Dogmáticos de Avião – Pe. Matheus Pigozzo

Pe. Matheus Pigozzo, da Arquidiocese de Niterói, novamente faz uma boa análise da mídia escroque que interpreta rápido demais as palavras do Papa Francisco.


Dogmáticos de Avião

Caros, está virando costume, após cada fala do Santo Padre em uma informal entrevista de avião, surgirem frases soltas polêmicas na mídia e pessoas dogmatizando a conversa do voo.

Um Papa é uma pessoa que tem seu modo de ver as coisas, sua linha pastoral, política, administrativa, suas impressões sobre os acontecimentos etc… O ministério petrino, ou seja, aquela função e carisma que a pessoa do Papa exerce, é um serviço à verdade revelada, é para guardá-la e ensiná-la, e não para inventá-la.

Os dogmáticos de avião, por desconhecerem essa premissa, acham que qualquer visão e opinião de um Papa é necessariamente um termo canônico ou uma proclamação solene de fé.

Deve-se ler um papa, quando se quer enquadrar a sua fala como algo magisterial, dentro da fé da Igreja (Sagrada Escritura e Tradição da Igreja), não como um romance no qual desejo virar a próxima página para achar a novidade que contradiz as folhas passadas.

Por ter uma linguagem bem pastoral e de certa acessividade às pessoas de fora da Igreja, corre-se o risco de más interpretações das falas do Papa Francisco e também de identificação do que é opinião e o que é seu magistério.

Mas a premissa que coloquei no início é boa para você católico não ficar como um caniço agitado pelo vento midiático.

Veja:

  • O fato do Papa falar, voltando das Filipinas – país esse com um crescimento das famílias não muito responsável – que não se deve ter filhos igual coelhos, não muda a verdade da abertura à vida em toda ação conjugal, das finalidades do matrimônio e de toda revelação bíblica e da tradição referente ao tema.
  • O fato de falar da Zika e anticoncepção não apaga a obrigação de toda pessoa seguir a natureza da ação conjugal (sempre aberta à vida) e nem a dispensa de seguir dogmaticamente a Humanae Vitae, por exemplo.
  • A frase solta que o Facebook e a TV mostra – “Papa diz que Igreja deve pedir desculpa ao gays” – não exclui a verdade de que o Catecismo da Igreja, as notas da Congregação da doutrina da fé e todo o magistério, seguindo o ensino de São Paulo, por exemplo, fale que os atos homossexuais são ações desordenadas, contrárias à natureza, e que, apesar disso, as PESSOAS devem ser acolhidas e acompanhadas com caridade.

Sobre esse último tema interpreto que pessoas da Igreja devem pedir perdão se não acolheram os homossexuais para anunciar a eles o Evangelho, mas não a Igreja em si… Dizer a verdade é a maior caridade que prestamos, esta, portanto deve vir sempre com o olhar, a acolhida e o amor de Jesus.

Quantos vêm à Igreja para se sentirem respeitados e são ajudados por nós… quantos se libertam e vivem felizes formando uma família…

Você que está confuso pelo barulho midiático, te convido a ler os documentos da Igreja e ver a prática de fraternidade dela antes de julgá-la…

Cada um deve rever os seus atos, saber acolher a todos, vendo a dignidade no interior de cada pessoa e ter como paradigma o modo de Jesus agir – “Eu te perdoo, eu não te julgo”, porém sem esquecer o restante da frase – “Vai e não voltes mais a pecar!”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *