Reflexões Metafísicas – I: a anemia metafísica

Nesta série serão apresentados os elementos que constituem as bases da reflexão metafísica, de orientação tomista, que sustentam não poucos conteúdos teológicos. De modo simples, mas direto, alguns pontos fundamentais serão tratados, pontos frequentemente ignorados na reflexão teológica protestante e que, não raro, iniciam as crises de fé de um grupo razoável de cristãos católicos. A primeira proposta é uma introdução, que trata da relação entre filosofia e teologia, que no fundo reflete a unidade existencial entre razão e fé, entre natureza e sobrenatureza. Vamos lá!

1. Muitos teólogos se perguntam sobre a necessidade de levar-se a cabo estudos filosóficos. Argumentam que a razão humana é muito falha e que a vontade do homem acaba por confundir a racionalidade, tornando-o presa fácil do erro e de suas paixões. Afirmam também que não veem razão para investir na filosofia se a fé é caminho suficiente na formação humana. Alguns dizem mesmo que para eles “basta a Palavra”[1]. Todavia, esta perspectiva teológica anti-filosófica, expressa aqui em alguns dos seus aspectos mais marcantes, já está em si mesma repleta de aspectos filosóficos como, por exemplo, o pessimismo relativo ao que a razão humana pode conhecer; a suposta incompatibilidade entre a fé e a inteligência, criadas por Deus; a repisada tese da malevolência da matéria dentre outras. Enfim, querer uma teologia sem filosofia já é um postura repleta de premissas filosóficas.

A primeira e mais comum atitude diante da filosofia, por parte dos estudantes de teologia, é a pretensa incomunicabilidade entre as reflexões teológicas daquelas produzidas na filosofia. Eles sustentam que a natureza humana é bastante limitada e que, dada a excelência e magnitude de Deus, é impossível ao homem conhecer o Divino. Supondo que cada homem é limitado, seria impossível conhecer o Ilimitado; supondo a imperfeição humana, seria impossível conhecer a Perfeição Divina; sabendo-se relativo, nenhum homem poderia conhecer o Absoluto. Além disso, afirmam que o Pecado Original enfraqueceu a vontade humana, tornando-o naturalmente incapaz de conhecer Deus. Dada a fraqueza da vontade humana, as paixões investem sempre contra a razão, fazendo o homem escolher não o que deve fazer, mas o que prefere, o que gosta, a despeito das indicações da razão.

Contudo, os dois elementos aqui dizem algo, mas não tudo sobre a natureza humana. Não é verdade que a natureza humana nada pode conhecer sobre Deus. Se é verdade que o homem é limitado, não é verdade que não é possível conhecer algo do Ilimitado.  Ora, sabe-se que o mundo real tem mais matizes espectrais que pode perceber a visão humana. Contudo, ninguém afirma que não é possível contemplar algo da Capela Sistina só porque não se percebe todos os infinitos matizes de azul ou amarelo. É verdade, o homem não percebe tudo, mas percebe algo, e percebe com certeza. Assim, se é verdade que o homem é limitado, imperfeito e relativo, é falso deduzir que é impossível conhecer algo sobre o Ilimitado, sobre o Perfeito e sobre o Absoluto, do mesmo modo que se percebe algo das notas musicais, mesmo sabendo que há frequências sonoras imperceptíveis ao ouvido humano. Deduzir das limitações humanas a impossibilidade do Ilimitado assemelha-se a deduzir a inexistência do som por causa da impossibilidade humana de perceber certas frequências sonoras: enfim, idiotice pura.

