Resposta à Ir. Ivone Gebara

Recentemente a “corte teológica brasileira” abriu fogo contra o Santo Padre. Já é possível ler textos de Genésio Boff, Betto, Lina dentre outros teólogos universitários burgueses tentando sequestrar a voz do Papa para a causa comunista. Dentre esses nomes há também Ivone Gebara. Ela fez duras críticas ao Papa Francisco (ver aqui), quase ensinando o Papa como deve ser seu pontificado: mais feminista, mais democrático, mais politicamente correto. Em outras palavras, ela quer uma Igreja mais parecida com uma ONG. Mas não sou eu que vou responder em nome do Papa Francisco, um genuíno jesuíta. O objetivo desse texto é responder a provocação da segunda parte do texto da teocrata. Vamos ao texto (os destaques rubros são nossos):

Meu segundo breve comentário é em relação à necessidade de identificar a maioria dos grupos de jovens presentes na Jornada e aclamando calorosamente o papa.

Eis um lado curioso da teocracia da qual Dona Gebara é porta-voz. Na cabeça dessa representante da “corte teológica brasileira” (e de grande parte de seus asseclas), os jovens entusiasmados, abnegados, alegres, felizes, saudáveis, piedosos, animados e corajosos precisam ser “identificados”. Por quê? Por que esta ditadura teológica não admite conviver com pessoas livres, pessoas que não se deixam cooptar pelo discurso político, pela ideologia marxista. Portanto, para os que veem o demônio do capitalismo em qualquer manifestação de sorriso e bem-estar, é preciso identificá-los. Identificá-los, é evidente, para puni-los por serem tão abnegados. Continua o texto:

Em que Evangelho e em que teologia estão sendo formados? De onde vêm eles? O que buscam? Não tenho respostas claras. Apenas suspeitas e intuições em relação à presença marcante de uma tendência mais carismática conservadora e mais celebrativa na linha Gospel.

Noves fora o desprezo com os protestantes mal-escondido nas últimas palavras, além da crítica político-ideológica indisfarçável denunciando suas preferências partidárias, de fato, Dona Gebara não tem respostas nem perguntas claras. Mas eu respondo a essas perguntas enviesadas: em que Evangelho estamos sendo formados? No Evangelho de Nosso Senhor, ora bolas! Naquele Evangelho que diz: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”; ou naquele que diz “Ama a Deus sobre todas as coisas”; ou naquele: “Tu és Pedro. O que ligares, estará ligado; o que desligares, estará desligado”; ou quem sabe aquele: “Dai a Deus o que é de Deus”. Mas fica a pergunta: quantos Evangelhos Dona Gebara conhece? Ela acha realmente que não fosse por causa de Nosso Senhor aqueles milhões jovens (de mulheres, jovens, velhos, crianças de colo) estariam em Copacabana, debaixo de chuva, vento e desconforto? Por causa de 20 centavos aquelas pessoas estariam lá? Respondo que não! Não estariam! Esses jovens buscam o que nenhum teólogo autocrata, nenhuma CEB, nenhum partido político, nenhuma ideologia pode dar: buscam Jesus Cristo! Será que não passou pela cabeça dessa freira (sic!!!) que talvez, quem sabe, os jovens cristãos procurem… Cristo? Mas Dona Gebara não cansa de nos surpreender. Ela continua:

Manifestações de paixão pelo papa, de intenso e repentino amor que leva às lágrimas, a querer tocá-lo, a viver milagres repentinos, a dançar e agitar o corpo têm sido comuns também nos movimentos neopentecostais nas suas muitas manifestações. Sem querer fazer sociologia da religião, creio que sabemos que esses movimentos buscam uma estabilidade social para além das transformações políticas em vista do direito e da justiça para todos os cidadãos e cidadãs. Creio que correspondem, sem dúvida, ao momento atual que estamos vivendo e respondem a algumas necessidades imediatas do povo.

