O ópio da legalização – Por David Luzetti

Comentário: O tema das drogas já foi abordado no Site Humanitatis algumas vezes. Realmente penso que uma das imagens que melhor representa a ligação entre dependência e drogadição é a escravidão. O jovem David Luzetti, em seu blog, faz uma boa reflexão sobre a raiz da questão: drogas, especialmente as alucinógenas, fazem mal aos homens. Elas são proibidas porque são prejudiciais à vida humana e não o contrário. Vale a pena ler!


O ópio da legalização – Por David Luzetti

Drogas! Para muitos um problema, para outros, solução. Depende da droga. Há aquelas que são lícitas (remédios, em geral), mas também as ilícitas. O assunto é polêmico e traz muitas outras coisas consigo. Não obstante, faz-se necessário uma reflexão cada vez mais madura sobre o assunto, abarcando não somente o seu uso, mas suas causas e consequências, tanto para o próprio indivíduo quanto para a sociedade. Limitemo-nos o olhar para as alucinógenas, tais como: maconha, cocaína, heroína, crack, ecstasy, etc.

Deve-se levar em conta que o público-alvo consumista é a juventude, visto que os usuários mais velhos são poucos e muitos já morreram, talvez devido ao excesso do uso das mesmas. Outro fator relevante que se deve ter bem claro (pois muitos têm mudado o foco nas discussões sobre o assunto) é que uma coisa é o fato da manifestação pública de uma opinião sobre as drogas ser legal, bem outra é dizer que o uso de drogas o seja. Vale lembrar o que o chefe do escritório das Nações Unidas[1] afirmou em 2009: “As drogas são ilegais porque são prejudiciais. Não são prejudiciais por serem ilegais”. Devemos “encarar” o problema “de frente”! Não é a proibição que faz com que as drogas sejam nocivas. Ninguém pode garantir que a sua liberação eliminará o verdadeiro problema. O que os jovens buscam quando buscam as drogas? O problema deve ser tratado na raiz!

Se a droga não trouxesse alguma sensação boa, não viciaria ninguém. Não podemos ser hipócritas. As drogas psicotrópicas[2] trazem alívio à dor, ao sofrimento do homem, mesmo que seja momentâneo. O fato é que nenhuma droga resolve definitivamente os problemas humanos, somente os neutraliza, anestesiando-os por um período curto de tempo. Além disso, legalizar as drogas não eliminaria outros dois problemas: a necessidade do aumento contínuo do consumo e a degeneração progressiva do organismo humano, até o seu fim letal.

Há ainda aqueles que desejam legalizar as drogas por constatarem o aumento de usuários. A pedofilia está aumentando e nem por isso vamos legalizá-la, mesmo que alguns possam aspirar a tal absurdo! Há também aqueles que querem legalizá-las para dar uma maior segurança para a pessoa no uso, assim como talvez haja os que defendem a necessidade de criar estabelecimentos específicos para a prática da pedofilia com mais segurança.

É interessante pensarmos qual seria a reação dos traficantes com a perda de seu poder no comércio. Este pensamento eliminaria a utopia de que diminuiria a violência após a legalização. Afinal de contas, acabar com um negócio que movimenta mais de milhões de dólares por ano não é tão simples assim! A consequência não seria aumento de roubos e assassinatos? Como tais pessoas passariam a se sustentar? Não dá para “tapar o sol com a peneira”! Bastam poucos minutos e refletirmos sobre consequências da legalização para que qualquer pessoa dotada de inteligência e que deseja levá-la ao cumprimento de sua vocação, isto é, à verdade, para perceber quão prejudicial seria tal abuso caso fosse legalizado.

Se houver a legalização das drogas, então não somente as drogas anestesiarão os problemas de cada indivíduo, mas a anestesiará o problema da sociedade em relação às drogas. Anestesiar não é resolver. Uma solução concreta é o investimento educacional e o combate ao crime. Sem dúvida, é uma atitude demasiada difícil e exigirá muito para se resolver o verdadeiro problema, mas faz-se necessário, e isto digo para aqueles que verdadeiramente desejam resolver e não neutralizar o problema.

Por fim, percebe-se a necessidade de uma maturação neste assunto, que se constitui um verdadeiro câncer social. Como trataremos este assunto? Iremos somente anestesiar o problema até a degeneração total,ou iremos ao cerne da questão para resolvê-lo?

O problema existe e afeta a todos, exigindo de todos uma resposta. Não nos desviemos para que o bem chegue àqueles que, de algum modo, anestesiados, não conseguem confrontar a realidade.


[1] Antônio Maria Costa

[2] Que afetam o estado mental.

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