Outro elemento deste ponto da meditação é a pretensão de que a filosofia é dispensável na tarefa teológica e que a Sagrada Escritura pode, de algum modo, ser tomada sem qualquer indicação filosófica. Quem assim pensa, ainda não percebeu com clareza que este princípio teológico toma por duvidoso tudo o que não é dado revelado na Escritura e já está envolvido de não poucos elementos filosóficos. Por exemplo: para alguns teólogos desta linha, há um pessimismo acerca do que a razão humana pode ou não pode conhecer (epistemologia); para outros, há uma influência do pecado original sobre a vontade (ética) e a inteligência (epistemologia e metafísica) humanas; para outros, a liberdade humana está viciada (ética). Percebe-se que não é possível desvincular-se de algum tipo de reflexão filosófica, mesmo quando se deseja negá-la.

Reprodução: Santo Tomás de Aquino foi um dos que defendeu a importância da preparação filosófica para a melhor compreensão da abordagem teológica

Mas a premissa Sola Scriptura, que é protestante, não resiste à aplicação dos seus corolários a si mesma. Se a filosofia é dispensável porque a Sagrada Escritura é critério único capaz de revelar toda a verdade sobre Deus e a salvação das almas, cabe uma pergunta incômoda: em que versículo está escrito  que “toda a verdade está na Bíblia”? Ora, o princípio teológico tem de ser aplicado também a si mesmo. É evidente que este versículo não existe, o que põe em xeque a validade do critério.

Conheço muitas pessoas de fé católica, mas que sofreram crises intermináveis, inclusive sobre os fundamentos do cristianismo. Não raro, quando o problema não é moral, a questão é um nanismo intelectual, uma anemia metafísica. Há pessoas que sofrem de inanição filosófica crônica, pessoas que colocam toda a segurança religiosa em sua fé, mas esta é imatura, muito assentada sobre as emoções e sentimentos. Se algum evento questiona fortemente essa fé, torna-se clara a fraqueza esquálida do intelecto dessa pessoa, que mergulha em crise profunda. Neste caso, valem com maior razão as palavras do Papa João Paulo II, na Carta Encíclica Fides et Ratio:

Estas directrizes foram depois retomadas e especificadas noutros documentos do Magistério, com o intuito de garantir uma sólida formação filosófica sobretudo àqueles que se preparam para os estudos teológicos. Também eu sublinhei, em várias ocasiões, a importância desta formação filosófica para todos os que, um dia, terão de enfrentar, na vida pastoral, as questões do mundo actual e individuar as causas de determinados comportamentos, a fim de lhes dar pronta resposta (Fides et Ratio, 60).

 

Até a próxima!

[1]Sola Scriptura”: Somente a Escritura, princípio que fundou os movimentos protestantes do século XVI.

Robson Oliveira

45 comments for “Reflexões Metafísicas – I: a anemia metafísica

  1. LEONARDO STERN
    15 de agosto de 2013 at 23:04

    PROFESSOR ROBSON,

    AINDA NÃO ME SINTO SEGURO AO PONTO DE OPINAR, PORÉM JÁ CONSIDERO A LEITURA DOS COMENTÁRIOS E EXPLICAÇÕES EXTREMAMENTE PROVOCATIVOS AOS MEUS PENSAMENTOS, ESPERO PODER CONTRIBUIR EM BREVE.

    FORTE ABÇO.

    • 15 de agosto de 2013 at 23:21

      Sinta-se livre, Leonardo. Frequente e leia mais e, quando estiver pronto, poste suas dúvidas.

      Abração!!!

  2. Maria Elena pose
    19 de outubro de 2012 at 22:16

    professor robson não sei se estou certa, mas o que eu entendi e que a fé e a razão nçao poderá haver desarmonia entre si, como Deus que revela 0s mistérios e infunde afé no espírito humano da luz da razão, a ciência procede de maneira verdadeiramente científica, na realidade, mas nunca será oposta a fé. abrços. Maria Elena.

    • 20 de outubro de 2012 at 18:59

      Isso mesmo, Maria Elena.

      Viu, dessa vez deu certo.

      Volte mais vezes!