Bem, não conheço Dona Gebara e ela também não me conhece. Mas dizer que a paixão pelo Papa (não por Francisco, pelo Papa, qualquer Papa) é repentina chega a ser simplista. Não se ama Francisco porque é pobre, não se ama Bento XVI porque é teólogo inigualável, nem João Paulo II por ser corajoso e missionário. Ama-se o Papa e ponto! Não sei de onde Gebara é, mas onde moramos – nós, do estado do Rio de Janeiro – sabemos que o amor ao Papado não tem nada de “repentino”, mas é um mandamento de Deus: amar o próximo. E se o próximo é alguém escolhido por Deus para guiar seu povo, maior deve ser esse amor. Agora, se Gebara não tem fé para ver Deus por detrás das ações humanas na política da Santa Sé, ou nos interesses pessoais de algumas pessoas, bem, ela que vá rezar e implorar de Deus esse dom, que Ele não nega a quem lhE implora. Só não chame ingenuidade alheia o que pode ser falta de fé própria.

Mas um ponto curioso é o menosprezo pelas lágrimas alheias. A teocracia da libertação, “tão humana que parece divina”, trata com muito descuido as lágrimas de jovens que venderam bolinhos durante dois anos, trabalharam arduamente durante 6 meses, fizeram rifas e chocolate para viajar na JMJ e vir ao Rio de Janeiro, doaram parte de seu salário para outros jovens pobres viajarem com eles para o evento, perderam noites de sono para preparar essa festa. Todo esse esforço de maranhenses, potiguares, angolanos, australianos, argentinos, cariocas, paulistas, mineiros, americanos, canadenses, iraquianos, judeus e tantas outras nacionalidades é quase ridicularizado pela “humanista feministas” (sic!!!). Ela quase se diz chocada ao ver jovens chorando ao passar de Francisco. Para a “corte teológica brasileira”, chorar não é humano. Que belo testemunho de humanismo, não?

E Dona Gebara volta ao samba de uma nota só: acusa os jovens carismáticos de serem politicamente apáticos. Novamente ela está enganada. Nós, jovens da JMJ, não somos politicamente apáticos. Pelo contrário, estamos cada vez mais atuantes politicamente e cada vez mais sem vergonha de assumir o convite do Papa Francisco de ir contra a corrente. Dona Gebara, o que vou dizer a senhora vai machucar seus ouvidos criados a pão de ló pelas universidades católicas do Brasil, universidades que foram e continuam sendo lugar da burguesia destepaiz (contrasenso, né?). Pois bem, os jovens que participaram da JMJ não são apáticos politicamente, mas também não se interessam pela política que a senhora defende. Mais: grande parte dos jovens brasileiros está percebendo que ser conservador não é crime! Não aceitamos mais a falácia de que a esquerda é honesta. Doze anos de PT já provaram-nos o erro escondido aí. Dona Gebara pode não gostar de saber disso, mas o fato é que certamente há mais sobrinhas e sobrinhos dela lendo blogs conservadores do que ela gostaria de saber.

Entretanto, há outro rosto do cristianismo que quase não pode se manifestar na Jornada. O cristianismo que ainda inspira a luta dos movimentos sociais por moradia, pela terra, pelos direitos LGBT, pelos direitos das mulheres, das crianças, dos idosos etc. O cristianismo das comunidades de base (CEBs), das iniciativas inspiradas pela Teologia da Libertação e pela teologia feminista da libertação. Estes, embora presentes, foram quase sufocados pela força daquilo que a imprensa queria fortalecer e, por conseguinte, era de seu interesse. Isso tudo nos convida ao pensamento.

Quanto aos “rostos do cristianismo”, só reconheço um. A Dona Gebara quererá dizer que há o cristianismo europeu, o cristianismo asiático, o cristianismo africano, o cristianismo latino-americano. E ainda: o cristianismo do Rio de Janeiro, de São Paulo, do Amazonas. Como diria o Evangelho: quantos Cristos há? Por acaso foi o Acre que morreu por mim numa cruz? Ou o Zimbábue? Não, só há um cristianismo, o de Cristo! O rosto de Cristo deve ser refletido em todos esses movimentos e pessoas: nas CEB’s, nas crianças, nos homossexuais, nas crianças, nos bebês não-nascidos, nas mulheres. Toda forma de transformar o cristianismo em ideologia é empulhação. Querer vender a tese de que o cristianismo reduz-se a manobras políticas testemunha como ela lê o Evangelho e os sinais dos tempos.

