal decisão não está condicionada a elementos exteriores (doenças, pobreza, viagens) ou interiores (sentimentos ou instintos), pois assim não seria uma entrega integral e total. E mais: ainda que o outro não cumpra sua parte no pacto conjugal (por exemplo, sendo violento física ou moralmente contra uma das partes), o cônjuge fiel não está livre para contrair novo pacto, a não ser que fique patente que o primeiro vínculo jamais existiu.

4. O relacionamento humano que ocorre no matrimônio é sempre aberto à vida.

O amor tende naturalmente a expandir-se. O amor é fecundo e deseja espalhar um pouco de si aonde passa. Muitos temos essa experiência ao conviver com pessoas que amam seu trabalho, amam sua fé ou amam sua vida: como é bom estar junto delas! Parece que saem faíscas de amor de seus olhos. No amor conjugal não é diferente. A relação unitiva entre um homem e uma mulher tende, naturalmente, à geração de filhos, os quais sempre são sinais do amor dos esposos. Por este motivo, a paternidade e a maternidade nunca são um dever, pois não há deveres quanto ao amor. Os filhos são, sempre, testemunho do amor generoso dos pais, os quais estão abertos à vida.

Em uma sociedade pouco generosa como a que vivemos, não é impossível entender os motivos da pequena porcentagem de famílias com mais de 3 filhos. Pais pouco generosos; poucos filhos. Obviamente, há situações difíceis, a respeito das quais a ética trata e que normatiza a geração da prole. Via de regra, porém, tomar a iniciativa de tornar impossível a geração de filhos jamais pode ser uma hipótese ordinária e irrefletida pelos cônjuges, cristãos ou não.


Cf. Exortação Apostólica Familiaris Corsortio.

Robson Oliveira

16 comments for “Preparação para o Matrimônio – I

  1. 21 de abril de 2012 at 00:08

    Posso republicar com os créditos no meu blog sobre matrimônio?

    • 21 de abril de 2012 at 00:13

      Será uma honra, Maitê. Fique à vontade quando quiser.

      Até mais!

  2. Gillian Freitas
    9 de dezembro de 2011 at 23:26

    A lacuna nessa área, dindo, é imensa. Ai de mim que não tivesse lido alguns documentos da Igreja com o Antônio, estudado o método Billings e esclarecido as eventuais dúvidas dele desde o namoro. Nosso encontro de noivos durou um dia e, apesar da qualidade dos palestrantes, não chegou nem perto de ensinar nada sobre Matrimônio e muito menos de dar a ele a dimensão sobrenatural que possui. Já casei, mas vou ficar de olho aqui. Um abraço.

    • 9 de dezembro de 2011 at 23:36

      É sempre uma honra contar com sua audiência, amadíssima amiga!!!

  3. Cris Fontana
    2 de dezembro de 2011 at 07:44

    Vou um pouquinho mais além, e digo que a preparação para o matrimonio de sucesso deve começar na infância na educação para a castidade e respeito ao outro . Na valorização da Familia tradicional (pai-Mãe –
    filhos) , mesmo que esta não seja a sua família esta TEM q ser o exemplo à ser seguido e o objetivo a ser conquistado . Desde sempre ! Desde a tenra infância ! Educação sexual para a castidade pré matrimonial , evitaria milhões de abortos ,milhões de traições , milhões de separações e crimes passionais. Tem que começar hoje , por nós mesmos , tentando ser melhores cristãos – católicos , agindo como deve ser no dia à dia , evangelizando pelo exemplo (pelo bom exemplo !) Sendo castos e nos afastando das situações de pecado .

    • 2 de dezembro de 2011 at 12:33

      Cris, tenho certeza que a crise matrimonial que atravessamos em todas as latitudes deve-se à crise de generosidade. As pessoas não são generosas e, por isso, as vocações religiosas e sacerdotais são ainda mais raras. O momento onde se ensina generosidade é na infânicia; e o lugar é na família. Se quisermos transformar a nação devemos ensinar nossos filhos que generosidade é uma virtude importante. E só tem um jeito destes pequenos acreditarem em nossas palavras: sendo nós mesmos exemplos concretos de generosidade a ensinar-lhes.

      Abração e volte sempre!

  4. DENISE PINTO
    5 de setembro de 2011 at 16:17

    ótimo, tenho um grupo da perseverança em minha paróquia e acho importantíssima essa preparação para o matrimônio partindo exatamente da afirmativa de que a grande maioria dos perseverantes (hoje com idades entre 11 e 15 anos) optará pelo casamento.

    • Robson Oliveira
      5 de setembro de 2011 at 16:32

      Olá, Denise. Queremos ser uma fonte de formação para o sacramento do matrimônio. Pode utilizar o material e divulgue nosso site. Quanto mais pessoas tiverem acesso a esse material, melhor para a Igreja e para as futuras famílias do país.

      Abraço!

  5. leonardo rangel
    23 de agosto de 2010 at 09:31

    muito bom tenho um filho de 11 anos e luto para tentar preparalo desde já.mas minha esposa não entemde que á preparação comesa agora e não se preucupa muito com esas coisas.

  6. Flavia Gomes
    26 de julho de 2010 at 11:29

    Excelente texto, Robson! Tanto pelo conteúdo, quanto pela forma. Você escreve bem. Para mim, vai ser super importante acompanhar os textos sobre matrimônio. Pretendo me casar em breve com o Gustavo, o homem com o qual vivo há quase 2 anos, e que amo. Espero apenas a averbação do meu divórcio, que está nas mãos do ex (saco!).
    Sabe o que percebo lendo você? Que meu primeiro casamento não foi casamento, nem de longe. Como você sabe, nunca me casei na Igreja, no entanto, a nossa relação não tinha nada disso. Fidelidade, por exemplo, em relação aos planos e à ideologia de vida, não havia, nós tínhamos sonhos diferentes e reflexões totalmente opostas sobre a humanidade. Vou continuar por aqui. Super beijo!

  7. harryson machado
    22 de julho de 2010 at 20:56

    Bom Mestre Robson,
    Eis aí tudo o que acredito: FAMÍLIA.
    Parabéns pela iniciativa.
    Um forte abraço
    Fique em paz

  8. Zaíra Vargas
    22 de julho de 2010 at 19:52

    “Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, se une à sua mulher, e eles se tornam uma só carne”. Gn 2,24. Esta união não forma o alicerce do casamento, mas é uma das colunas de sustentação. A fidelidade é o grande desafio. Continuarei acompanhando! Deus o abençoe.

  9. Priscila
    21 de julho de 2010 at 15:30

    IUPI! Uma preparação adequada!! Amigo, sugiro que envie pro e-mail do itinerario!
    Continuarei acompanhando!
    abraço

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