  3. Maria Elena pose
    7 de outubro de 2012 at 04:28

    Professor Robson, não sei se estou certa, mas o que eu entendi e que a Fé e a razão não poderá haver desarmonia entre si, como Deus que revela os mistérios e infunde a fé no espírito humano da luz da razão, a ciência procede de maneira verdadeiramente científica, na ralidade, mas nunca srá oposta a fé.

    abraços.

  4. Deolinda Pimentel dos Santos
    24 de agosto de 2012 at 02:08

    Se usarmos apenas o que está escrito na Sagrada Escritura, não poderemos colocar a razão junto com a fé, uma não existem sem a outra. Se ficarmos apenas “bitolados” num pensamento, estaremos criando uma fé enfraquecida, sem razão.

  5. anamir solange perpetuo
    17 de agosto de 2012 at 15:04

    Sem a razão e por consequencia a metáfísica, não conseguiríamos chegar a uma fé madura, pois a fé requer o dom de Deus Sobrenatural, mais também uma atitude de adesão racional e pura maturidade intelectuaL. É de se notar a dificuldade de entendimento e manifestação de apresso em se conhecer a VERDADE, por parte de nossos irmãos evangélicos e também espíritas, uns aceitando uma fé de sentimentos incontestável e outros buscando explicações fabulosas para algo que Deus nos deu de graça na criação, nossa vontade, inteligencia e questionamento saudável.

  6. Olivia Ennes
    17 de agosto de 2012 at 13:13

    Obrigada professor, está caminhada está só começando (rs)
    Até amanhã

  7. Olivia Ennes
    17 de agosto de 2012 at 09:29

    Bom dia
    Gostaria de citar um trecho do livro Jesus de Nazaré que nosso amado papa Bento XVI escreveu:” A doutrina de Jesus nao vem da aprendizagem humana, seja ela de que especie for. Ela vem do contato imediato com o Pai, do dialogo face a face, na visao daquele que repousa no seio do Senhor. Ela e a palavra do Filho. Sem esta base interior, ela seria temeridade. Assim julgaram os doutores do tempo de Jesus, precisamente porque n’ao podiam admitir este fundamento interior, o ver e o conhecer face a face” e ele diz mais “quis tentar representar o Jesus dos Evangelhos como o Jesus real, como o Jesus historico no sentido autentico. Estou convencido e espero, que tambem o leitor possa ver, que esta figura e mais logica e historicamente considerada mais compreensivel do que as reconstrucoes com as quais fomos confrontados nas ultimas decadas penso que precisamente este Jesus – o dos evangelhos – [e uma figura racional e manifestamente historia’
    Entendo que Jesus deva ser o pr[incipio e o fim de todo esse processo, sera isso Prof Robson

    • 17 de agosto de 2012 at 10:47

      Em teologia, Olivia. Em metafísica, não. Pois há pessoas que não creem que Jesus é Deus. Como conversar com pessoas assim? Diz o outro Papa, o Beato João Paulo II: com a razão.

      Abração!

  8. Tatiana Abreu
    17 de agosto de 2012 at 08:28

    Olá Robson e David,
    Ainda não consegui compreender completamente o campo de estudo da metafísica.
    Abçs, Tatiana.

    • 17 de agosto de 2012 at 10:48

      A metafísica trata do ente, daquilo que é. A gente vai falar muito disso. Fique tranquila, Tatiana.

      Até mais!!

    • David Gravatá (estudante)
      17 de agosto de 2012 at 23:41

      Pois é Tatiana. A Metafísica não é uma disciplina muito fácil, requer uma reflexão apurada, um pensamento profundo, é fundamental compreender o que é o Ente. Compreender a Metafísica requer um caminho, um curso, onde a cada passo se vislumbra um novo olhar das coisas que já são. Em resumo, o campo da Metafísica é o Ente, e não passa disso. Se vc está estudando isto, recomendo muita atenção.
      Abraços.

