O mito da Igreja Obscura – Por Marcos Vinícius Cirino

Nas últimas décadas o público de cinema e séries de televisão tem entrado em contato com um material duvidoso quando o assunto é a Igreja Católica. Já no final da década de 90 a produção do filme Stigmata (1999), para utilizar um primeiro exemplo, apresenta uma jovem cabeleireira possuída por um demônio que encontra auxílio num sacerdote católico; através da trama é possível notar o pensamento anti-institucional, ou seja, de que não é necessária qualquer religião para que haja fé em Deus e, para temperar o enredo há todo jogo de poder entre os prelados católicos. Alguns anos mais tarde e nos deparamos com as famosas adaptações dos livros de Dan Brown; em O Código da Vince (2006) encontra-se uma Igreja assustadora, masoquista, repleta de mistérios e corrupções, no entanto, a polêmica atingiu apenas aqueles que não possuem instruções exatas sobre o catolicismo, pois uma rápida pesquisa em fontes idôneas seria suficiente para revelar as meias verdades do roteiro. Três anos mais tarde e a história se repete em Anjos e Demônios (2009) cuja adaptação ficou muito aquém da obra literária. Na trama, Robert Langdon é levado ao Vaticano para salvá-lo de uma antiga seita cientificista as vésperas do Conclave; no filme não é possível tomar conhecimento da inseminação artificial entre o papa falecido e sua amante, uma religiosa, da qual nasce o vilão do livro, fato que só é sabido pelos leitores da obra original e, somado a este, são explorados os aspectos de uma “religiosidade” afetada, sem sentido. Ainda mais próximo se encontra a série Os Bórgias (2011) que busca reviver as aventuras imorais do papa Alexandre VI e seus familiares, a produção pode sair andando de mãos dadas com Game of Thrones em termos de enredo. Em todos os exemplos uma mesma verdade é clara: o mito da Igreja obscura, ou seja, um catolicismo fanático, corrupto, mentiroso e que não possuí nada de divino. Porque acreditar que estão na Igreja Católica os meios da salvação?

Vaticano

1 – A Igreja foi fundada pelo próprio Cristo.

Gostem ou não gostem as palavras de Cristo serão sempre as mesmas: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mateus 16,18). Essa verdade ninguém que se diz seguidor de Jesus pode recusar e, diante dela, podemos nos questionar se o Senhor que diz ser “a luz do mundo” (João 8, 12) seria capaz de confiar aqueles que “amou até o fim” (João 13,1) a uma instituição que não faria nada além de perder as almas de seus amados. O presente texto não tem como intenção “passar o cobertor” por cima dos escândalos cometidos por aqueles que se dizem católicos, mas esclarecer o ensinamento que Nosso Senhor confiou quando disse: “Quando o trigo cresceu e começou a granar, apareceu também o joio” (Mateus 13, 26). Por uma trama do inimigo o joio foi jogado junto com o trigo, mas pela misericórdia do Senhor, que sempre acredita no reerguimento dos que caíram e para não prejudicar a santificação dos justos, Deus permite que ambos nasçam juntos até o tempo da colheita (Mateus 13, 30).

Acreditar que a Igreja é habitada apenas por pecados e corrupções é subestimar a Graça Divina que, em Cristo, o Pai nos concedeu e pela qual “nós temos redenção, dos pecados remissão pelo seu sangue” (cf. Efésios 1, 5-7). É não se deixar guiar pela Cabeça, Cristo, cujo corpo é Igreja e da qual fazemos parte pelo batismo (cf. 1 Coríntios 12, 12-28). É desprezar a existência daquela multidão em vestes brancas (cf. Apocalipse 7, 9), os santos e seus heroicos exemplos de amor, entrega e sacrifício para se tornarem verdadeira “luz do mundo” e autêntico “sal da terra” (cf. Mateus 5, 13-14).

O impacto dessas verdades não atrai os interesses do mundo moderno; na era do neo- paganismo, do materialismo e do hedonismo à flor da pele a proposta de uma religião que prega a total liberdade de todas as falsas alegrias e vícios soa como uma voz incômoda já profetizada por Salomão: “A sabedoria é um espírito amigo dos homens, não deixa impune o blasfemo por seus propósitos” (Sabedoria 1, 6) e, por isso, o ímpio exclama: “Cerquemos o justo, porque nos incomoda e se opõe às nossas ações, nos censura as faltas contra nossa educação” (Sabedoria 2, 12) e após, em um misto de revolta e debocha, decidem: “Vejamos se suas palavras são verdadeiras, experimentemos o que será de seu fim. Condenemo-lo a uma morte vergonhosa, pois diz que há quem o visite” (Sabedoria 12, 17.20). Este versículo ilustra bem a desmoralização presente nos atuais filmes e seriados no que concerne à doutrina da Igreja e sua missão no mundo. No entanto, o cristão é um homem de fé e, justamente por isso, não deixa de acreditar na Providência de Deus e deve, com santo empenho, aprofundar-se nesta mesma fé a fim de não se deixar enganar pelo emaranhado de mentiras e ambíguas verdades que a mídia hodierna deseja incutir na mentalidade das pessoas. O medo nunca foi uma realidade para a Igreja, apesar de todos os ataques e dificuldade, ela está firme na Palavra que a acompanha desde sua origem, dita pelo seu Supremo Amor: “Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno nunca prevalecerão contra ela” (Mateus 16, 18).

Cruz

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