E para terminar, Dona Gebara não sabe, mas os jovens de hoje são bem diferentes dos jovens do tempo dela (ela já está quase no tempo de se aposentar, como tentaram impor a Bento XVI). Somos mais conscientes da nossa fé. Alguns de nós somos convertidos, não somos aquele católico “de família”, escolhemos nossa fé. Outros muitos de nós estudamos o que cremos. E queremos respostas! Com a internet, acabou o monopólio da informação. Não nos interessa ler o que uma irmã comunistóide tem a nos dizer sobre o Evangelho de Lucas em uma revista chapa-branca do governo petista, se posso ler o que o Santo Padre tem a dizer sobre o mesmo Evangelho; ou o que disse Dom Estêvão Bettencourt, ou São Bento, ou São Francisco, ou Bento XVI. Nós, donas de casa, universitários, secundaristas, policiais federais, bancários, juízes, desempregados, delegados, empregadas domésticas, ascensoristas, promotores, médicos, enfermeiros, motoristas de táxi, radialistas, jornalistas, defensores públicos, auxiliares de serviço gerais, pescadores, manicures, enfim, o povo de Deus não aceita nada menos que o Evangelho! Nós lemos, Dona Gebara, lemos Justino, Clemente de Alexandria, Hilário de Poitiers, Atanásio, Anselmo, Tomás de Aquino, Agostinho, Boaventura, Chesterton, Chenú, Ratzinger. Nós estamos crescendo, Dona Gebara, e já, já bateremos sua porta. Oxalá encontremos sua lâmpada acesa.

 

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6 comments for “Resposta à Ir. Ivone Gebara

  1. carlos macedo
    19 de março de 2014 at 14:43

    Essa fulana que se diz freira, há muito deveria ter saído por conta própria da Igreja Católica. Na opinião dela, somente os que são da “dita esquerda” prestam.O resto é lixo. Ivone Gebara, vá arrumar uma lavagem de roupa para ocupar o tempo. Nos poupe de tanta bobagem, pois nossos ouvidos não são penicos.

  2. Roberta Valle
    19 de agosto de 2013 at 10:18

    O engraçado é o tom de “não existe salvação fora da TL” que esses discursos pseudo-cristãos como o da senhora Gebara têm… Excelente resposta: “Nós, donas de casa, universitários, secundaristas, policiais federais, bancários, juízes, desempregados, delegados, empregadas domésticas, ascensoristas, promotores, médicos, enfermeiros, motoristas de táxi, radialistas, jornalistas, defensores públicos, auxiliares de serviço gerais, pescadores, manicures, enfim, o povo de Deus não aceita nada menos que o Evangelho! Nós lemos, Dona Gebara, lemos Justino, Clemente de Alexandria, Hilário de Poitiers, Atanásio, Anselmo, Tomás de Aquino, Agostinho, Boaventura, Chesterton, Chenú, Ratzinger. Nós estamos crescendo, Dona Gebara, e já, já bateremos sua porta.” Muito bom!

    • 19 de agosto de 2013 at 14:57

      Obrigado, cara visitante! Boa analogia também, a da salvação pela TL.

      Inté!

  3. Eduardo Araújo
    17 de agosto de 2013 at 03:56

    A comunistóide fala de cristianismo que inspira “direitos LGBT” e “direitos das mulheres”.

    Será que é o “cristianismo” que inspirou as manifestações satânicas de vadias et caterva? Ela deve achar bem cristãs as “performances artísticas” criminosas contra a nossa religião.

    Outro detalhe, bem sutil, mas revelador: essa expressão “sociologia da religião” é bem cara e recorrente em … Marxistas fanáticos dos mais antirreligiosos, daqueles que ODEIAM a Igreja, xingando-a de retrógrada, em oposição a uma igreja “progressista”, i.e. NÃO cristã, mas marxista com clérigos e leigos eivados de ódio de classes.

  4. Gillian Freitas
    15 de agosto de 2013 at 12:55

    Dindo, vc sempre eloquente. Queria ler o texto da Irmã comunista. Vc posta por mensagem para mim?

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