  9. RAIMUNDO CESAR FARIAS ALELUIA
    17 de agosto de 2012 at 07:51

    Existem estudantes de Teologia que não vêem que a Filosofia é de suma importância para os seus estudos, pois eles acham que há incomunicabilidade entre as reflexões teológicas e as filosóficas, alegando que as limitações humanas não permitem conhecer o Divino devido a sua imperfeição e ao pecado original.

    Apesar de limitado e imperfeito o homem tem condições de conhecer algo do ilimitado e do perfeito.

    Outro ponto debatido entre aqueles que não consideram a Filosofia fundamental para

    os estudos teológicos é a afirmativa que a Sagrada Escritura pode ser tomada de algum modo sem indicações filosóficas. Essa negativa à Filosofia já está repleta de princípios filosóficos como ética, epistemologia, metafísica entre outros.

    Aqueles que dispensam a Filosofia nos estudos teológicos precisam saber que a verdade não está presente somente na Bíblia.

    RAIMUNDO CESAR FARIAS ALELUIA

    • David Gravatá (estudante)
      17 de agosto de 2012 at 23:23

      Muito bem argumentado. É exatamente neste contexto que o uso da Filosofia torna-se importante, para compreender e para explicar a Teologia com a inteligência e a segurança. Negar esse uso de Filosofia, já seria uma Filosofia. Abraços.

  10. Amaro Helio Costa dos Santos
    16 de agosto de 2012 at 22:57

    A Metafisica pode ajudar ao homem a conhecer a si mesmo e a aprofundar a sua fé?

    • Amaro Helio
      17 de agosto de 2012 at 13:08

      Gostari de saber sua resposta.

    • 17 de agosto de 2012 at 13:32

      Oi, Amaro. Desculpe, mas são muitas mensagens. Essa escapou…

      Então, o objeto de pesquisa da metafísica é o ente, aquilo que é. Ora, o homem é algo que é. Portanto, os conteúdos da metafísica tocarão, em alguma medida, o homem. O mesmo com a fé. A fé não é objeto da metafísica, mas Deus é. Logo, há uma relação – secundária para a metafísica – entre fé e teodiceia.

      Abração!!

  11. Amaro Helio Costa dos Santos
    16 de agosto de 2012 at 22:54

    Sabendo que o homem e dotado de inteligência e que Deus esta no comando de todas as coisas. Ao ler o texto sugerido, me veio uma dúvida. Com o livrio arbitrio que homem tem, A FILOSOFIA E A TEOLOGIA. Para poderia prejudicar a fé de alguns e que com esses conhecimentos poderia colocar duvidas em tudo?

    • 4 de agosto de 2013 at 09:09

      Sim, poderia resultar que o estudo de filosofia gerasse dúvidas. Contudo, é melhor uma fé provada que ingênua.

  12. Enilde Camelo Nunes
    16 de agosto de 2012 at 18:03

    1)Podemos dizer então que o verdadeiro cristão é aquele que compreende, aceita e busca viver a fé e a razão indissociavelmente?

    2) A Teologia e a Filosofia também são indissociáveis ou são apenas complementares?

    • 16 de agosto de 2012 at 18:35

      Boa, Enilde.

      Podemos dizer, com certeza, que o cristão verdadeiro é aquele que ama a Deus e ama fazer a Vontade de Deus. Mas também é verdade que ninguém ama o que não conhece. Assim, se a filosofia ajuda a conhecer melhor a Deus, ela é certamente uma auxiliar privilegiada na tarefa do cristão: amar a Deus de todo coração e ao próximo como a si mesmo. Desnecessário dizer que a fé é outro instrumento para essa tarefa. Fé e razão, teologia e filosofia, não rivalizam mas se ajudam no processo de aperfeiçoamento do cristão.

  13. Yan dos Santos
    15 de agosto de 2012 at 11:13

    O aspecto primeiro a ser refletido é que, o homem é dotado de inteligência, porém muitas das vezes deixa esta inteligência de lado e resolve agir por impulso (fé), e acaba que não consegue enxergar o que de fato pode ser tido como verdade.
    A própria igreja Católica Apostólica Romana, em toda a sua grandeza, sabe que em nenhum momento a razão deve se afastar da fé, ou vice versa, pois tem o seu Magistério, para que tais interpretações não sejam feitas de qualquer maneira.
    Assim como o Magistério da igreja, o homem deve agir, colocando na “balança” a fé e a razão.

  14. Elizabeth Ferreira Dias
    14 de agosto de 2012 at 22:14

    Muitos que não creem em Deus nos provocam pedindo provas de sua existência. Como só a fé não nos basta para responder a esta questão, entra a razão. Deus se dá a conhecer a todo homem. Podemos encontrá-lo a) na própria criação, com seu perfeito e entrelaçado funcionamento – ao admirarmos o mundo, nos perguntamos quem ou o que o criou – e b)no próprio homem, com sua consciência moral – a marca de Deus nos atraindo até Ele. Se nos sabemos limitados, imperfeitos e relativos é poque sabemos da existência do ilimitado, perfeito e Absoluto e de alguma forma podemos fazer comparações e medições dentro destas nossas fraquezas, tomando como exemplo Jesus Cristo – todo cristão é chamado por Deus à perfeição da santidade pela qual é perfeito o próprio Pai (CIC 825).

  15. Tatiana Abreu
    14 de agosto de 2012 at 18:33

    Olá Robson,
    Pelo que pude perceber com o texto e com os comentários, a metafísica é a forma racional do homem justificar a existência de Deus. É isso?
    Então para se ter certeza de sua existência temos que nos afastar dos sentimentos e buscar respostas apenas com a razão?
    Abçs.

    • 14 de agosto de 2012 at 18:35

      Mais ou menos, Tatiana. A metafísica é um disciplina filosófica que estuda o que existe. Ora, se Deus existe vai ser objeto de pesquisa. Essa disciplina antiga e não tem raízes cristãs. Contudo, como a verdade não tem credo, pode e deve ser utilizada na reflexão teológica.

      Abraço!!!

      • Elizabeth Ferreira Dias
        15 de agosto de 2012 at 19:23

        Prof, podemos dizer que o mundo de hoje, com o seu imediatismo, desvia o homem da sua busca natural de se conhecer, de saber o porquê das coisas, já que ele, envolvido por sequenciais e efêmeras novidades, não é levado a lenta reflexão e discernimento, gerando esta crise de fé e um vazio neste homem contemporâneo ?

        • 15 de agosto de 2012 at 22:36

          Sem dúvida, Elizabeth. O espírito imediatista e superficial – refletido aqui mesmo em alguns comentários no site – dificulta a compreensão de assuntos importantes e difíceis, como as questões metafísicas. Para aqueles que só valorizam o útil, o prático, o técnico, metafísica é perda de tempo. Não é bem assim. O nosso tempo passa por essa crise de valores justamente por causa da falta de metafísica, de um lado, e de fé, de outro. E não descarto que uma crise afete a outra.

          Abração!

    • David Gravatá (estudante)
      15 de agosto de 2012 at 09:13

      Olá Tatiana,
      Que bom que vc lê e posta seus comentários aqui.
      Desculpa me intrometer.
      Respondendo a sua dúvida: Na verdade há uma disciplina chamada Teodiceia, que é o estudo racional de Deus, a Metafísica é o estudo do Ente (o professor Robson, a qual tive a honra de ser seu aluno, leciona esta matéria no Seminário São José de Niterói).
      Creio que ao aprender primeiramente Metafísica, fica-se mais fácil compreender outras disciplinas, como a própria Teodicéia, Antropologia Filosófica (estudo racional do homem), Psicologia Racional(estudo da alma), Cosmologia (estudo do cosmo da natureza, do mundo material) e Gnoseologia (estudo do conhecimento).
      É o uso do estudo da Filosofia para entender e aprender a Teologia.
      Outro ponto de tua pergunta, muito interessante, sobrte o uso da razão como UNICAMENTE para se conhecer a Deus pela razão sem o uso de sentimentos. ora, pergunta então para o professor Robson, porque existem os milagres. rsrsrsrs. Resposta: o milagre para ser considerado milagre, não pode ser comprovado cientificamente, racionalmente, deve ser imediatista (a ação miraculosa), permanente e pública, impossível de ser realizada pelo homem, e o professor disse mais nas aulas “Todo milagre confirma a doutrina”.
      Valeu. Abraços.

      • 15 de agosto de 2012 at 17:56

        Valeu, David!

      • 20 de agosto de 2012 at 12:11

        David, posso estar errado, mas entendo que não é preciso o milagre para se provar a existência de Deus. Entendo ser humanamente possível chegarmos ao conhecimento de Deus apenas pela razão, um conhecimento limitado e superficial. A partir deste ponto a fé vem nos auxiliar onde a razão, por si, não alcançaria.

        Achei muito interessante este texto, pois me remete a algumas aulas da faculdade – especificamente em filosofia jurídica – o prof. dava a entender que Deus não existia, que não era lógico aquele conhecimento, porém, pela materia apresentada, com os pensamentos dos filosofos – mito da caverna, modelos perfeitos, etc, etc – sempre me vinha a figura do criador (de forma imperfeita, mas Ele estava la por trás…)

    • Elizabeth Ferreira Dias
      16 de agosto de 2012 at 15:44

      Tatiana, sempre achei que a fé não é só sentimento porque se acreditamos em algo é porque já o analisamos e decidimos que há alguma verdade naquilo. Percebendo ou não, estamos constantemente em questionamento. Depois deste questionamento, da decisão de fé tomada, é que entram os sentimentos – amor a Deus, ao próximo, mansidão, compreensão … – a as atitudes – orações, vigílias, missas, participação nas pastorais etc – e isto tudo nos leva a novos questionamentos e buscas, crescendo na fé.

  16. Olivia Ennes
    14 de agosto de 2012 at 16:44

    Boa tarde Professor
    Pelo que entendi, a fé quando alicerçada na razão e no estudo, tem a possibilidade de tornar-se madura, responsável e comprometida. A fé está ligada diretamente a razão, como está ligada ao coração. O fato de se desejar o conhecimento,não significa o distanciamento no Nosso Criador. Pelo contrário, se torna cada vez mais evidente a sua soberania, pois Ele é a própria Sabedoria, Alfa e Ômega. Através dessa busca constante, tentamos nos conhecer e entender um pouco esse conflito entre a nossa vontade e a vontade de Deus.Sendo assim, esse processo de busca é que vai nos possibilitar (dentro de nossa limitação) a aceitação ou não daquilo que Deus quer pra mim.
    Será isso mesmo?

    Até mais e fique com Deus

    • 14 de agosto de 2012 at 16:53

      Isso, Olivia. A metafísica purifica algumas crenças naturais do homem, tornando a fé – quando acontece de ter fé – menos ingênua. Diga-se, no entanto, que a fé está mais ligada à razão que ao “coração”. O sentimento (deve ser isso o que quis dizer com coração, né?) é mais responsável pelas ações impulsivas do que com a fé.

      Até mais!!!

      Tô gostando…

  17. 13 de agosto de 2012 at 23:35

    Obrigada Robson pelo esclarecimento.
    Lendo novamente o texto, e o seu comentário, percebo que o estudo da metafísica na teologia é para justamente conhecer sobre Deus, além daquilo que a nossa fé já nos faz permite saber, mas um saber fundamentado, “enraizado”, é isso? A fé e razão devem caminhar juntas!

    • Bruno Monteiro
      14 de agosto de 2012 at 11:09

      Olá Fernanda e Robson,

      Creio também que a Metafísica pode ajudar o homem a conhecer a si mesmo, para que tendo o conhecimento sobre si e sobre Deus possa ter discernimento sobre a vontade de Deus e livremente a escolher também como sua e, dessa forma, ter vida em plenitude.
      Assim, vejo a relação da Metafísica com a Teologia de forma que uma conduz à outra, pois acho que o homem só é capaz de conhecer a si mesmo sob a luz de quem o criou.
      Estou certo?

      • 14 de agosto de 2012 at 16:51

        Oi, Bruno. A metafísica tem valor em si mesma e não em função do que dela se pode realizar. Saber a Vontade de Deus não está ao alcance do metafísico. Diante dele está a pergunta: há um Deus? Essa é uma das perguntas principais do curso. E você tem razão: esse tema é capital para a compreensão do que deve fazer depois.

        Abração!

        • Bruno Monteiro
          15 de agosto de 2012 at 08:16

          Robson, obrigado pelo esclarecimento, no entanto fiquei agora com outras dúvidas.

          Não sei se conseguirei explicitar claramente, mas vamos lá… rs

          Entendi que a Metafísica se ocupa do conhecimento puro e verdadeiro, não é?
          Por exemplo, ao contrário de Deus onde não há mudança, o homem, ou o seu Ser, creio estar em constante transformação. Quero dizer, ao mesmo tempo em que se conhece se constrói. Dessa forma, acho que o conhecimento implica uma mudança, que talvez não seja o escopo da Metafísica, mas uma consequência direta dela e que neste ponto talvez avance para outra disciplina filosófica, ou não tem nada a ver?

          Grande abraço!

          • 15 de agosto de 2012 at 17:54

            Tem relação, sim, Bruno. Embora a Metafísica não trate do conhecimento (lembre, a disciplina que faz isso é a gnoseologia), o resultada de pesquisa metafísica é alcançar conhecimentos verdadeiros. E de certa forma, a posse desses conhecimentos muda cada um de nós. Então, se em Deus não há mudança, o conhecimento de que há um Deus muda-nos (ou devia) profundamente.

            Como você intuiu, isso já não é metafísica, mas é muito importante.

            Até mais!

  18. 13 de agosto de 2012 at 01:18

    “a vontade do homem acaba por confundir a racionalidade, tornando-o presa fácil do erro e de suas paixões(…)”. A partir desta postura anti-filosófica apontada no texto. Gostaria de saber um pouco mais desta relação da razão com a vontade humana. Muitas vezes queremos fazer só a nossa vontade e não a vontade de Deus. Deixamos de ouví-Lo, etc. E então é aí que percebemos a relação da razão e a fé, da união entre ambas.Se creio, eu tenho que educar minhas vontades para agir como Deus fala, e isto envolve a racionalidade do ser humano, certo?

    • 13 de agosto de 2012 at 09:19

      Isso mesmo :), Fernanda. A felicidade humana é fazer a Vontade de Deus. E muitas vezes, não se faz a Vontade de Deus porque não a conhecemos. Com a reflexão metafísica não se saberá qual é a Vontade de Deus para o homem, mas se conhecerá – certamente – que há um Deus Absoluto, Perfeito, Criador. A partir daí, deve-se esmerar-se para:
      1) Conhecer o desígnio de Deus para o homem;
      2) Cumprir esse desígnio, que é a parte mais difícil.

      Mas esse tema é de outra disciplina.

      Até mais!

      • Elizabeth Ferreira Dias
        14 de agosto de 2012 at 23:03

        O designo de Deus é estarmos em comunhão com Ele, que se revela e se doa ao homem de forma plena enviando seu Filho e o Espírito Santo. Quer que todos sejamos salvos e cheguemos ao conhecimento da verdade. Pela oração, unidos a Jesus e com a força do Espírito Santo, podemos discernir qual é a vontade de Deus e cumpri-la. Não é fácil, mas devemos tentar seguir Seus mandamentos e os ensinamentos de Seu Filho, Jesus Cristo.

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